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Minério e Siderurgia

Vale e parceira europeia lançam plataforma de hidrogênio verde para produzir aço limpo no Maranhão

Publicado 24/04/2026 • 11:13 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Vale e Green Energy Park lançam HYDEAS na Hannover Messe para produzir ferro verde em escala industrial no Brasil.
  • Maranhão é apontado como localização mais promissora pela combinação de energia renovável, logística e minério de alta qualidade.
  • Projeto cria corredor de aço verde entre Brasil e Europa e avança para fase de engenharia e financiamento.
Porto de Itaqui, no Maranhão, onde a Vale opera e faz parte do projeto de hidrogênio verde

Divulgação Porto de Itaqui

Porto de Itaqui, Maranhão, operado pela Vale

A Vale e a Green Energy Park (GEP) lançaram oficialmente, durante a Hannover Messe Summit 2026, a HYDEAS – Hydrogen Decarbonization Alliance for Steel. A iniciativa prevê construir uma plataforma industrial de produção de hidrogênio verde em larga escala no Brasil, com o objetivo de abastecer siderúrgicas europeias com aço de baixo carbono.

O anúncio foi feito no estande conjunto das duas empresas na feira industrial alemã e marca uma nova etapa de uma parceria que vem sendo construída desde outubro de 2024, quando Vale e GEP firmaram acordo para desenvolver estudos de viabilidade para uma unidade de produção de hidrogênio verde no Brasil.

🔍 Hidrogênio Verde é produzido por eletrólise da água usando energia de fontes renováveis, como solar e eólica. Ao contrário do hidrogênio convencional, obtido a partir de gás natural com emissão de CO₂, o hidrogênio verde não gera carbono no processo. Na indústria siderúrgica, ele substitui o carvão nos alto-fornos como agente redutor do minério de ferro, reduzindo as emissões em até 80% por tonelada de aço produzida.

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Maranhão como ponto de partida

Os estudos de viabilidade iniciais apontaram o Maranhão como a localização mais promissora para o projeto. A escolha se apoia em três fatores: o alto potencial de energias renováveis do estado, a infraestrutura logística já existente e a proximidade com as operações de minério de ferro de alta qualidade da Vale na região de Carajás, no Pará.

A Vale opera no Porto do Itaqui, em São Luís, um terminal dedicado à exportação de concentrado de cobre produzido no Complexo Minerador de Carajás. Em março de 2026, o contrato de arrendamento desse terminal foi prorrogado por mais 20 anos, até 2043, com previsão de R$ 221,5 milhões em investimentos. A infraestrutura portuária já consolidada no estado é um dos ativos que sustentam a escolha do Maranhão para sediar o futuro Mega Hub.

🔍 Mega Hub é o nome dado pela Vale ao complexo industrial que pretende construir no Brasil para fabricar produtos siderúrgicos de baixo carbono. Nesses complexos, a Vale forneceria aglomerados de minério de ferro – pelotas ou briquetes – como insumo para a produção de HBI, o ferro-esponja, usando hidrogênio verde como agente redutor. O HBI produzido no Brasil seria então enviado a siderúrgicas europeias para a fabricação de aço verde em fornos elétricos a arco.

Da concepção ao financiamento do hidrogênio verde

Após a conclusão do estudo conceitual, a HYDEAS avança agora para uma nova fase, com foco em engenharia, estruturação e financiamento, com vistas a tornar o projeto viável do ponto de vista industrial e financeiro.

O reconhecimento institucional já veio de diferentes frentes. Em março de 2025, o projeto Vale-GEP foi incluído na lista prioritária da iniciativa Global Gateway da União Europeia, na categoria clima e energia. A seleção contou com o endosso da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e foi proposta por iniciativa da Lituânia.

Segundo Rogério Nogueira, vice-presidente executivo Comercial e de Desenvolvimento da Vale, a inclusão no Global Gateway representa um avanço para atrair novos parceiros e viabilizar o projeto, que a empresa considera relevante para a economia de baixo carbono do Brasil.

Corredor verde entre dois continentes

A HYDEAS é descrita pelas empresas como um novo modelo de cooperação entre Brasil e Europa, combinando competitividade industrial com descarbonização. Do lado brasileiro, o projeto prevê criação de valor e postos de trabalho. Do lado europeu, garante acesso a matérias-primas sustentáveis para a indústria siderúrgica do bloco.

Por que o aço precisa ser descarbonizado

O setor de ferro e aço responde por cerca de 8% das emissões globais de carbono, principalmente pelo uso de carvão nos alto-fornos. Para cada tonelada de aço produzida nesse processo, são liberadas aproximadamente duas toneladas de CO₂. Na rota com hidrogênio verde e fornos elétricos a arco, esse volume cai para 0,4 tonelada – uma redução de 80%. Com metas climáticas cada vez mais exigentes na Europa, a demanda por aço verde deve crescer nas próximas décadas, e projetos como a HYDEAS buscam posicionar o Brasil como fornecedor nessa cadeia.

Para a GEP, a parceria com a Vale representa um passo em direção a seu objetivo de projetar, construir e operar infraestrutura de produção de hidrogênio em escala de gigawatts. A empresa atua como especialista em moléculas e implementa tecnologias de eletrolisadores de última geração em plataformas de produção padronizadas.

A Vale, por sua vez, tem buscado ativamente parceiros para viabilizar a construção de Mega Hubs no Brasil, em linha com seu objetivo de ampliar a produção global de cobre e expandir sua atuação na cadeia de baixo carbono. A meta da mineradora é alcançar 700 mil toneladas de cobre até 2035.

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