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Calendário econômico da semana: tensões globais e choque inflacionário no centro das atenções
Publicado 06/03/2026 • 22:13 | Atualizado há 4 horas
Rali do petróleo é retomado após breve queda; Brent supera US$ 87 por barril
Maersk interrompe dois serviços marítimos após escalada da guerra no Oriente Médio
Berkshire Hathaway retoma recompra de ações; CEO Greg Abel compra R$ 79 milhões em papéis
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Publicado 06/03/2026 • 22:13 | Atualizado há 4 horas
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Segunda semana de março vai ter destaques na economia
O mercado financeiro global entra na segunda semana de março sob o impacto direto dos confrontos militares entre Estados Unidos, Israel e Irã. O agravamento do conflito, que perdura desde o último sábado 28 de fevereiro, redefiniu as prioridades dos investidores, colocando os indicadores econômicos tradicionais em segundo plano diante da disparada das commodities.
Com o barril do tipo Brent encerrando a última sexta-feira (6), cotado a US$ 92,69 (aproximadamente R$ 519,00, na cotação atual), o risco de uma interrupção no fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz introduz um prêmio de risco elevado em todas as classes de ativos.
Para Leandro Manzoni, analista de economia do Infoeconomics, a logística global está sob forte ameaça, afetando não apenas o óleo, mas também o frete e o seguro de cargas. “A retaliação iraniana ocorre em bases militares dos EUA em países do Golfo Pérsico, atingindo áreas civis. Como países do Oriente Médio, como Emirados Árabes Unidos e Qatar, são hubs para viagens, o tráfego da aviação comercial e de cargas também sofreu com a necessidade de desvios”, explica o analista.
Ele alerta que a pressão inflacionária já está contratada para os próximos meses, restando saber apenas a intensidade desse aumento de preços.
No cenário doméstico, a atenção se volta para a capacidade de resiliência da economia brasileira frente a esse choque externo.
André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica, observa que, embora os indicadores antecedentes sugiram uma recuperação pontual em janeiro, a tendência de fundo é de perda de fôlego.
“O PIB do quarto trimestre cresceu apenas 0,1% na comparação com o trimestre anterior, resultado ligeiramente abaixo da nossa projeção. Além disso, a divulgação revisou o crescimento do terceiro trimestre de +0,1% para estabilidade, sinalizando que a desaceleração já vinha se consolidando”, pondera o economista.
| Data | País | Evento / Indicador | Projeção / Referência |
| 09/03 | Brasil | Boletim Focus (Semanal) | Monitoramento de IPCA e Selic |
| 09/03 | Japão | PIB do 4º Trimestre | Projeção de alta de 0,3% |
| 09/03 | Brasil | Balanços: Cosan, MRV, Grupo SBF | Após fechamento do mercado |
| 10/03 | EUA | Variação de empregos ADP | Termômetro após payroll negativo |
| 10/03 | Brasil | Balanço: Prio (PRIO3) | Foco em petróleo e margens |
| 11/03 | EUA | CPI – Inflação ao Consumidor (Fev) | Estabilização em 2,5% (12 meses) |
| 11/03 | Brasil | Vendas no Varejo (Jan) | Medição de resiliência do consumo |
| 11/03 | Brasil | Balanços: Vibra, CSN, Casas Bahia | Bateria relevante de resultados |
| 12/03 | Brasil | IPCA (Mensal/Fev) | Estimativa de 0,70% (Galhardo) |
| 12/03 | EUA | Pedidos de Auxílio-Desemprego | Dados sensíveis ao mercado de trabalho |
| 12/03 | Brasil | Balanços: Magalu, Hypera, EzTec | Setor de varejo e construção |
| 13/03 | EUA | PCE – Inflação e 2ª leitura do PIB | Indicador central para o Fed |
| 13/03 | Brasil | Volume de Serviços (Jan) | Dado chave para decisão do Copom |
A combinação de um mercado de trabalho norte-americano enfraquecido e a alta dos preços de energia coloca o Federal Reserve em uma posição delicada. O fechamento inesperado de vagas em fevereiro surpreendeu o mercado, mas a inflação ainda resiste acima da meta.
Alex André, Head de Corporate Access da MZ Group, destaca que o indicador de sexta-feira será o grande divisor de águas: “O mercado quer observar a dinâmica de PCE após o payroll fraco. Com a nova liderança do Fed, sob Kevin Warsh, o indicador será fundamental para definir a direção da política monetária americana e avaliar possíveis cortes de juros”.
No Brasil, o cenário de desinflação sofreu um revés com a alta das commodities. André Galhardo estima que o IPCA cheio de fevereiro deve registrar variação próxima de 0,70%, o que reduziria o acumulado em 12 meses de 4,44% para 3,80%.
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No entanto, ele alerta que o balanço de riscos se deteriorou bruscamente. “A manutenção dos preços do barril acima de US$ 90 (R$ 504,00) tende a elevar a pressão sobre os preços domésticos de combustíveis. Aumenta a probabilidade de que a Petrobras realize repasses parciais às distribuidoras, o que pode introduzir novas pressões de custos na cadeia de preços”, afirma.
Essa pressão deve forçar o Copom a ser mais cauteloso na reunião marcada para os dias 17 e 18 de março. Leandro Manzoni reforça que o mercado já começa a precificar uma redução no ritmo de cortes da taxa básica de juros.
“Se a inflação de serviços e seus núcleos mostrarem resiliência, a probabilidade é maior de que o Copom comece a cortar a taxa em 25 pontos-base, e não mais em 0,50%. A cautela deve prevalecer diante das incertezas em torno do petróleo no Oriente Médio”, analisa Manzoni.
Além dos indicadores macroeconômicos, o ambiente político brasileiro passa a influenciar as expectativas de longo prazo. Alex André lembra que o mercado está atento ao prazo de desincompatibilização de governadores em 4 de abril, marco inicial da corrida eleitoral.
“Cresce a atenção para cenários eleitorais e risco político, especialmente após pesquisas testarem nomes como Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad. Isso traz uma percepção de volatilidade que já vimos no aumento dos DIs (juros futuros)”, comenta André.
No campo corporativo, a semana será intensa com a divulgação de resultados de gigantes como Cosan, Prio, Magazine Luiza e CSN. A performance dessas empresas, especialmente no varejo, servirá como termômetro para os dados de atividade (varejo e serviços) que serão divulgados pelo IBGE ao longo da semana.
Com a bolsa tendo registrado em fevereiro seu pior mês desde novembro de 2022, com queda de quase 5%, os investidores buscam nos balanços um sinal de recuperação ou de manutenção da lucratividade em um ambiente de juros reais ainda elevados.
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