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Lobby de ex-deputado polêmico, Alexandre Baldy, pode gerar até 300 mil desempregados no setor automotivo
Publicado 28/01/2026 • 12:11 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 28/01/2026 • 12:11 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A poucos dias do fim da isenção do imposto de importação para veículos eletrificados desmontados, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, está no meio de um dos embates mais sensíveis da política industrial do governo Lula.
De um lado, a BYD, amparada por uma articulação política liderada por seu principal executivo no Brasil, Alexandre Baldy (ex-deputado e ex-ministro), busca a prorrogação do regime que permite importar veículos elétricos desmontados com imposto zerado. De outro, montadoras tradicionais alertam para um efeito estrutural sobre empregos, fornecedores e arrecadação.
O debate avançou nos bastidores do Planalto após reuniões envolvendo Baldy e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. A BYD opera uma de suas fábricas em Camaçari, na Bahia, estado governado por Rui Costa por 8 anos antes de assumir o ministério, o que ampliou a sensibilidade do tema dentro do governo.
A defesa da montadora chinesa parte do argumento de que o regime SKD e CKD é uma ferramenta de transição industrial para viabilizar a produção local de veículos elétricos. Para a indústria instalada, porém, o instrumento deixou de ser transitório e passou a distorcer a concorrência.
Leia também: Carros elétricos: por que o fim da isenção fiscal utilizada pela BYD pode preservar até 300 mil empregos no Brasil
Estudo recente divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) aponta que a ampliação do uso dos regimes SKD (Completely Knocked Down) e CKD (Semi Knocked Down), que permitem a montagem de veículos no país com autopeças majoritariamente importadas, pode eliminar cerca de 69 mil empregos diretos nas montadoras.
O impacto se multiplica ao longo da cadeia. A entidade estima a perda potencial de 227 mil postos indiretos em autopeças, logística, siderurgia e serviços industriais. No total, o número se aproxima de 300 mil empregos ameaçados, caso o modelo se torne dominante.
Além do mercado de trabalho, o estudo projeta perda econômica de até R$ 103 bilhões em compras de fornecedores nacionais, redução de R$ 42 bilhões nas exportações e queda relevante na arrecadação tributária.
Dentro da cota de US$ 463 milhões criada pelo governo para importações com alíquota zero, a BYD aparece como a principal beneficiária. A montadora acelerou sua entrada no mercado brasileiro usando kits desmontados, com exigência reduzida de conteúdo nacional, enquanto etapas industriais mais complexas seguem concentradas fora do país.
Segundo a Anfavea, o problema não é o uso pontual do mecanismo, mas sua renovação em grande escala e sem contrapartidas claras de nacionalização progressiva. Para o setor, isso desestimula investimentos em engenharia local, ferramentaria e desenvolvimento de fornecedores.
Alckmin tenta arbitrar o conflito entre alas do governo. Enquanto a Casa Civil vê na BYD um vetor de investimentos e eletrificação da frota, a equipe econômica, liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende a retomada gradual da tributação e maior previsibilidade regulatória.
A decisão passa pelo Gecex, ligado à Câmara de Comércio Exterior. O prazo da isenção vence em 31 de janeiro, e, até o momento, não há pedido formal de renovação protocolado.
Se a isenção for encerrada, o governo reforça a sinalização de que o regime foi, de fato, transitório. Se for prorrogada, a indústria alerta para uma mudança estrutural no modelo automotivo brasileiro, com menor complexidade produtiva e redução de empregos qualificados.
No meio desse fogo cruzado, o ex-governador paulista vai precisar equilibrar interesses e definir se prioriza a política industrial do país, preservando a base produtiva e o emprego de longo prazo, ou se quer carros com preços mais baixos no curto prazo.
Apesar de ocupar o principal cargo executivo da BYD no Brasil, Baldy tem trajetória majoritariamente ligada ao setor público. Grande parte de sua carreira foi construída na política, onde ingressou com apoio do capital político de seu pai, Joel Braga, ex-secretário do então governador Maguito Vilela.
Com esse histórico, Baldy iniciou sua atuação como secretário em Goiás entre 2011 e 2013, no governo Marconi Perillo. Foi deputado federal pelo estado e chegou ao cargo de ministro das Cidades no governo Michel Temer, entre 2017 e 2018. Atuou também como secretário dos Transportes no governo João Doria e presidiu a Agência Goiana de Habitação, cargo para o qual foi nomeado por Ronaldo Caiado.
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