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Guerra entre EUA e Irã pode mudar o rumo dos juros no Brasil?
Publicado 02/03/2026 • 22:08 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 02/03/2026 • 22:08 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Foto: Agência Brasil.
Sede do Banco Central
A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã voltou a pressionar o petróleo e colocou uma variável adicional no cenário de juros do Brasil.
Com o risco de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento de energia, o mercado passou a monitorar de forma mais próxima o impacto potencial sobre inflação, câmbio e, por consequência, sobre a trajetória da taxa Selic.
A lógica é de que o canal de transmissão envolveria choque de energia, pressionaria a inflação, afetaria expectativas e poderia restringir o espaço para flexibilização monetária. Mas, segundo economistas ouvidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a resposta é mais condicional do que alarmista.
Pelo menos neste momento, a leitura predominante é de que o Copom ainda deve iniciar o ciclo de cortes na reunião dos dias 17 e 18 de março.
O próprio Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (2) não capturou deterioração relevante nas projeções. A mediana para a Selic no fim de 2026 recuou para 12%, ante 12,13% na semana anterior, enquanto a estimativa para o IPCA de 2026 permaneceu em 3,91%.
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Para Alex André, economista e head de Corporate Access da MZ Group, o cenário para a próxima reunião já incorpora o ruído geopolítico.
“Sobre os ataques em relação à chance de reduzir a taxa básica de juros, vejo que o mercado está bem precificado para março”, afirma.
Ele reconhece o risco inflacionário vindo da energia, mas pondera que o efeito não é instantâneo nem suficiente, por ora, para alterar a decisão imediata do comitê. “A preocupação, claro, vem em relação ao aumento de percepção de inflação, com o aumento do preço do petróleo”, diz. Ainda assim, pondera que esses efeitos não devem aparecer no curto prazo.
Na mesma linha, Artur Horta, head de operações e análise da The Link Investimentos, acredita que o ciclo de cortes deve começar, conforme já sinalizado pelo BC. A diferença pode estar na intensidade.
“A discussão central deve girar em torno da magnitude desse corte — se será de 0,25 ponto percentual ou de 0,50 ponto”, afirma. Segundo ele, o conflito provavelmente aparecerá no comunicado divulgado pela autarquia.
Isso significa que a autoridade monetária deve trazer menos surpresa na decisão, mas mais cautela no discurso.
O que poderia mudar o cenário? A resposta passa pelo Estreito de Ormuz.
Horta destaca o peso estratégico da região. “Por ele, passam cerca de 20% de todo o petróleo e aproximadamente 25% do GNL comercializados no mundo”. Na avaliação do especialista, o impacto sobre a política monetária brasileira depende da duração do choque.
“Seria necessário que o Estreito de Ormuz permanecesse fechado por semanas ou até meses”, pondera. “Um fechamento pontual, inferior a um mês, dificilmente alteraria de forma significativa a trajetória da inflação no Brasil”.
No cenário-base, portanto, ele mantém a projeção de taxa Selic terminal em torno de 12% até o final de 2026.
Já André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, chama atenção para a possibilidade de reação imediata nos preços internacionais.
“As agressões no Oriente Médio devem fazer os preços do barril de petróleo dispararem nas próximas horas”, afirma, lembrando que o Irã “detém o controle do Estreito de Ormuz”.
Ele ressalta, no entanto, que o impacto doméstico pode ser parcialmente amortecido no curto prazo. “A Petrobras pode absorver parte dos impactos imediatos sem repassar os esperados aumentos de preços internacionais aos consumidores”.
Além disso, Galhardo destaca que o cenário doméstico também pesa na decisão. Segundo ele, a desaceleração recente da atividade sustenta o início dos cortes e “o Copom deve ser extremamente cauteloso durante os cortes”.
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Se o choque persistir, o efeito chega ao cotidiano. “Quando o petróleo encarece, o efeito se espalha rapidamente pela economia. O preço da gasolina sobe, o custo do transporte aumenta e diversos produtos ficam mais caros”, explica Horta.
O câmbio amplifica esse processo. Em momentos de tensão global, o dólar tende a se valorizar, o que encarece importações e pressiona ainda mais a inflação.
Se, diante desse cenário, os juros permanecerem elevados por mais tempo, o segundo impacto aparece no crédito. “Com os juros elevados por mais tempo, os impactos na vida cotidiana do brasileiro se tornam evidentes: o crédito fica mais caro”.
A consequência é uma economia menos aquecida, com efeitos sobre consumo, emprego e renda.
No mercado financeiro, a trajetória dos juros segue sendo a variável central.
Alex André observa que a queda da Selic tende a favorecer ativos de risco, mas lembra que o movimento recente na bolsa tem sido puxado principalmente por estrangeiros. “Esse movimento, até agora, foi capitaneado por investidores estrangeiros, não pelo investidor local”, afirma. “O investidor local está muito confortável com as taxas altas de juros”.
Caso o ciclo de cortes avance, ele avalia que “os ativos que podem se beneficiar desse cenário são a classe de renda variável”, com ganhos potenciais em small caps, empresas pagadoras de dividendos e fundos imobiliários.
Por outro lado, em um ambiente de maior incerteza e juros elevados por mais tempo, Horta vê espaço para manutenção de estratégia defensiva. “A renda fixa, especialmente a pós-fixada, continua sendo a alternativa mais atrativa”, afirma.
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