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Promessas não cumpridas e ambiente de trabalho abusivo: os bastidores da demissão em massa na Keeta
Publicado 06/03/2026 • 14:29 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 06/03/2026 • 14:29 | Atualizado há 4 meses
KEY POINTS
Foto: Divulgação
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Ex-funcionários da Keeta, plataforma de delivery da chinesa Meituan que iniciou operações no Brasil há cerca de três meses, relatam um ambiente de trabalho marcado por pressão intensa, abusos, promessas de carreira não cumpridas e uma condução considerada desrespeitosa no processo de desligamento.
Na última quarta-feira (4), a empresa promoveu uma demissão em massa na cidade do Rio de Janeiro, dias após cancelar seu lançamento na capital fluminense. Cerca de 200 funcionários foram desligados.
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Com exclusividade à reportagem, ex-funcionários relatam, sob condição de anonimato, que muitos profissionais foram atraídos pela empresa com promessas de crescimento. Grande parte, inclusive, deixou empregos anteriores para aceitar a proposta. Meses depois, porém, dizem ter encontrado um “ambiente de trabalho precário, visivelmente sem investimento” e acabaram demitidos “do nada”.
Segundo um ex-integrante das operações, desde dezembro a empresa teria passado a adotar práticas que, na avaliação de funcionários, buscavam estimular pedidos de demissão voluntária. Ele afirma que, a partir desse período, o ambiente de trabalho passou a ser marcado por pressões intensas, metas consideradas inalcançáveis e episódios de abuso. “Começaram atitudes para forçar uma demissão voluntária”, conta.
Segundo depoimentos de ex-funcionários, apesar da expansão da base de parceiros no Rio de Janeiro, que chegou a 17 mil restaurantes, o ambiente de trabalho começou a se deteriorar a partir do último mês do ano. Funcionários relatam que passaram a enfrentar forte pressão por resultados, metas consideradas inalcançáveis e jornadas de trabalho extensas.
Leia também: Keeta adia estreia no Rio de Janeiro e critica exclusividade do iFood e 99
De acordo com um ex-funcionário, a gestão também exigia que a equipe seguisse o que ele descreve como um “modelo chinês de trabalho”, com práticas que ignoravam os direitos trabalhistas. “Eles não seguiram a lei trabalhista brasileira em momento algum”, afirma.

Outra crítica envolve a estrutura oferecida pela empresa no Brasil. Apesar do anúncio de investimentos bilionários no país, uma fonte afirma que a operação teria funcionado com recursos limitados desde o início. “Nem celular a empresa fornecia para trabalhar. Tudo era feito com aparelho pessoal”, disse.
No celular, inclusive, era necessário baixar dois aplicativos corporativos: um para comunicação interna e outro utilizado como sistema para registrar visitas a restaurantes. “Ambos registravam a localização dos funcionários durante a jornada de trabalho”, diz.
Também há denúncias de ameaças relacionadas ao pagamento, com gestores chegando a mencionar a possibilidade de redução salarial caso metas não fossem cumpridas.
A decisão de cancelar o lançamento no Rio de Janeiro surpreendeu a equipe, já que, segundo os relatos, a operação avançava rapidamente. A equipe, formada em grande parte por profissionais com experiência no setor de delivery, incluindo ex-integrantes de empresas concorrentes, teria conseguido firmar parceria com mais de 17 mil restaurantes na capital fluminense durante a fase inicial.
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Siga o Times | CNBCAlguns deles, inclusive, romperam contratos de exclusividade com concorrentes do setor para integrar a Keeta.
Leia também: Demissão em massa da Keeta no Rio provoca revolta entre funcionários; empresa diz que presta auxílio
A expectativa interna era de que a operação no Rio de Janeiro se consolidasse rapidamente. No entanto, semanas antes do anúncio oficial de adiamento do lançamento na cidade, funcionários afirmam que a empresa já havia tomado a decisão de suspender o projeto. O anúncio oficial, no entanto, veio no dia que seria o evento de lançamento.
Mesmo assim, a pressão por metas e pela expansão da base de restaurantes teria continuado. Os relatos também apontam críticas à forma como os desligamentos foram conduzidos. Após o anúncio do que seria o adiamento da operação, funcionários afirmam que passaram dias sem receber orientações claras sobre suas atividades.
“Ficamos quatro ou cinco dias sem saber o que fazer e sem saber se seríamos demitidos. Isso gerou muita ansiedade entre as equipes”, diz uma das fontes.
Leia também: Conheça o Keeta, aplicativo chinês de delivery que chega ao Brasil com investimento de R$ 5,6 bilhões
Na última quarta-feira, os trabalhadores foram convocados para reuniões em hotéis no Rio de Janeiro, onde foram informados sobre as demissões. Segundo relatos, os funcionários foram divididos em grupos e encaminhados para salas separadas. “Fomos colocados nas salas de forma muito abrupta. Havia seguranças armados no local”, diz.
Os trabalhadores afirmam que a única proposta apresentada pela empresa foi o pagamento de um mês de salário condicionado à assinatura de um termo de confidencialidade.
“Foi uma situação muito difícil. A sensação geral foi de que fomos usados e depois descartados”, diz. “O que a Keeta veio realmente fazer no Brasil? A única coisa que fizeram foi explorar os funcionários.”
Procurada pela reportagem, a Keeta afirmou que conduziu o processo com as equipes no Rio de Janeiro em total conformidade com a legislação e as exigências locais, e que atuou com cuidado e respeito aos funcionários. “Somos gratos a cada um por suas contribuições. Para a Keeta, o bem-estar dos funcionários é prioridade”, disse a empresa.
“A Keeta está profundamente comprometida com os mais altos padrões éticos e legais, operando em conformidade com todas as leis e exigências locais, incluindo uma equipe de Compliance e Segurança disponível 24/7 para os colaboradores”, acrescentou.
Veja a nota na íntegra:
“A Keeta decidiu adiar o lançamento no Rio de Janeiro para focar na melhoria dos padrões de serviço do mercado para consumidores, restaurantes e entregadores parceiros, o que inclui resolver questões estruturais que inibem a concorrência saudável no segmento de delivery brasileiro, antes de avançar com a expansão geográfica no país. Em razão disso, a empresa realizou desligamentos na equipe localizada no Rio. A Keeta vai manter todos os seus 1,200 postos de trabalho existentes, focando no desenvolvimento das operações na região de São Paulo, e reafirma seu compromisso de longo prazo com o Brasil e o investimento de R$ 5,6 bilhões em 5 anos. A empresa continuará trabalhando com parceiros locais, autoridades e restaurantes para defender um mercado de delivery aberto, competitivo e sustentável, promovendo um ambiente que estimule inovação, concorrência justa e crescimento, em benefício de consumidores, restaurantes e entregadores parceiros. A Keeta reitera que conduziu o processo com as equipes no Rio de Janeiro em total conformidade com as leis e exigências locais, agindo com cuidado e respeito aos funcionários, assim como sempre fez em suas operações. Cada pessoa que deixou a empresa recebeu um pacote de indenização para apoio na transição profissional. Somos gratos a cada um por suas contribuições. Para a Keeta, o bem-estar dos funcionários é prioridade.
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