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Disparada do petróleo amplia defasagem do diesel para 85% e acende alerta de desabastecimento no Brasil
Publicado 09/03/2026 • 14:48 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 09/03/2026 • 14:48 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A escalada das tensões no Oriente Médio impulsionou o preço do petróleo para acima de US$ 100 (R$ 526) por barril, o que acabou paralisando o mercado de diesel importado no Brasil. Diante da incerteza sobre se a Petrobras repassará os preços internacionais dos combustíveis ao mercado interno, importadores interromperam novas compras, já que vender o produto no país poderia se tornar inviável. Segundo Sergio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel importado representa cerca de 30% do mercado brasileiro.
“Desde o início do conflito não está chegando carga nova, o mercado está parado. O nosso diesel vem da Rússia e o problema é o preço, ninguém sabe se a Petrobras vai repassar esse aumento”, afirmou Sergio Araújo. De acordo com ele, os estoques existentes no país garantem o abastecimento por aproximadamente 15 dias, mas a continuidade da paralisação pode pressionar a oferta.
Procurada pela reportagem, a Petrobras não se manifestou até a publicação do texto.
A diferença entre o preço praticado pela Petrobras no Brasil e as cotações internacionais atingiu novo recorde de 85%, segundo cálculos do setor. Esse nível de defasagem abriria espaço para um reajuste de R$ 2,74 por litro, movimento que teria impacto direto sobre a inflação. A estatal está há mais de 300 dias sem aumentar o preço do diesel.
No mercado privado, a Acelen, que controla a Refinaria de Mataripe, na Bahia, responsável por cerca de 14% do mercado de combustíveis do país, já promoveu aumento de 26% no diesel apenas em março. Mesmo com o reajuste, a defasagem em relação ao mercado internacional ainda é de 42%.
A situação gerou forte insegurança no setor de combustíveis, segundo uma fonte do mercado que falou sob condição de anonimato. Com os concorrentes da estatal — a Refinaria de Mataripe e a Refinaria da Amazônia (Ream), em Manaus — incapazes de oferecer volume suficiente, filas passaram a se formar nas refinarias da Petrobras. De acordo com essa mesma fonte, o cenário não pode se prolongar sem elevar o risco de desabastecimento no país.
No caso da gasolina, o quadro é considerado menos crítico, já que apenas 10% do consumo depende de importações. Ainda assim, segundo a Abicom, a defasagem frente ao mercado externo chega a 49%, o que indicaria espaço para reajuste de R$ 1,22 por litro.
Leia também: Por que a China consegue suportar a alta do petróleo com mais facilidade do que outros países
A proposta de aumentar a mistura de biodiesel ao diesel, defendida pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) como forma de reduzir a demanda, é vista com cautela por agentes do setor. Avaliação predominante no mercado é que a medida poderia ser um “tiro no pé”, já que o biodiesel tem custo mais elevado. Na gasolina, o etanol também está mais caro, e ampliar a mistura além do nível atual de 30% também tenderia a pressionar os preços.
Cotação internacional
No mercado internacional, o petróleo tipo Brent abriu a manhã desta segunda-feira próximo de US$ 120 (R$ 631,20) por barril, antes de recuar ao longo do pregão para valores mais próximos de US$ 100 (R$ 526).
Para Isabela Garcia, analista de inteligência de mercado da Stonex, a alta recente não se explica por um único evento específico. Segundo ela, houve na verdade uma consolidação das expectativas de um choque de oferta no mercado global de petróleo.
A analista explica que, inicialmente, havia a expectativa de que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã fosse rapidamente resolvido, o que não aconteceu. “Ao longo do fim de semana, ficou mais claro que a situação não está sendo resolvida. Os fluxos continuam interrompidos e os ataques à infraestrutura energética no Oriente Médio seguiram ocorrendo”, afirmou.
Leia também: Gasolina e diesel podem subir no Brasil com disparada do petróleo; entenda o alerta do setor
Também nesta segunda-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que os países do G7 podem recorrer às reservas estratégicas de petróleo para conter a escalada dos preços da energia, estratégia semelhante à adotada em 2022, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Para Isabela Garcia, embora essas iniciativas sejam bem recebidas pelo mercado, a avaliação predominante é que elas não serão suficientes para neutralizar completamente o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz.
A analista avalia que as medidas podem amenizar parte da pressão no curto prazo, mas não resolvem o problema estrutural. Quanto mais tempo os fluxos de petróleo permanecerem limitados, especialmente com interrupções na navegação, maior será a dificuldade de compensar o choque de oferta global.
“Por isso, o petróleo continua encontrando espaço para valorização enquanto não houver uma articulação mais clara entre países do Oriente Médio, o Irã e outros grandes produtores globais para recompor o volume que deixou de chegar ao mercado desde o início do conflito”, disse Garcia, ressaltando que a crise já se aproxima de dez dias e ainda não há sinais de alívio no curto prazo.
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