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Guerra no Irã reacende temor de terrorismo de Estado e possíveis ataques no Ocidente
Publicado 11/03/2026 • 20:18 | Atualizado há 4 horas
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Publicado 11/03/2026 • 20:18 | Atualizado há 4 horas
KEY POINTS
A estratégia do Irã de responder em diversas frentes aos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel reacendeu o debate sobre terrorismo de Estado em países ocidentais, onde Teerã é acusado de manter redes de agentes e criminosos locais capazes de realizar operações clandestinas.
A polícia da Noruega anunciou nesta quarta-feira (11) a prisão de três irmãos noruegueses de origem iraquiana, suspeitos de terem cometido um “atentado terrorista com bomba” contra a embaixada dos Estados Unidos em Oslo no fim de semana passado. Não houve vítimas.
“Continuamos trabalhando sobre várias hipóteses. Uma delas é que possa se tratar de uma operação encomendada por um ator estatal”, afirmou Christian Hatlo, responsável pela investigação, sem especificar qual país poderia estar envolvido.
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Segundo o pesquisador Matthew Levitt, em análise publicada em agosto na revista especializada CTC Sentinel, “o Irã considera o terrorismo como uma extensão de sua política externa”, utilizando-o como instrumento assimétrico para atingir adversários além de suas fronteiras.
Desde a criação da República Islâmica em 1979, o Irã é frequentemente acusado por governos ocidentais de organizar ou patrocinar atentados na Europa, incluindo assassinatos seletivos de opositores e ataques a bomba.
Serviços de inteligência afirmam que Teerã também teria estabelecido alianças com redes criminosas, às quais subcontrata para executar ações violentas no exterior, dificultando a identificação direta de responsabilidades.
Em 2021, a Justiça da Bélgica condenou um agente iraniano ligado à embaixada em Viena por organizar um plano de atentado contra opositores do regime em Villepinte, perto de Paris, em 2018.
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Já em junho de 2024, em Haarlem, nos Países Baixos, um iraniano residente no país foi alvo de uma tentativa de assassinato. Duas pessoas foram presas, e uma delas também é suspeita de envolvimento no ataque contra o político espanhol Alejo Vidal-Quadras, crítico do regime iraniano, ocorrido na Espanha em 2023.
Segundo o serviço de segurança neerlandês AIVD, em seu relatório anual de 2024, “ambas as tentativas de assassinato se encaixam no modus operandi utilizado pelo Irã há anos: recorrer a redes criminosas na Europa para silenciar opositores do regime”.
Diante da escalada do conflito, serviços de segurança de vários países europeus reforçaram a proteção de locais sensíveis e de pessoas potencialmente ameaçadas, desde o início da campanha de bombardeios aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Até o momento, três ataques foram registrados na Europa e nos Estados Unidos, sem comprovação direta de responsabilidade iraniana.
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Além do episódio contra a embaixada americana em Oslo, um americano de origem senegalesa matou pelo menos duas pessoas em Austin, no Texas, em um caso que o FBI investiga como possível ato terrorista.
De acordo com o site de monitoramento SITE, o suspeito manifestava nas redes sociais “opiniões pró-regime iraniano e ódio contra dirigentes israelenses e americanos”.
Na Bélgica, uma sinagoga em Liège também foi alvo de um ataque com artefato explosivo, aumentando as preocupações com possíveis retaliações indiretas relacionadas ao conflito.
Diversos serviços de inteligência europeus afirmam que o Irã mantém uma rede de agentes e colaboradores capaz de realizar operações clandestinas no exterior.
Em relatório de 2024, os serviços austríacos de segurança (DSN) afirmaram que “redes criminosas têm substituído cada vez mais os serviços iranianos na execução de ataques violentos no exterior”, acrescentando que essa estratégia pode se intensificar nos próximos anos.
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Segundo o documento, esses subcontratados podem vir do crime organizado, cartéis de drogas, milícias pró-iranianas, organizações terroristas ou gangues violentas, além de criminosos individuais recrutados para operações específicas.
Para Thomas Renard, diretor do Centro Internacional para a Luta contra o Terrorismo (ICCT), sediado nos Países Baixos, ativar redes criminosas é provavelmente a opção mais simples para Teerã em uma eventual escalada.
Renard também aponta que o Irã poderia mobilizar redes ligadas ao Hamas e ao Hezbollah na Europa, destacando que Teerã é considerado o principal patrocinador dessas organizações, embora os objetivos de cada grupo possam divergir.
Uma possibilidade considerada menos provável, porém mais grave, seria a ativação de agentes iranianos infiltrados na Europa, o que representaria um nível mais alto de escalada.
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Segundo o pesquisador, essa medida costuma ser considerada “último recurso”, pois expor agentes infiltrados comprometeria redes de inteligência construídas ao longo de anos.
Renard acrescenta ainda a possibilidade de ataques cometidos por indivíduos isolados, inspirados por propaganda política ou ideológica, seguindo modelo semelhante ao defendido pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).
“Estamos em um contexto tenso no qual podem ocorrer ações de indivíduos isolados, impulsionadas por consumo intenso de propaganda e pela grande exposição midiática do conflito”, concluiu.
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