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Raphael Coraccini

CNI e Sebrae apontam inovação e empreendedorismo como resistência aos juros altos

Publicado 25/03/2026 • 16:32 | Atualizado há 3 horas

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

Divulgação: CNI

A indústria brasileira leva ao centro do debate, nesta semana, os efeitos de um ambiente de juros elevados e competição global acirrada durante o 11º Congresso de Inovação da Indústria, realizado em São Paulo. O evento, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), reúne cerca de 2 mil empresários, especialistas e autoridades para discutir caminhos de produtividade e inovação no país.

A discussão ocorre em um momento delicado para o setor industrial. Com o custo do crédito ainda elevado, empresas enfrentam maior dificuldade para financiar investimentos, especialmente em modernização tecnológica. Ao mesmo tempo, a concorrência internacional — impulsionada por cadeias produtivas mais eficientes e políticas industriais agressivas em outros países — pressiona margens e participação de mercado da indústria brasileira.

Nesse contexto, a inovação aparece como eixo central do debate. Levantamento apresentado no evento mostra que 61% das empresas industriais inovaram nos últimos três anos, com foco maior em processos produtivos do que em produtos. Ainda assim, os entraves são relevantes: 42% das empresas sequer tentaram acessar instrumentos públicos de apoio à inovação, citando burocracia e dificuldade de compreensão das regras como principais obstáculos.

Temas como inteligência artificial, deep techs, integração com a academia, transição energética e capital humano dominam os painéis, indicando que o aumento de produtividade passa, necessariamente, por uma agenda mais robusta de tecnologia e qualificação.

“O que vai fazer a diferença hoje é a inovação”, diz Paulo Skaf, vice-presidente da CNI e presidente da Fiesp. “Para que o Brasil não se perca nesse avanço, é importante que toda a sociedade esteja unida, toda a indústria, os outros setores da produção, além dos governos”, complementa Skaf.

Skaf critica ainda os juros elevados e menciona que a atual política monetária desestimula o investimento. Além disso, diz que a competição global exige exatamente o oposto: incentivo via crédito mais barato. Para pequenas e médias empresas, esse desafio é ainda mais intenso, dada a maior restrição de acesso a crédito e instrumentos de apoio.

Por isso, a CNI anunciou trabalho em conjunto com o Sebrae, instituição que trabalha no fomento ao empreendedorismo e ao desenvolvimento das PMEs em diferentes setores.

O presidente do Sebrae, Décio Lima, aponta para a aceleração do empreendedorismo também na indústria e a necessidade de fomento para que as pequenas e médias iniciativas sejam motor de desenvolvimento na economia brasileira.

“Hoje, no Brasil, 95% das empresas são micro e pequenas, inclusive na indústria de transformação. Há cadeias produtivas gigantes que eram parques fabris que geravam cerca de 10 mil empregos e que hoje não existe mais nesse formato,9’ boa parte desses empregados agora atuando como empreendedores, saindo da relação de assalariados”, diz Lima.

Ele ressalta que em 2026, foram criados quase 1,3 milhões de empregos, mas o que tem ajudado a reduzir o desemprego às mínimas históricas são, na verdade, as novas micro e pequenas empresas: no mesmo período 4,9 milhões de CNPJs enquadrados nessa categoria.

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