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Fictor, que tentou comprar o Banco Master, é questionada por promessas de retorno acima do mercado

Publicado 20/01/2026 • 09:19 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • A Fictor, instituição financeira com atuação nos setores de alimentos, infraestrutura e finanças, e que já tentou adquirir o Banco Master, passou a ser alvo de questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
  • A empresa é citada em denúncias relacionadas à oferta de contratos que prometem retornos acima da média do mercado e a atrasos em pagamentos a investidores.

Divulgação/Fictor

Grupo Fictor

A Fictor, instituição financeira com atuação nos setores de alimentos, infraestrutura e finanças, e que já tentou adquirir o Banco Master, passou a ser alvo de questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A empresa é citada em denúncias relacionadas à oferta de contratos que prometem retornos acima da média do mercado e a atrasos em pagamentos a investidores.

Segundo relatos encaminhados ao regulador, desde o fim de 2025 a companhia vem postergando repasses a clientes que aplicaram recursos em contratos de Sociedade em Conta de Participação (SCP). Diante das informações, a Associação Brasileira de Assessores de Investimento (Abai) protocolou um pedido de consulta formal à CVM.

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A entidade, que representa cerca de 150 escritórios e aproximadamente 10 mil assessores no país, pede que o órgão avalie possíveis indícios de oferta pública irregular de valores mobiliários e eventual atuação fora das regras do mercado de capitais.

De acordo com o documento, os contratos oferecidos pela Fictor prometem rendimentos entre 2% e 3% ao mês, o que pode chegar a até 18% ao ano. Para comparação, produtos tradicionais de renda fixa, como CDBs, rendem em média cerca de 1% ao mês, enquanto a taxa Selic está em 15% ao ano.

A Abai também aponta uma política considerada agressiva de distribuição dos contratos, com pagamento de comissões, os chamados rebates, de até 2% sobre o valor investido a assessores. Na avaliação da entidade, esse modelo incentivaria a comercialização fora do sistema formal de distribuição, como corretoras e distribuidoras de títulos, o que já teria levado ao descredenciamento de profissionais por áreas de compliance.

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Outro ponto levantado é a falta de transparência. Segundo o pedido, os recursos dos investidores seriam direcionados diretamente para contas das sócias ostensivas, sem mecanismos comuns a produtos regulados, como custódia independente, auditoria ou fiscalização contínua. Há ainda relatos de dificuldades para resgates, com prazos de até 60 dias, além da ausência de extratos formais para acompanhamento das aplicações.

Para a Abai, embora estruturadas formalmente como SCPs, as operações teriam características de Contratos de Investimento Coletivo (CIC), por envolverem promessa de remuneração e oferta ao público. Esse tipo de contrato exige registro e supervisão da CVM.

“Ao buscar investidores por meio de redes sociais, assessores e mídia, sem o devido registro, a Fictor estaria atuando à margem da regulação”, afirma a entidade no documento.

A CVM ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.

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