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Petrobras dispara com boom do petróleo e tem melhor início de ano desde o Plano Real; até quando dura?
Publicado 09/03/2026 • 23:33 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 09/03/2026 • 23:33 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Reuters
Logo da Petrobras
A Petrobras (PETR4; PETR3) vive em 2026 seu melhor começo de ano desde o Plano Real na bolsa, embalada pela disparada recente do petróleo e pela expectativa de forte geração de caixa. Levantamento exclusivo do TradeMap para o Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC mostra que, até 9 de março, a ação ordinária da estatal, a PETR3, acumulava alta de 43,5%, no melhor desempenho para o período desde 1994.

Já a ação preferencial, a PETR4, subia 40,0% até 9 de março, no melhor início de ano para o período desde 1999.

O movimento supera com folga o do Ibovespa no mesmo intervalo. Até 9 de março, o principal índice da bolsa brasileira acumulava avanço de 12,3%.

A valorização da estatal ocorreu em meio à forte alta do petróleo no mercado internacional, em um ambiente marcado pela escalada das tensões no Oriente Médio. O Brent chegou a disparar até 29% intradia nesta segunda-feira (9) antes de reduzir ganhos. Na sequência, voltou a cair após falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível redução no conflito.
A dúvida que agora domina o mercado é se ainda há espaço para novas altas ou se boa parte desse movimento já foi precificada.
Para Alex André, economista e Head de Corporate Access da MZ Group, a Petrobras segue chamando a atenção do investidor pela capacidade de geração de caixa e pela perspectiva de remuneração ao acionista.
“Os analistas esperam um fluxo de caixa muito forte perante o que a companhia vem gerando, pagando quantidades relativas grandes de dividendos, como foi agora no último resultado”, afirma.
Na avaliação dele, esse é um dos fatores que ajuda a explicar por que a estatal continuou entre os principais destaques da bolsa, mesmo em um ambiente de forte volatilidade para o petróleo. Ao mesmo tempo, Alex pondera que o cenário não é isento de risco, especialmente por causa da defasagem dos combustíveis no mercado interno.
“A defasagem do diesel está acima de 80%, ou seja, a Petrobras está segurando o repasse para o consumidor. Isso acaba acarretando, no médio prazo, um prejuízo no seu fluxo de caixa”, diz.
Leia também: Petrobras não vê risco para exportações de petróleo com guerra no Oriente Médio
Para Filipe Ferreira, professor do Insper e sócio da CTW Consultoria, a alta recente da Petrobras também pode ser lida como um movimento de recuperação, depois de a ação ter ficado mais para trás em relação ao mercado em outros momentos.
Segundo ele, a estatal não acompanhou integralmente a alta da bolsa ao longo do último ano, em um contexto de petróleo mais estagnado, e agora recupera parte desse atraso com mais força.
“Se tem alguém que tem espaço para andar é justamente Petrobras”, afirma.
Na avaliação de Filipe, o ponto central agora é entender se a alta recente do petróleo vai se sustentar ou se será apenas um choque passageiro. “A grande questão de como isso reflete nos preços das ações é se isso vai se tornar mais firme no preço do petróleo ou não”, diz.
Para Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, o petróleo ainda pode seguir negociando com prêmio relevante enquanto persistirem riscos de oferta e de logística no mercado global.
“Enquanto houver restrições de oferta, especialmente ligadas a tensões no Oriente Médio e possíveis impactos logísticos no Estreito de Ormuz, é natural que o petróleo negocie com um prêmio relevante”, afirma.
Segundo ele, o mercado de óleo é altamente sensível ao equilíbrio entre oferta e demanda, o que ajuda a explicar movimentos mais rápidos e intensos de preço em momentos de tensão geopolítica. “Nesse cenário, não seria surpreendente ver o Brent operando 20% a 30% acima dos níveis de alguns meses atrás”, diz.
Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, segue linha semelhante e afirma que o barril deve continuar em patamar elevado nas próximas semanas, mesmo após a correção observada depois do pico recente.
“Na nossa leitura, o intervalo entre US$ 70 e US$ 100 é factível”, afirma. Segundo ele, o estresse que levou o petróleo a tocar níveis próximos de US$ 120 teve componentes técnicos, como encerramento de posições e demanda por margem de garantia, mas o pano de fundo segue sustentado por fatores geopolíticos e por impactos na oferta.
Hugo diz que esse contexto tende a beneficiar as petroleiras por meio de receita maior, margens mais altas e reforço na geração de caixa. “Então sim existe a perspectiva de distribuição maior de dividendos por quase todas as petroleiras listadas”, afirma.
Leia também: Petrobras e Prio disparam e deixam para trás Saudi Aramco, Chevron e outras petroleiras globais; entenda os motivos
Na visão dele, a exceção parcial é a Petrobras, justamente pelo risco de controle de preços dos combustíveis no mercado interno. Ainda assim, a leitura predominante entre analistas é que a estatal continua sendo uma das principais beneficiárias de um petróleo mais caro, ao lado de nomes como Prio (PRIO3), por reunir operação madura, custo competitivo e forte capacidade de geração de caixa.
A questão agora é saber se esse impulso ainda pode se prolongar. Se o petróleo continuar sustentado por restrições de oferta e risco geopolítico, a Petrobras ainda pode encontrar espaço para novas altas. Se esse choque perder força, o mercado tende a recalibrar mais rapidamente as expectativas para a ação.
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