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Regulador de Comunicação critica Amazon por atraso em satélites; empresa tenta barrar plano espacial da SpaceX

Publicado 11/03/2026 • 23:33 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Brendan Carr, presidente da FCC, criticou a Amazon por contestar o plano da SpaceX de lançar até 1 milhão de satélites, enquanto a própria empresa enfrenta atrasos em seu programa orbital.
  • A Amazon pediu que o regulador rejeite a proposta, classificando o projeto como “ambição elevada, não um plano real”, e citando riscos ambientais e científicos no espaço.
  • A disputa ocorre em meio à corrida pelo mercado de internet via satélite e infraestrutura para IA, hoje dominado pela Starlink, que já possui cerca de 9 mil satélites em órbita.
O presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), Brendan Carr, criticou duramente a Amazon nesta quarta-feira (11) ao reagir à oposição da empresa ao plano da SpaceX de construir uma grande infraestrutura orbital. Segundo ele, a companhia deveria priorizar seus próprios atrasos no cronograma de lançamento de satélites.

O presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), Brendan Carr, criticou duramente a Amazon nesta quarta-feira (11) ao reagir à oposição da empresa ao plano da SpaceX de construir uma grande infraestrutura orbital. Segundo ele, a companhia deveria priorizar seus próprios atrasos no cronograma de lançamento de satélites.

Carr afirmou que a Amazon corre o risco de ficar cerca de 1.000 satélites abaixo da meta de implantação exigida pelo regulador, em vez de concentrar esforços em contestar concorrentes.

A Amazon deveria se concentrar no fato de que ficará cerca de 1.000 satélites aquém de cumprir seu próximo marco de implantação, em vez de gastar tempo e recursos apresentando petições contra empresas que estão colocando milhares de satélites em órbita”, escreveu Carr em uma publicação na rede social X.

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A Amazon não comentou oficialmente as declarações do chefe da FCC.

Disputa pelo espaço e pela infraestrutura de IA

Na semana passada, a Amazon pediu que a FCC rejeite um pedido da SpaceX para autorização de lançamento de uma constelação de até 1 milhão de satélites em órbita baixa da Terra. A proposta prevê a criação de uma rede de centros de dados espaciais voltados para projetos de inteligência artificial.

A empresa classificou o projeto como “uma ambição elevada, em vez de um plano real”, argumentando que a SpaceX forneceu poucos detalhes sobre como pretende cumprir as promessas feitas.

Hoje, o serviço Starlink, da SpaceX, domina o mercado global de internet via satélite. A Amazon tenta competir com a empresa por meio de seu serviço de satélites LEO, anteriormente conhecido como Kuiper.

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A companhia já investiu mais de US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) no projeto e lançou pelo menos 200 satélites desde abril do ano passado, utilizando diversos parceiros de lançamento – incluindo a própria SpaceX, fundada por Elon Musk.

Prazos regulatórios e corrida por satélites

No final de janeiro, a Amazon solicitou à FCC uma extensão de 24 meses, até julho de 2028, para cumprir um prazo regulatório que exige a implantação de cerca de 1.600 satélites de internet até julho de 2026.

Na ocasião, a empresa atribuiu o atraso a fatores externos, incluindo escassez de foguetes disponíveis no curto prazo e problemas na cadeia de produção.

A Amazon também ressaltou que a FCC já concedeu prorrogações semelhantes anteriormente. No mês passado, o regulador aprovou outro pedido da companhia para lançar 4.500 satélites de internet, o que mais que dobraria o tamanho da sua constelação orbital.

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Enquanto isso, a Starlink já possui cerca de 9.000 satélites em órbita e aproximadamente 9 milhões de clientes em todo o mundo. Recentemente, a empresa recebeu autorização da FCC para colocar mais 7.500 satélites no espaço.

Críticas científicas ao projeto da SpaceX

Cientistas e especialistas em astronomia criticaram a proposta da SpaceX de lançar até 1 milhão de satélites, alertando para riscos significativos ao ambiente orbital.

Entre as preocupações estão poluição luminosa, aumento de detritos espaciais e possíveis impactos sobre o equilíbrio da órbita terrestre baixa.

Especialistas também citam o risco do chamado “síndrome de Kessler”, cenário em que colisões entre detritos espaciais geram uma reação em cadeia, tornando determinadas órbitas praticamente inutilizáveis para satélites e missões espaciais.

A Amazon mencionou essas preocupações levantadas por astrônomos e grupos ambientais em sua petição à FCC, afirmando que a proposta da SpaceX pode ampliar a reação negativa internacional contra o uso intensivo de recursos espaciais.

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Segundo a empresa, aprovar o pedido poderia obrigar outros operadores a planejar suas operações em torno de uma constelação que talvez nunca seja construída, além de distorcer processos internacionais de coordenação de espectro e órbita.

Conceder essa autorização agravaria ainda mais a situação, forçando operadores a se adaptar a uma constelação que pode nunca existir e dando legitimidade regulatória ao que parece ser um exercício de publicidade e construção de narrativa”, afirmou a Amazon em sua solicitação à FCC.

Até o momento, a FCC ainda não aprovou o pedido da SpaceX. Em declarações separadas à Reuters, Carr afirmou que não espera que a petição da Amazon ganhe muita força dentro do regulador.

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O presidente da FCC é conhecido por ser um defensor público da SpaceX e já ironizou críticas ambientais feitas contra a empresa por impactos de lançamentos em áreas naturais e habitats de espécies protegidas.

Carr também acusou a FCC durante o governo do ex-presidente Joe Biden de realizar “assédio regulatório” contra a SpaceX, quando a agência concluiu que o serviço Starlink não atendia, naquele momento, às exigências de um programa federal de banda larga rural.

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