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Guerra no Oriente Médio entra em fase estrutural e amplia inflação global
Publicado 31/03/2026 • 12:49 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 31/03/2026 • 12:49 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Um mês após a escalada envolvendo o Irã, o conflito no Oriente Médio deixa de ser tratado como um episódio pontual e passa a operar como um fator estrutural de instabilidade global, com impactos persistentes sobre energia, logística e relações internacionais, além de pressionar inflação e decisões de política monetária ao redor do mundo.
Segundo o mestre e doutor em Direito Internacional, Wiliander Salomão, ainda é cedo para prever um desfecho. “Ainda é muito cedo pra gente tratar uma perspectiva do prolongamento dessa guerra”, afirmou – em entrevista nesta terça-feira (30) ao Real Time, programa do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC –, ao destacar que a expectativa inicial de Estados Unidos e Israel de uma rápida queda do regime iraniano não se concretizou.
Ele ressalta que, mesmo diante de mudanças no comando, o governo iraniano permanece ativo e mais repressivo, com disposição para sustentar o conflito. “O governo é muito mais repressivo e confiante no prolongamento da guerra”, disse.
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O especialista aponta que o conflito já acumula números expressivos de vítimas e expansão territorial, com cerca de 1.900 mortos no Irã, mais de 100 no Líbano, além de ações como a invasão israelense no sul do Líbano contra o Hezbollah e ataques iranianos a refinarias e bases americanas no Golfo.
Salomão destaca ainda a estratégia adotada por Teerã diante da inferioridade militar. “O Irã não tem como enfrentar o poderio militar de Estados Unidos e Israel, então foi direto ao ponto nevrálgico, o Estreito de Ormuz”, afirmou. Segundo ele, o bloqueio da região – por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, equivalente a 21 milhões de barris por dia – provocou um “estrangulamento na economia mundial”.
A medida elevou a pressão internacional, com apelos de líderes globais para a reabertura da rota, enquanto o Irã mantém posição resistente.
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O especialista também chama atenção para a disputa de versões em torno do conflito, incluindo declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “No meio dessa guerra sempre há guerra de narrativas”, afirmou, mencionando propostas e contrapropostas que, até o momento, não produziram efeitos concretos.
Segundo ele, apesar de sinais informais de diálogo, ainda não há confirmação oficial. “O que se comenta no meio diplomático é que existem canais de diálogo, mas as declarações oficiais dizem que isso não está acontecendo”, disse, destacando a dificuldade de avaliar a veracidade das informações.
Na avaliação de Salomão, o conflito produz impactos mistos e generalizados, sem vencedores claros. “Não temos um vencedor nessa guerra”, afirmou, citando especialmente os países do Golfo, que passam a questionar a presença de bases militares americanas como garantia de segurança.
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Ele aponta que regiões antes estáveis agora enfrentam consequências diretas, como queda no turismo e maior exposição ao conflito, além da ampliação das tensões em áreas estratégicas como o estreito de Bab el-Mandeb, no acesso ao Mar Vermelho.
O impacto logístico também é relevante. Segundo o especialista, o bloqueio de rotas obriga navios a contornarem o Cabo da Boa Esperança, elevando custos e pressionando cadeias globais.
Para o Brasil, os efeitos são diretos, especialmente pela dependência do petróleo. “Isso afeta o Brasil tanto quanto afeta o resto do mundo”, afirmou Salomão, destacando desafios para o controle de preços e impactos sobre a inflação.
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O especialista também aponta que o conflito pode influenciar decisões sobre investimentos em energia, levando países a reavaliar estratégias em fontes alternativas, como energia solar e elétrica.
Por fim, ele ressalta que a possibilidade de uma invasão terrestre por parte dos Estados Unidos ainda está em aberto, com mobilização militar em curso, enquanto o Estreito de Ormuz permanece sob forte influência iraniana, mantendo a pressão sobre o mercado global de energia.
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