CNBC
O logotipo da Walt Disney é exibido no pregão da Bolsa de Valores de Nova York durante o pregão da manhã de 1º de dezembro de 2023, na cidade de Nova York.

CNBCDisney supera expectativas de Wall Street impulsionada por parques temáticos e streaming

Empresas & Negócios

Ações de empresas em recuperação judicial: chance de ganho ou risco de virar pó?

Publicado 02/02/2026 • 21:06 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Conforme a publicação, o apelo para alguns investidores está justamente nesses preços deprimidos.
  • Investir em companhias nessa situação pode até representar uma oportunidade, mas poucas conseguem realmente recuperar os seus fundamentos no longo prazo.
  • Companhias como Oi, Americanas e Bombril tiveram suas ações negociadas a valores muito inferiores aos históricos diante de processos de recuperação judicial
Logo Fictor, OI e Bombril

Foto: Divulgação

Empresas em recuperação judicial é oportunidade ou um risco para os investidores?

No último domingo (1), em São Paulo, o Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial após enfrentar uma crise de liquidez desencadeada pela liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado.

A recuperação judicial atinge a Fictor Holding S/A e a Fictor Invest LTDA. Na prática, isso significa que as demais empresas vinculadas ao grupo não entram automaticamente no processo de recuperação judicial.

Contudo, a Fictor Alimentos, listada na bolsa com o código FICT3, pode não ficar livre dos impactos. “Em regra, após análise da constatação prévia elaborada pelo administrador judicial, pode haver eventual inclusão [das demais empresas] no futuro”, afirmam Aislan Rocco e Edgar Barbosa, advogados e sócios do escritório Barroso Advogados, especializados em Recuperações e Falências.

O movimento reacende um debate recorrente no mercado financeiro: se empresas em recuperação judicial, muitas vezes cotadas a centavos, representam uma chance de ganho para investidores dispostos a assumir risco elevado e esperar o longo prazo ou se são, na prática, um alerta para possíveis perdas significativas? Afinal, vale a pena pegar as facas caindo ou melhor esperar sinais concretos de retomada?

Leia também: Caso Master: Bloqueio das contas da Fictor afeta patrocínio ao Palmeiras? Entenda

Segundo informações divulgadas pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o Grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.

A dívida total informada gira em torno de R$ 4 bilhões. De acordo com a empresa, a situação decorre de uma crise de liquidez considerada momentânea, iniciada após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central.

Um dia antes da intervenção, um consórcio liderado por um dos sócios do grupo havia anunciado uma oferta para aquisição e transferência do controle da instituição financeira.

Com a decretação da liquidação logo em seguida, o episódio passou a gerar especulações e uma sequência de notícias negativas que, segundo a Fictor, afetaram de forma relevante a liquidez da holding e de sua área de investimentos.

Leia também: Azul capta US$ 1,37 bilhão em títulos para acelerar saída da recuperação judicial

Ainda conforme o grupo, não havia histórico de atrasos no cumprimento de obrigações desde o início das operações.

No pedido apresentado à Justiça, a empresa afirma que pretende quitar integralmente suas dívidas, sem previsão de deságio, e solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias, prazo previsto em lei para viabilizar a negociação de um plano de recuperação.

A Fictor sustenta que a recuperação judicial é necessária para reorganizar compromissos financeiros, negociar com os principais credores e garantir a continuidade das operações, preservando mais de 10 mil empregos diretos e indiretos.

Leia também: Ambipar: conselho de administração aprova plano de recuperação judicial da companhia

O caso se soma a uma lista crescente de companhias que recorrem ao instrumento jurídico como alternativa à falência.

Recuperação judicial

Companhias como Oi, Americanas e Saraiva tiveram suas ações negociadas a valores muito inferiores aos patamares históricos após a entrada em recuperação, refletindo a perda de confiança e o aumento da percepção de risco.

O apelo para alguns investidores está justamente nesses preços deprimidos. A lógica é simples, se a empresa conseguir se reestruturar e voltar à normalidade, a valorização pode ser expressiva. Mas segundo analistas, nem sempre colocar uma “pimentinha” na carteira pode ser uma boa ideia.

No entanto, os exemplos também mostram o outro lado da moeda. A Americanas, após revelar inconsistências contábeis bilionárias, viu seus papéis despencarem e permanecerem em níveis muito abaixo do observado antes da crise.

Leia também: Pedidos de recuperação judicial no agro crescem 150% no 3º trimestre

Com base em dados da Serasa Experian, as recuperações judiciais no Brasil alcançaram 1.405 pedidos, o maior número desde 2020 e um aumento de quase 70% em relação ao ano anterior.

O setor de “Serviços” liderou as solicitações, seguido pelo comércio, enquanto micro e pequenas empresas representaram a maioria dos casos, mostrando a maior vulnerabilidade das companhias menores diante de dificuldades financeiras.

Os pedidos de falência também cresceram, chegando a 983 registros, com destaque novamente para micro e pequenas empresas.

Em dezembro, foram registradas 102 recuperações judiciais e 48 falências, reforçando que, apesar de ajustes econômicos recentes, muitas empresas ainda enfrentam desafios para manter a operação e a solvência no país.

O que observar antes de investir em empresas em recuperação?

A recuperação judicial e a recuperação extrajudicial são mecanismos legais criados para evitar a falência e permitir a renegociação de dívidas. Apesar disso, o ingresso nesse tipo de processo coloca a empresa em uma zona de incerteza maior, com impactos diretos sobre o valor das ações e sobre os direitos dos acionistas.

Segundo analistas consultados, investir em companhias nessa situação pode até representar uma oportunidade, mas exige cautela, diversificação e entendimento profundo do contexto.

O risco de perda total do capital investido é significativamente mais alto do que em empresas sem dificuldades financeiras. Além disso, o horizonte de retorno costuma ser longo, frequentemente superando dois anos para ver resultados.

Leia também: Em recuperação judicial, Grupo Dia tinha R$ 163 milhões em CDB ligados ao Banco Master — e só obteve 12% de retorno

Outro ponto de atenção é o risco de diluição da participação do acionista. Durante a recuperação, a empresa pode emitir novas ações ou converter dívidas em participação societária, reduzindo o percentual detido pelos investidores atuais.

Ainda que essa medida possa ser essencial para salvar a companhia, o impacto sobre quem já estava na base acionária pode ser relevante.

Especialistas ouvidos pela B3 ressaltam que decisões envolvendo empresas em recuperação judicial não devem ser tomadas com base apenas no preço baixo das ações.

A análise do plano de recuperação, da capacidade de execução, da governança, da aceitação dos credores e das condições do setor em que a empresa atua é fundamental para qualquer avaliação de risco e retorno.

Confira a seguir casos de empresas que pediram recuperação judicial

1. Americanas

Entre os casos mais emblemáticos de recuperação judicial no país está o da Americanas, cuja crise ganhou novos contornos em 2024. A varejista passou a compartilhar com autoridades brasileiras detalhes adicionais sobre um esquema de fraude contábil que ocultou mais de US$ 4 bilhões em dívidas ao longo de vários anos.

O relatório elaborado por um comitê independente e apresentado ao conselho da companhia reforçou a conclusão de que a administração manipulou registros contábeis antes do pedido de recuperação judicial protocolado em janeiro de 2023.

O esquema envolvia lançamentos indevidos relacionados a fornecedores, incluindo despesas fictícias e operações financeiras registradas de forma incorreta no balanço.

Segundo a empresa, os executivos responsáveis já não fazem mais parte do quadro atual. As informações foram encaminhadas à Polícia Federal, ao Ministério Público e a órgãos reguladores do mercado de capitais. O caso resultou em investigações criminais, com repercussão internacional, e levantou dúvidas profundas sobre a sustentabilidade do modelo de negócios de uma marca com quase um século de história.

2. Oi

Outro caso que reforça os riscos envolvidos nesse tipo de investimento é o da operadora de telecomunicações Oi. As ações da companhia despencaram mais de 35% em novembro de 2025, após a Justiça do Rio de Janeiro converter o processo de recuperação judicial em falência.

A Oi havia entrado em recuperação judicial pela primeira vez em 2016, no que foi considerado, à época, o maior processo do gênero no Brasil.

Leia mais: Oi: Justiça suspende falência e determina volta à recuperação judicial

Após anos de renegociação com credores, a empresa conseguiu encerrar o processo no fim de 2022. No entanto, voltou a solicitar proteção judicial em março de 2023, diante da persistência dos problemas financeiros.

A decisão judicial que decretou a falência permitiu a continuidade temporária das operações, mas representou um duro golpe para acionistas que apostaram em uma virada definitiva após a saída da recuperação anterior.

3. Bombril

A empresa Bombril, conhecida por produtos presentes há décadas nos lares brasileiros, protocolou o pedido na Justiça de São Paulo para lidar com dívidas tributárias que somam cerca de R$ 2,3 bilhões. Segundo a companhia, os passivos têm origem em disputas fiscais do período entre 1998 e 2001, quando o controle estava nas mãos de um grupo estrangeiro.

A Bombril afirmou que o risco de perder as ações judiciais poderia comprometer sua capacidade operacional, afetando pagamentos a fornecedores e financiadores.

Apesar do pedido de recuperação, os números operacionais mais recentes mostravam crescimento de receita e geração de caixa positiva, o que diferencia o caso de outros processos marcados por deterioração acentuada do negócio.

Leia mais: Justiça aprova plano de recuperação judicial da Bombril

Ainda assim, o mercado reagiu de forma negativa, com forte queda das ações na B3 no dia do anúncio, refletindo a cautela dos investidores diante da incerteza jurídica e financeira.

Empresa que voltou a vida

Algumas empresas brasileiras demonstraram que é possível superar processos de recuperação judicial e retomar estabilidade financeira e operacional, mostrando que essas situações nem sempre significam o fim do negócio.

Um exemplo recente é a Light, concessionária de energia do Rio de Janeiro, que após enfrentar dificuldades financeiras conseguiu reverter o prejuízo registrado anteriormente e registrar lucro líquido de R$ 419 milhões no primeiro trimestre de 2025, segundo publicado pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

O avanço da empresa na reestruturação também foi marcado pela retomada das negociações de títulos e debêntures com credores, tanto no mercado interno quanto internacional, sinalizando compromisso com o cumprimento das obrigações financeiras e fortalecendo a confiança dos investidores.

Além da recuperação financeira, a Light obteve o aval da Aneel para a renovação de sua concessão por 30 anos, após análise que comprovou eficiência econômico-financeira e continuidade do fornecimento de energia elétrica.

A aprovação contou ainda com o apoio de prefeitos de mais de 30 municípios, abrangendo 70% da área de concessão da empresa, reforçando a relevância do serviço prestado à população.

Leia também: De conto de fadas à história de terror: Oi não deveria ter saído da recuperação judicial, diz Instituto Empresa

Esses movimentos evidenciam que, quando combinados com ajustes estratégicos, reorganização de dívidas e diálogo com órgãos reguladores, processos de recuperação judicial podem abrir caminho para a sustentabilidade da empresa, preservação de empregos e manutenção da confiança do mercado.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Empresas & Negócios

;