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Turismo

Sark: a ilha medieval com a menor prisão do mundo e impostos zero que virou estudo de caso para investidores

Publicado 04/02/2026 • 12:27 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Modelo fiscal incomum: Sark não cobra imposto de renda, herança nem ganhos de capital; arrecada via taxas locais e imposto imobiliário.
  • Turismo de alto valor e serviços financeiros sustentam uma população de cerca de 600 residentes e mais de 40 mil visitantes por ano.
  • As disputas sobre fornecimento de energia elevam custos operacionais e preocupam hotéis e novos empreendimentos.

Imagens: Reprodução

Para investidores e estrategistas acostumados a analisar centros financeiros globais, a pequena ilha de Sark, no Canal da Mancha, parece improvável como estudo de caso. Mas esse território de aparência medieval – entre França e Inglaterra – reúne uma combinação rara: autonomia fiscal, governança própria, turismo de alto valor agregado e… a menor prisão do mundo, reconhecida pelo Guinness World Records.

O detalhe pitoresco ajuda a atrair visitantes, mas o que realmente chama atenção do mercado é como uma comunidade de cerca de 600 moradores sustenta sua economia, regula impostos e enfrenta gargalos estruturais, sobretudo no fornecimento de energia.

Uma jurisdição fora do padrão europeu

Sark não integra oficialmente o Reino Unido. Ela é uma Dependência da Coroa britânica, ligada diretamente ao monarca, hoje o rei Charles III. Isso significa que o território tem parlamento e tribunais próprios, além de autonomia para definir impostos locais.

Para analistas de governança, trata-se de um modelo híbrido: não é um Estado soberano, mas também não segue integralmente a legislação britânica. Essa flexibilidade institucional, rara na Europa Ocidental, explica parte do interesse histórico de residentes de alta renda e pequenas estruturas financeiras.

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A menor prisão do mundo e o que ela diz sobre risco operacional de Sark

Construída em 1856, a prisão fica no centro da ilha e tem apenas duas celas:

  • cela maior: 1,8 m x 2,4 m
  • cela menor: 1,8 m x 1,8 m

Na prática, a prisão raramente abriga alguém por longos períodos. Seu uso mais comum é bem específico: deter temporariamente moradores ou turistas embriagados, evitando confusões e acidentes até que recuperem a sobriedade.

Esse detalhe ajuda a entender a lógica da ilha: não existem carros em Sark. O transporte é feito a pé, de bicicleta, em carroças ou tratores. Assim, misturar álcool e “direção” pode virar problema até em situações aparentemente inofensivas.

Para o mercado, o prédio funciona como símbolo de algo maior: Sark opera com risco criminal extremamente baixo e estrutura policial mínima. Casos graves são enviados para Guernsey, ilha vizinha com aparato jurídico mais robusto.

Na prática, trata-se de um microterritório onde custos de segurança pública são reduzidos, mas dependem de integração regional para emergências.

O caso mais famoso: a “invasão” de um homem só

O detento mais conhecido da pequena cadeia foi André Gardes, um físico nuclear francês. Em 1990, ele tentou “conquistar” Sark sozinho, armado com um rifle semiautomático.

O plano terminou de forma tão surreal quanto parece: foi rendido enquanto descansava num banco e acabou passando pela minúscula prisão. No ano seguinte, tentou repetir a história, mas foi reconhecido e entregue às autoridades francesas.

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Turismo: o motor que mantém a de Sark engrenagem girando

A base econômica da ilha é formada por turismo e serviços financeiros leves. O fluxo anual ultrapassa 40 mil visitantes, número expressivo para um local com pouco mais de 600 residentes permanentes.

Sark também explora nichos premium, como o título de área “Dark Sky”, concedido a regiões com baixíssima poluição luminosa. Isso atrai turismo astronômico, viajantes de alto poder aquisitivo e operações de hospedagem voltadas a experiências exclusivas, em vez de volume massivo.

Para empreendedores, o apelo está em pousadas boutique, gastronomia local, transporte alternativo e serviços voltados a visitantes de curta permanência.

Sark conta com regime fiscal enxuto e altamente segmentado

Fiscalmente, Sark define seus próprios tributos. Não há imposto sobre renda, ganhos de capital ou herança, nem IVA/VAT sobre bens e serviços.

Em contrapartida, a arrecadação vem de taxas específicas, como:

  • imposto sobre propriedade
  • taxa sobre capital pessoal
  • taxa de desembarque ou visita
  • imposto sobre transferência imobiliária — reportado em 7,5%.

O modelo interessa ao mercado porque troca grandes tributos gerais por cobranças pontuais ligadas a imóveis, presença física e turismo. É uma estrutura que funciona em escala reduzida, mas exige previsibilidade para manter investidores e residentes de perfil internacional.

Energia: o principal gargalo para novos negócios em Sark

Se há um fator que pesa contra a expansão econômica da ilha, é a eletricidade. Nos últimos meses, Sark apareceu no noticiário regional por disputas entre o governo local e a fornecedora, com encargos legais incluídos na conta e debates sobre eventual compra compulsória da operação.

Para hotéis, restaurantes e novos empreendimentos, isso se traduz em custos mais altos e incerteza regulatória, dois pontos sensíveis para quem avalia investir em destinos isolados.

O tema é central para o futuro da ilha: fontes renováveis locais, autonomia energética e acordos estáveis de fornecimento são vistos como decisivos para destravar novos projetos turísticos e imobiliários.

Um micro-laboratório para o capitalismo insular

Mais do que uma curiosidade geográfica, Sark funciona como um laboratório de economia em miniatura: governança própria, impostos seletivos, dependência de turismo premium e gargalos claros de infraestrutura.

Até a menor prisão do mundo ajuda a contar essa história, não como atração folclórica, mas como indicador de um ambiente operacional de baixo risco, onde a estabilidade social é parte do “pacote” oferecido a visitantes, moradores e investidores.

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