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Davos 2026: Brasil enfrenta o desafio de se apresentar como porto seguro
Publicado 19/01/2026 • 21:46 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 19/01/2026 • 21:46 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
World Economic Forum/Chris_Heeney
Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça
O Fórum Econômico Mundial (WEF) de 2026 começou nesta segunda-feira (19) em Davos, na Suíça, sob o tema “A Spirit of Dialogue”. Em meio a um cenário de turbulências internacionais, o Brasil chega com o objetivo de apresentar uma agenda mais técnica do que política.
Sem uma comitiva liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e nem mesmo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Brasília tenta usar o fórum como extensão de uma agenda que já começou antes, com foco em três frentes que interessam diretamente à iniciativa privada e ao poder público: acesso a mercados, previsibilidade institucional e infraestrutura digital do Estado.
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A primeira peça é comercial e veio pronta para a semana do evento. Na sexta-feira (17), União Europeia e Mercosul assinaram um acordo comercial histórico, depois de mais de 25 anos de negociações. Para o Brasil, o timing é quase cirúrgico. O WEF deste ano acontece em um ambiente no qual o próprio fórum aponta “confronto geoeconômico” como o principal risco de curto prazo para 2026, com comércio, tecnologia e finanças cada vez mais usados como instrumentos de disputa. Um acordo desse porte funciona como credencial econômica num Davos em que investidores e governos estão calibrando exposição a risco e redesenhando cadeias.
A segunda peça é institucional. Nos últimos anos, Davos tem sido palco de um debate desconfortável para o próprio fórum, como a crescente perda de confiança em governos, empresas e na mídia — tema recorrente nas sessões de abertura e em pesquisas como o Edelman Trust Barometer. O Brasil, que convive com volatilidade política e fiscal há anos, tenta vender o oposto do improviso. A mensagem é simples e pragmática: o país quer ser visto como um mercado grande, com regras, contratos e previsibilidade suficiente para destravar decisões de investimento que levam anos, não semanas.
O terceiro ponto é a agenda digital, que explica a presença da ministra Esther Dweck , da Gestão e da Inovação. Dweck participa de uma agenda paralela ao fórum, ligada à Colaboração Digital Global do WEF, em que o Brasil assumiu a presidência de um dos grupos estratégicos. É uma escolha que conversa com uma demanda cada vez mais central para negócios: infraestrutura de identidade, credenciais e serviços digitais do Estado, que afeta desde a abertura de empresas até contratação pública, compliance e acesso a serviços. Em outras palavras, o Brasil está tentando posicionar a eficiência administrativa como ativo econômico.
Nesse desenho, a presença brasileira também passa por crescimento e produtividade, não por discurso presidencial. No programa do WEF, Simone Tebet aparece como uma das palestrantes da sessão “Breaking Latin America’s Growth Ceiling”, ao lado de nomes como Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e Julio Velarde, presidente do Banco Central do Peru. O Brasil sabe que a conversa regional em Davos gira em torno de um dilema recorrente: como atrair investimento e sustentar crescimento quando o mundo está mais protecionista, mais fragmentado e mais seletivo ao risco.
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O objetivo do Brasil em Davos parece menos “marcar presença” e mais deixar claro evidências de que o país quer fazer negócios, num cenário no qual a política internacional voltou a interferir diretamente em comércio e investimento.
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