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Vendas da BYD têm pior janeiro em quase dois anos e ações caminham para sexta semana de queda

Publicado 06/02/2026 • 10:10 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • A BYD, principal fabricante chinesa de carros elétricos, registrou vendas em janeiro que representaram o menor patamar em quase dois anos.
  • Como as vendas de automóveis nos dois primeiros meses do ano podem ser voláteis na China, os analistas estão atentos para ver se os números do primeiro trimestre apontam para uma queda significativa.

As ações da BYD caminhavam para a sexta semana consecutiva de perdas depois que a montadora chinesa de veículos elétricos reportou, em janeiro, o menor volume de vendas domésticas em quase dois anos, sinalizando desafios crescentes no maior mercado automotivo do mundo.

A retração ocorre em meio a preocupações cada vez maiores com a fraqueza da demanda interna na China e com a sobreprodução de automóveis, que vem se espalhando para outros países.

Ao menos seis grandes marcas de carros elétricos, de Xiaomi a Xpeng, registraram forte queda nas vendas em janeiro na comparação com dezembro, segundo análise da CNBC. Algumas empresas divulgam apenas dados de entregas, e não de vendas, e não detalham os números relativos ao mercado externo.

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“Vemos uma pressão crescente sobre o mercado automotivo chinês em 2026, impulsionada por uma combinação de fatores regulatórios e competitivos”, afirmou Helen Liu, sócia da Bain & Company. Segundo ela, mudanças de política pública podem levar consumidores a adiar a compra de carros, enquanto as montadoras se tornam mais cautelosas em relação ao lançamento de novos modelos.

Os indicadores econômicos e empresariais da China nos dois primeiros meses do ano costumam ser voláteis, já que o feriado do Ano-Novo Lunar, baseado no calendário agrícola, ocorre em datas diferentes a cada ano.

Ainda assim, janeiro passado também foi marcado por uma redução significativa no apoio governamental aos carros elétricos. A partir de 1º de janeiro, a China restabeleceu um imposto de compra de 5%, após mais de uma década de isenção total ou parcial da alíquota padrão de 10% para veículos de nova energia. Essa categoria inclui carros elétricos a bateria e híbridos.

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“Sabemos que [as vendas de veículos elétricos] vão desacelerar, só não sabemos o quanto”, disse Tu Le, fundador e diretor-gerente da consultoria Sino Auto Insights. “Teremos uma visão muito mais clara depois do fechamento do primeiro trimestre.”

Pequim tem recorrido a uma ampla gama de subsídios e políticas preferenciais para apoiar sua indústria de carros elétricos.

No verão de 2024, mais da metade dos carros de passeio novos vendidos na China já eram veículos de nova energia. No ano seguinte, a BYD, sediada em Shenzhen, superou a rival americana Tesla e se tornou a maior vendedora mundial de carros elétricos a bateria, com 2,26 milhões de unidades, alta de quase 28% em relação ao ano anterior.

No entanto, em janeiro, a BYD vendeu apenas 83.249 carros de passeio totalmente elétricos, dentro de um total de 205.518 veículos, incluindo híbridos plug-in. Esse foi o menor volume mensal desde fevereiro de 2024, quando a empresa comercializou 121.748 carros.

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Concorrência acirrada

A montadora também enfrenta concorrência crescente de rivais locais, em meio a uma guerra de preços que tem levado as empresas a oferecer mais recursos por valores menores.

A Aito, cujos veículos utilizam o sistema operacional da gigante de smartphones e telecomunicações Huawei, reportou mais de 40 mil entregas em janeiro, alta superior a 80% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Leapmotor e Nio também registraram crescimento anual nas entregas, para 32.059 e 27.182 veículos, respectivamente.

A fabricante de smartphones Xiaomi informou um aumento anual para mais de 39 mil entregas de seus carros elétricos em janeiro, antes de uma atualização planejada do sedã SU7 em abril. Ainda assim, o número ficou abaixo das mais de 50 mil entregas registradas em dezembro.

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“A BYD teve uma trajetória excepcional no topo, e é impressionante o quanto conseguiu segurar seus concorrentes domésticos”, disse Le, observando que não se trata de apenas uma, mas de várias montadoras disputando o mesmo mercado.

“Empresas como a Geely, com o Xingyuan [Galaxy EV], realmente avançaram nas vendas na faixa de entrada, que é o principal território da BYD”, acrescentou.

A Geely subiu para a segunda posição no mercado chinês de carros elétricos, atrás da BYD. Em janeiro, a empresa vendeu mais de 270 mil carros, incluindo as marcas elétricas Galaxy e Zeekr, além de veículos exportados — mais de 60 mil no mês.

A companhia espera que suas vendas totais de veículos de nova energia alcancem 2,22 milhões de unidades em 2026, crescimento de 32% na comparação anual.

A BYD, que vendeu 4,56 milhões de carros de nova energia no ano passado, ainda não divulgou uma meta anual completa para vendas domésticas. Em vez disso, informou a repórteres no fim do mês passado que planeja aumentar suas vendas no exterior em quase 25% neste ano, para 1,3 milhão de veículos.

As exportações da montadora também perderam fôlego em janeiro, somando 100.482 veículos, ante 133.172 em dezembro. Apesar das dificuldades recentes, Le espera que a BYD mantenha sua liderança tanto no mercado doméstico quanto no internacional, citando atualizações planejadas na infraestrutura de recarga, armazenamento de energia e direção inteligente da empresa.

A Xpeng reportou apenas 20.011 entregas de carros em janeiro, após um ano em que registrou uma média mensal superior a 35 mil unidades. As entregas da Li Auto também caíram no mês passado, para 27.668 veículos.

Impacto econômico mais amplo

A desaceleração nas vendas é generalizada no setor. As vendas de veículos de nova energia, que incluem carros híbridos e elétricos a bateria, avançaram apenas 2,6% em dezembro na comparação anual, marcando o terceiro mês consecutivo de perda de ritmo, segundo dados da Associação Chinesa de Carros de Passeio.

É um sinal preocupante para a indústria de carros elétricos, que vinha sendo um dos pontos positivos de uma economia que luta para superar uma queda prolongada no setor imobiliário, responsável anteriormente por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto.

“Se, além da prolongada crise imobiliária, o setor automotivo se deteriorar ainda mais, muitos na indústria esperam que Pequim volte a adotar parte ou a totalidade dos subsídios”, disse Cameron Johnson, sócio sênior da consultoria Tidalwave Solutions, com base em conversas recentes com fabricantes de autopeças. “Vamos ter que ver como o primeiro trimestre se desenrola.”

O setor automotivo responde por cerca de 30 milhões de empregos na China, ou mais de um décimo do emprego urbano, segundo afirmou em novembro o presidente de uma entidade do setor de máquinas do país.

Ainda assim, o economista da Fitch Ratings Alex Muscatelli afirmou que a participação econômica do setor automotivo continua relativamente pequena em comparação com o mercado imobiliário. Segundo ele, no investimento em ativos fixos — indicador de crescimento futuro —, os automóveis representaram apenas 3,7% do total no ano passado, enquanto o setor imobiliário respondeu por 23%.

Espera-se que os principais líderes da China divulguem as metas de política econômica para o ano durante a reunião anual do Parlamento, em março.

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