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PF vê melhora com Mendonça e critica decisões anteriores no caso Banco Master

Publicado 27/02/2026 • 13:30 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Delegados dizem estar mais “confortáveis” com novo relator no STF.
  • Associação critica decisões anteriores que teriam afetado investigação.
  • Projeto antifacção também é alvo de críticas por falta de recursos à PF.

Delegados da Polícia Federal avaliam que a condução do inquérito sobre o Banco Master ganhou mais previsibilidade sob a relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A percepção foi apresentada nesta sexta-feira (27) pela Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF).

Segundo o diretor da entidade, Edvandir Felix de Paiva, há um sentimento interno de maior tranquilidade entre os investigadores com a mudança no comando do caso.

Internamente me parece que o pessoal está mais tranquilo, está mais confortável”, afirmou o delegado.

A investigação havia sido conduzida anteriormente pelo ministro Dias Toffoli, cujas decisões foram classificadas pela entidade como “atípicas”.

Leia também: Justiça bloqueia ações do BRB ligadas ao Banco Master e à Reag

Delegados criticam decisões consideradas “atípicas”

De acordo com a ADPF, algumas determinações do relator anterior teriam interferido no andamento das apurações e nas prerrogativas da equipe de investigação.

Entre os pontos citados estão a realização de acareações antes da coleta formal de depoimentos, com perguntas previamente definidas, além da lacração de celulares apreendidos e da escolha de peritos para análise do material.

Para Paiva, esse conjunto de medidas levou a associação a se posicionar publicamente, mesmo sem acesso integral ao conteúdo da investigação.

O conjunto de decisões nos levou a nos manifestar… porque entendemos que estava prejudicando o bom andamento da investigação”, disse.

Ao comentar a atuação de Mendonça, o delegado destacou a expectativa de que o processo siga parâmetros considerados regulares.

“Não queremos que o ministro siga tudo o que a polícia quer, mas que siga decisões normais. Se indeferir, que fundamente”, afirmou.

Leia também: Caso Master: Hugo Motta defende Toffoli e critica “exagero” da mídia

Projeto antifacção gera críticas por falta de estrutura

Além da avaliação sobre o caso, a ADPF também criticou o texto do projeto de lei antifacção aprovado na Câmara dos Deputados nesta semana.

Segundo Paiva, a proposta concentra esforços no aumento de penas, mas não avança no fortalecimento das investigações, especialmente no âmbito federal.

Só aumento de pena não resolve o problema. Se você não tiver condições de descobrir o crime, vai aplicar a pena em quem?”, questionou.

O projeto prevê o reforço de recursos para polícias estaduais e municipais, mas não amplia o orçamento da Polícia Federal. Também ficaram de fora medidas consideradas estratégicas pela corporação, como regras para infiltração de agentes em organizações criminosas e aprimoramento na produção de provas.

Na avaliação da entidade, o combate ao crime organizado exige não apenas endurecimento das punições, mas também estrutura operacional para investigação, sob risco de comprometer a efetividade das ações.

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