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Veja quais são os países mais afetados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz
Publicado 03/03/2026 • 08:15 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 03/03/2026 • 08:15 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã está provocando ondas de choque nos mercados globais de energia, com a Ásia devendo enfrentar o impacto mais severo.
Um alto comandante da Guarda Revolucionária do Irã afirmou na segunda-feira que o Estreito de Ormuz foi fechado e alertou que qualquer embarcação que tentar transitar pela via marítima será alvo, segundo a mídia iraniana.
Leia também: O efeito dominó do fechamento do Estreito de Ormuz
Localizado entre Omã e Irã, o estreito funciona como uma artéria vital para o comércio global de petróleo. Cerca de 13 milhões de barris por dia passaram por ali em 2025, o equivalente a aproximadamente 31% de todo o fluxo marítimo de petróleo bruto, segundo a consultoria de energia Kpler.
Um fechamento prolongado do estreito provavelmente levaria a uma nova disparada nos preços do petróleo, com alguns analistas projetando a commodity acima de US$ 100 por barril. O Brent, referência global, subia 2,6%, para cerca de US$ 80 por barril — quase 10% acima desde o início do conflito.
Cerca de 20% das exportações globais de gás natural liquefeito (GNL) provenientes do Golfo também estão em risco, principalmente as originadas no Catar e transportadas pelo Estreito de Ormuz, de acordo com a Kpler. O Catar, um dos maiores fornecedores mundiais de GNL, interrompeu a produção na segunda-feira após drones iranianos atingirem suas instalações em Ras Laffan Industrial City e Mesaieed Industrial City.
Leia também: Petróleo Brent ultrapassa US$ 82 com guerra no Oriente Médio e risco no Estreito de Ormuz
“Na Ásia, Tailândia, Índia, Coreia e Filipinas são as mais vulneráveis aos preços mais altos do petróleo, devido à alta dependência de importações, enquanto a Malásia seria uma beneficiária relativa por ser exportadora de energia”, escreveu o Nomura em nota na segunda-feira.

Veja como os países dependentes da energia do Golfo e dos embarques via Estreito de Ormuz podem ser impactados:
O Sul da Ásia enfrentaria a disrupção mais aguda, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de GNL, afirmaram analistas.
Catar e Emirados Árabes Unidos respondem por 99% das importações de GNL do Paquistão, 72% das de Bangladesh e 53% das da Índia, segundo dados da Kpler.
Com armazenamento limitado e pouca flexibilidade para compras alternativas, Paquistão e Bangladesh são particularmente vulneráveis. Bangladesh já enfrenta um déficit estrutural significativo de gás. Segundo o Institute for Energy Economics and Financial Analysis, o país registra uma escassez superior a 1,3 bilhão de pés cúbicos por dia.
Leia também: O que é o Estreito de Ormuz e por que ele é tão estratégico para o petróleo mundial
“Paquistão e Bangladesh têm armazenamento e flexibilidade de aquisição limitados, o que significa que uma interrupção provavelmente desencadearia uma rápida destruição de demanda no setor elétrico, em vez de uma corrida agressiva por compras no mercado à vista”, disse Katayama, da Kpler.
A Índia enfrenta a maior exposição combinada da região. “Mais da metade de suas importações de GNL está ligada ao Golfo, e uma parcela significativa é indexada ao Brent. Assim, um salto do petróleo provocado por Ormuz elevaria simultaneamente os custos de importação de petróleo e os preços dos contratos de GNL. Isso cria um choque físico e financeiro duplo”, afirmou.
Da mesma forma, cerca de 60% das importações de petróleo da Índia vêm do Oriente Médio, segundo o UBP. Um bloqueio sustentado ampliaria, portanto, tanto os custos de importação de energia quanto as pressões sobre a conta corrente.
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Siga o Times | CNBCUm fechamento de Ormuz colocaria à prova a segurança energética da China, mas estoques e fontes alternativas de suprimento oferecem algum amortecedor.
O país é o maior importador de petróleo bruto do mundo e compra mais de 80% do petróleo iraniano, segundo a Kpler.
Cerca de 30% de suas importações de GNL vêm do Catar e dos Emirados Árabes Unidos, e aproximadamente 40% de suas importações de petróleo passam por Ormuz, estima o UBP.
“A China está materialmente exposta, mas é mais flexível”, disse Katayama.
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Segundo a Kpler, os estoques chineses de GNL no fim de fevereiro somavam 7,6 milhões de toneladas, garantindo cobertura de curto prazo. No entanto, se a interrupção persistir, a China precisaria competir por cargas no Atlântico, apertando o mercado na bacia do Pacífico, acrescentou Katayama. Nesse cenário, a dinâmica poderia intensificar a competição por preços em toda a Ásia, mesmo que Pequim evite desabastecimento.
A Arábia Saudita aumentou os embarques de petróleo bruto nas últimas semanas, e reservas estratégicas mantidas por grandes países consumidores, como a China, podem oferecer algum alívio temporário ao mercado, afirmou a Rystad Energy em nota no domingo.
O UBP destacou que, embora a China seja um grande importador líquido de energia na região, não é necessariamente o país mais vulnerável a possíveis choques de oferta.
O Oriente Médio responde por 75% das importações de petróleo do Japão e cerca de 70% das da Coreia do Sul, segundo o UBP.
No caso do GNL, a exposição ao Golfo é menor do que no Sul da Ásia. A Coreia do Sul obtém 14% de seu GNL do Catar e dos Emirados Árabes Unidos, enquanto o Japão importa 6%, estima a Kpler.
Mesmo sem escassez imediata, os efeitos sobre preços podem ser severos. “Economias com alta dependência de importações de energia, como Japão, Coreia do Sul e Taiwan, estão mais expostas a choques de oferta”, afirmou Shier Lee Lim, estrategista-chefe macro e de câmbio para a Ásia-Pacífico da plataforma de pagamentos Convera.
Os estoques também são limitados. A Coreia do Sul mantém cerca de 3,5 milhões de toneladas de GNL em reservas e o Japão, aproximadamente 4,4 milhões de toneladas — o suficiente para cerca de duas a quatro semanas de demanda estável, segundo a Kpler.
As importações líquidas de petróleo da Coreia do Sul equivalem a 2,7% do PIB, com o Nomura classificando o país entre os mais vulneráveis no front da conta corrente.
Em grande parte do Sudeste Asiático, o impacto inicial seria mais inflacionário do que uma escassez imediata, afirmaram especialistas do setor.
Compradores de GNL dependentes do mercado à vista enfrentariam custos de reposição significativamente mais altos, à medida que a Ásia competisse com a Europa por cargas do Atlântico, disse Katayama, da Kpler.
A Tailândia se destaca como uma das maiores perdedoras no cenário de alta do petróleo traçado pelo Nomura, já que o impacto externo é grande e imediato: o país tem as maiores importações líquidas de petróleo da Ásia, equivalentes a 4,7% do PIB, e cada alta de 10% no preço do petróleo piora a conta corrente em cerca de 0,5 ponto percentual do PIB.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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