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Ataque ao Irã pode pressionar energia, fertilizantes e consumidor dos EUA, avalia Mendonça de Barros
Publicado 03/03/2026 • 09:55 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 03/03/2026 • 09:55 | Atualizado há 2 meses
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MB Associados/ Leonardo Rodrigues
José Roberto Mendonça de Barros
O ataque dos Estados Unidos ao Irã foi uma decisão “meramente oportunista” e pode produzir efeitos econômicos adversos para os próprios americanos, além de aumentar a energia e os recursos despendidos com o exterior, segundo o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados e ex-secretário de Política Econômica.
Em entrevista ao Estadão, Mendonça de Barros explicou que havia avanços nas conversas entre os dois países, de acordo com declarações do ministro das Relações Exteriores de Omã, quando os EUA optaram pelo ataque após detectarem uma reunião de cúpula iraniana. “Foi simplesmente oportunismo”, disse.
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Na avaliação do economista, a aposta americana seria a de que a ofensiva desencadearia uma rebelião popular e levaria a uma mudança de regime, sem necessidade de invasão terrestre. Ele, porém, considera improvável esse desfecho. “Não há exemplo histórico de mudança de regime apenas com ataque aéreo”, disse. Caso o conflito se estenda por mais de três ou quatro semanas, os impactos econômicos tendem a se consolidar.
Segundo o Irã, o Estreito de Ormuz está fechado. Antes mesmo do país oficializar o bloqueio, ele já estava sendo evitado por grandes transportadoras, que passaram a usar a rota pelo Cabo da Boa Esperança. Isso adiciona custos e risco logístico.
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O economista observa que, fora as tensões geopolíticas, o mercado de petróleo vive um cenário de oferta abundante. Dados da Agência Internacional de Energia indicam expansão relevante da produção em 2025 e 2026, enquanto a demanda cresce em ritmo bem menor e pressionaria os preços para baixo.
“Não fossem as questões de segurança, o preço estaria bem abaixo dos US$ 70, indo buscar os US$ 60”, afirmou ao Estadão. Se o conflito durar um mês ou mais, o aumento recente do petróleo pode se sustentar por algum tempo.
No gás natural, a pressão é adicional. Mendonça de Barros classifica como “surpreendente” o ataque iraniano a vizinhos. O Catar, maior produtor global de gás natural, teve sua produção afetada após os ataques. Em Dubai e Doha, houve ruptura no transporte aéreo, com impacto potencial sobre negócios e turismo. “Foi obviamente intencional, para ampliar o dano”, disse.
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Se a guerra se prolongar, o economista projeta alta nos seguros internacionais, tanto pelo aumento das distâncias percorridas quanto pelo risco maior das operações.
Outro ponto sensível é o mercado de fertilizantes. Entre 20% e 50% de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e enxofre passam pelo Estreito de Ormuz. Uma disrupção prolongada pode afetar preços e cadeias produtivas.
Para Mendonça de Barros, o maior risco para o governo americano é o impacto no bolso do consumidor. A gasolina, item central na cesta de consumo, teria repasse quase imediato caso o petróleo suba. “Os consumidores vão saber imediatamente que a causa é a guerra”, afirmou.
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