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Selic em 14,5% pode antecipar fim do ciclo de cortes após choque do petróleo, diz ex-Fed
Publicado 29/04/2026 • 23:10 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 29/04/2026 • 23:10 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
A redução da Selic para 14,50% pode marcar uma etapa final do ciclo de queda dos juros no Brasil, diante da pressão provocada pelo choque do petróleo e pela inflação ainda resistente, afirmou Benjamin Mandel, ex-economista do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Mandel disse que o Banco Central brasileiro e o Fed atuam em um ambiente de cautela elevada, pressionados por choques de oferta, preços de energia e incertezas sobre a trajetória da inflação.
“O Copom deve seguir com um corte moderado. Existe uma certa gordura cíclica do ano passado, mas o ciclo de queda pode terminar mais cedo do que o previsto devido ao choque global do petróleo no Estreito de Ormuz, que impacta o custo de vida doméstico”, afirmou.
Nos Estados Unidos, o Fed manteve os juros entre 3,5% e 3,75%. Segundo Mandel, a decisão ocorreu em meio a uma divisão interna maior no comitê.
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“Houve uma falta de consenso no comitê, com quatro votos contrários à manutenção. Isso mostra uma polarização crescente entre os que se preocupam com a inflação e os que focam no crescimento. Diante de choques como o do petróleo e o conflito com o Irã, a melhor abordagem é esperar por mais dados”, disse.
Mandel também avaliou que a condução do Fed busca preservar a credibilidade institucional em um momento de transição e incerteza política.
“Powell decidiu continuar para acompanhar investigações internas, mas isso reforça a credibilidade do banco. A saída de Steven Mnuchin para a entrada de Kevin Warsh remove um componente de interferência política, tornando a transição mais suave e técnica do que o esperado”, afirmou.
No Brasil, a decisão ocorre em um cenário em que as projeções de inflação do Boletim Focus chegam a 4,86%, segundo Mandel. Para ele, a alta do petróleo reduz o espaço para cortes adicionais da Selic, principalmente se o choque energético persistir.
O barril chegou a se aproximar de US$ 130 durante o conflito, segundo o economista. A escalada aumenta o custo de vida e dificulta a sinalização futura dos bancos centrais.
“Quando se tem um grau de incerteza tão alto vindo de choques de oferta, ninguém quer sinalizar o futuro. O Fed e o Banco Central do Brasil estão em um corredor estreito, onde a prioridade é evitar que a inflação escape do controle”, disse.
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