CNBC
petróleo

CNBCPreços do petróleo caem após Vance afirmar que mais de 12 milhões de barris saíram do Estreito de Ormuz

Bolsa de Valores

Ibovespa sofre queda de 5% na pior semana desde novembro de 2022; veja vencedores e perdedores

Publicado 06/03/2026 • 20:32 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • O Ibovespa encerrou a semana com uma desvalorização de 4,99%, estabelecendo o pior desempenho semanal desde novembro de 2022.
  • A escalada das tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos, intensificada por declarações de Donald Trump e o possível fechamento do Estreito de Ormuz, impulsionou o petróleo, mas drenou a liquidez dos mercados emergentes.
  • Somam-se a isso os desdobramentos do escândalo da Master e a prisão de Vorcaro, que ampliaram a cautela doméstica.

Pexels

O Ibovespa encerrou a semana com uma desvalorização acentuada de 4,99%, estabelecendo o pior desempenho semanal desde 11 de novembro de 2022, quando o índice apresentou queda de 5%, de acordo com dados do TradeMap.

O índice, que flertava com os 190 mil pontos no final de fevereiro, recuou para os 179.365 pontos em meio a um cenário de forte aversão ao risco global.

A escalada das tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos, intensificada por declarações de Donald Trump e o possível fechamento do Estreito de Ormuz, impulsionou o petróleo, mas drenou a liquidez dos mercados emergentes.

Somam-se a isso os desdobramentos do escândalo da Master e a prisão de Daniel Vorcaro, dono do banco, que ampliaram a cautela doméstica.

Mercado em modo de correção e fuga para segurança

O CEO da LR3 Investimentos, Rodrigo Rios, avalia que o mercado brasileiro entrou em um movimento de realização mais forte. Segundo ele, o recuo para a região de 180 mil pontos foi pressionado pela escalada geopolítica no Oriente Médio, afetando o humor do investidor e trazendo uma rotação clara de ativos.

Rios destaca que a principal mensagem da semana é a seletividade do investidor, que não está abandonando a bolsa, mas reduzindo exposição em setores vulneráveis à incerteza global. O mercado segue disposto a comprar ativos com gatilhos claros ou commodities estratégicas, enquanto foge do risco de liquidez.

Leia mais:
Petróleo dispara e fecha dia acima de US$ 90; commodity acumula até 35% de alta na semana
Acompanhe a cobertura em tempo real da Guerra no Oriente Médio

O economista da Austin Rating, Rodolpho Sartori, reforça que o cenário externo acabou “atropelando” os dados internos positivos, como o PIB de 2,3% e a indústria forte. Para ele, a insegurança com a guerra faz investidores buscarem refúgio em títulos públicos e ativos de renda fixa, como o DI e a Selic.

Sartori pontua que o cenário de alta na curva de juros e valorização do dólar cria um ambiente complexo para a renda variável. “Nesse cenário, a aversão ao risco é natural, fazendo com que se fuja dos países emergentes em busca de segurança em moedas fortes e taxas remuneradas”, explica o economista.

Balanço semanal: commodities energéticas X ciclo doméstico

A semana foi marcada por uma divisão nítida: de um lado, as cíclicas globais de energia protegidas pela alta do petróleo; de outro, as cíclicas domésticas e metálicas penalizadas pelos juros e pela desaceleração chinesa.

Enquanto o barril saltou de US$ 60 para US$ 90, o fluxo de capital migrou para empresas com geração de caixa imediata.

Petroleiras e Braskem lideram as maiores altas

Maiores altas do Ibovespa na semana

Empresa Código Variação na semana (%) Fechamento (R$/ação)
Braskem BRKM5 30,34 12,50
Prio PRIO3 8,99 59,39
Petrobras PETR3 7,14 45,78
Petrobras PETR4 7,07 42,11
Brava Energia BRAV3 5,85 19,73
PetroRecôncavo RECV3 4,46 12,87
Ultrapar UGPA3 2,44 26,43
Vibra VBBR3 2,14 30,56
Fonte: TradeMap

A Braskem (BRKM5) foi o grande destaque positivo, impulsionada por eventos societários e questões fiscais. André Matos, CEO da MA7 Negócios, aponta que o papel refletiu a prorrogação do REIQ e movimentos de reprecificação técnica após um longo período de desconto, além da possível venda de ações da Novonor.

O setor de óleo e gás dominou o ranking, beneficiado diretamente pelo conflito no Oriente Médio. Danilo Coelho, especialista da FBNF, explica que o aumento do petróleo eleva o resultado de empresas como PetroRio e PetroRecôncavo, além de gerar expectativa de reajuste nos preços dos combustíveis na bomba.

Para o diretor da L4 Capital, Hugo Queiroz, a valorização de nomes como Petrobras e Brava reflete a busca por ativos expostos a commodities que garantem fluxo de caixa crescente. Ele destaca que o petróleo batendo patamares elevados “animou o setor e puxou as margens operacionais das companhias” no curto prazo.

China e juros pressionam as maiores baixas

Maiores baixas do Ibovespa na semana

Times Brasil - CNBC

Siga o Times Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Seguir no Google
Empresa Código Variação na semana (%) Fechamento (R$/ação)
CSN CSNA3 -16,59 7,19
Minerva BEEF3 -13,79 4,50
Embraer EMBJ3 -13,29 80,14
Raízen RAIZ4 -12,70 0,55
Marfrig MBRF3 -12,62 18,07
Assaí ASAI3 -12,31 8,19
Cosan CSAN3 -11,13 5,59
Vale VALE3 -10,86 78,86
Localiza RENT4 -10,55 43,66
Yduqs YDUQ3 -10,55 11,87
Fonte: TradeMap

No campo negativo, o setor de mineração e proteínas sofreu com a revisão do crescimento da China. Danilo Coelho observa que a menor demanda histórica chinesa impacta diretamente o consumo de carne e minério de ferro, prejudicando gigantes como Vale (-10,86%) e as siderúrgicas como a CSN.

O analista Fernando Bresciani, do Andbank, ressalta que a Minerva (BEEF3) e a Marfrig (MRFB3) também foram afetadas pelo receio de que o conflito geopolítico prejudique as exportações para o Oriente Médio. No caso da Embraer, o lucro mais fraco que o esperado pesou sobre o papel, apesar do guidance positivo.

Já a Cosan (CSAN3) recuou 11,13% sob o peso de discussões societárias. Hugo Queiroz menciona que os rumores sobre uma possível recuperação judicial na Raízen aumentaram a percepção de risco e as discussões sobre o endividamento do grupo, afetando a confiança na estrutura de capital da holding.

Perspectivas: volatilidade e desdobramentos da guerra

Para as próximas semanas, a tendência é de manutenção da volatilidade enquanto não houver sinais de calmaria no exterior. Gabriel Uarian, da Cultura Capital, acredita que o Ibovespa dependerá totalmente dos desdobramentos no Oriente Médio para buscar uma recuperação técnica após a perda de 10 mil pontos.

Rodolpho Sartori alerta que o dólar deve seguir valorizado em relação ao patamar de duas semanas atrás. Ele reforça a importância de monitorar como a guerra afetará os preços internos da Petrobras, pois, embora a política de preços tenha mudado, a duração do conflito pode tornar os repasses de custo inevitáveis.

André Matos conclui que, enquanto o custo de capital permanecer elevado, o investidor continuará penalizando teses de crescimento longo. O foco do mercado deve seguir em ativos com fluxo visível, mantendo a pressão sobre o varejo e setores sensíveis aos juros até que o cenário inflacionário global dê sinais de trégua.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Bolsa de Valores