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Fed mantém juros entre 3,5% e 3,75% e expõe maior divergência desde 1992; mercado reage ao tom de Powell
Publicado 29/04/2026 • 15:08 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 29/04/2026 • 15:08 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
A autoridade monetária dos EUA, o Federal Reserve , manteve a taxa de juros terminais do país no intervalo de 3, 5% a 3,75%. A decisão já estava precidificada pelos mercados, ainda que o placar da votação tenha surpreeendido: quatro diretores da instituição votaram contra a manutenção, enquanto outros oito foram favoráveis. É o maior nível de discordância no comitê desde 1992.
É a terceira reunião consecutiva sem mudanças, após três cortes seguidos no ano anterior. O diretor Stephen Miran, como tem feito desde que ingressou no banco central em setembro de 2025, votou contra, defendendo um corte de 0,25 ponto percentual.
Os outros três votos contrários vieram dos presidentes regionais Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan. Eles disseram concordar com a manutenção da taxa, mas não apoiaram a inclusão de um viés de flexibilização no comunicado.
“Ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais na faixa-alvo da taxa de fundos federais, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados recebidos, as perspectivas em evolução e o balanço de riscos.”
A redação sugere que o próximo movimento seria de queda, implícito no uso da palavra “adicionais”, indicando continuidade de cortes recentes. Hammack, Kashkari e Logan, junto com outros dirigentes, alertaram para os riscos da inflação persistente. Preços mais altos tendem a exigir juros mais elevados, mesmo com o Fed adotando um viés de afrouxamento desde o fim de 2025.
No comunicado pós-reunião, o comitê afirmou que “a inflação permanece elevada, em parte refletindo o recente aumento dos preços globais de energia”.
Os mercados já esperavam a manutenção e projetam estabilidade nos juros pelo restante deste ano e até boa parte de 2027. Em março, autoridades indicaram prever um corte neste ano e outro em 2027, levando a taxa para cerca de 3,1%, considerado nível neutro.
Durante a maior parte de seus oito anos à frente do Fed, Powell manteve forte consenso interno, mesmo diante da dificuldade de conter a inflação e da pressão política da Casa Branca.
Agora, os formuladores de política enfrentam um cenário em que a inflação segue acima da meta de 2%, com tarifas impostas por Donald Trump e a alta nos preços de energia complicando as decisões. Choques que normalmente seriam vistos como temporários passaram a gerar preocupação por sua duração.
Do outro lado do chamado duplo mandato do Fed, as preocupações com o mercado de trabalho diminuíram.
A criação de vagas fora do setor agrícola cresceu 178 mil em março, acima do esperado, enquanto o desemprego caiu para 4,3%. Para abril, a ADP aponta crescimento semanal médio de cerca de 40 mil empregos privados, indicando um mercado de trabalho saudável, embora menos robusto.
Com a decisão tomada, o foco agora se volta à coletiva de Powell. Normalmente, investidores buscam sinais sobre o rumo da política, mas desta vez a principal dúvida é se ele permanecerá no cargo após o fim de seu mandato em maio.
Mais cedo, o Comitê Bancário do Senado avançou, em votação partidária, a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed. A expectativa é que o Senado confirme, marcando a primeira troca de liderança desde que Powell assumiu, em 2018.
Powell agora decide se deixa o cargo com a chegada de Warsh ou se permanece como diretor por mais algum tempo. Caso fique, será a primeira vez desde Marriner Eccles, em 1948, que um presidente do Fed continua no conselho após deixar o posto.
Powell e Eccles enfrentaram desafios semelhantes, com pressão da Casa Branca sobre a política monetária. No caso de Eccles, o presidente Harry S. Truman pressionava por juros baixos para reduzir custos da dívida pública. Trump, por sua vez, pressiona por apoio aos mercados imobiliário e de trabalho, além de aliviar o peso de uma dívida nacional próxima de US$ 39 trilhões.
Na era Eccles, o conflito levou ao Treasury-Fed Accord, que formalizou a independência do Fed.
Warsh defende revisar esse acordo e adaptá-lo ao contexto atual, em que o banco central possui cerca de US$ 6,7 trilhões em ativos. Ele propõe maior coordenação com o Tesouro na emissão de dívida e redução da presença do Fed no mercado de títulos.
Powell tem defendido fortemente a independência da instituição. Uma tentativa do Departamento de Justiça de intimá-lo sobre reformas no prédio do Fed fracassou, e uma investigação criminal foi encerrada.
Entre os motivos para permanecer, está a conclusão da apuração sobre as reformas, agora sob responsabilidade da inspetoria do próprio Fed, além de disputas em andamento sobre independência, como possíveis substituições de presidentes regionais.
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