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Kátia Abreu: Guerra no Irã pressiona custos e agrava cenário do agronegócio
Publicado 01/04/2026 • 06:30 | Atualizado há 8 horas
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Publicado 01/04/2026 • 06:30 | Atualizado há 8 horas
KEY POINTS
A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo o Irã, adiciona novos desafios ao agronegócio brasileiro, já pressionado por custos elevados e preços internacionais voláteis, ampliando incertezas sobre produção e competitividade no setor.
Segundo Kátia Abreu, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o cenário global já era adverso e tende a se deteriorar. “A situação não estava fácil e ainda pode piorar com a guerra do Irã com os Estados Unidos e Israel”, afirmou nesta terça-feira (31) ao programa Real Times, destacando os impactos diretos sobre insumos essenciais.
Ela ressalta que o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa mais de 35% do petróleo mundial e parte relevante da ureia, afeta diretamente a agricultura. “De lá vem 18% de toda a ureia necessária para os agricultores do Brasil”, disse.
Leia também: Datagro: guerra expõe vulnerabilidade de exportações do agronegócio brasileiro
De acordo com Abreu, o impacto já é sentido nos custos. O fertilizante nitrogenado subiu cerca de 33% no Brasil, enquanto os combustíveis também avançaram, com alta de até 20% no diesel.
Ela destaca que a situação também é desafiadora nos Estados Unidos, com aumentos ainda mais expressivos. “Nos Estados Unidos subiu 20% a gasolina e 30% o diesel”, afirmou, apontando dificuldades para os dois maiores exportadores globais de alimentos.
Diante desse cenário, a notável defende maior autonomia produtiva. “Precisamos cada vez mais procurar ser autossuficientes”, disse, ao mencionar a reativação de fábricas de fertilizantes no Brasil como medida estratégica.
Leia também: Do varejo ao agro: crise do petróleo se espalha pela bolsa e vai além das petroleiras
Segundo ela, três unidades já foram reabertas, representando cerca de 20% da demanda nacional, com potencial de alcançar 35% de autossuficiência com a retomada completa da produção.
A dependência do diesel também agrava a situação. Apesar de ser exportador de petróleo bruto, o Brasil ainda importa derivados refinados, o que eleva custos internos. “Nós precisaríamos ter mais refinarias”, afirmou Abreu.
Ela lembra que cerca de 65% a 70% do transporte no país é rodoviário, com o combustível representando até 45% do custo logístico, o que amplia o impacto sobre preços ao consumidor.
Leia também: Agronegócio: por que o crédito ficou mais difícil para o setor
Por outro lado, Abreu aponta um fator de resiliência. “Estamos sofrendo menos por sermos um grande produtor e termos uma indústria moderna de biocombustíveis”, disse, citando o papel do etanol e do biodiesel na mitigação dos efeitos da crise energética.
Além dos fatores externos, o cenário doméstico também pesa. A especialista destacou o aumento da inadimplência no setor agropecuário e criticou o nível atual da taxa de juros. “É impossível crescer com juros nessa altura”, afirmou, ao mencionar que a taxa Selic deveria estar em torno de 12%, segundo parâmetros econômicos, e não nos níveis atuais.
Para ela, a combinação de custos elevados, juros altos e instabilidade internacional torna o ambiente especialmente desafiador para produtores e empresas do setor, com impactos que acabam sendo repassados ao consumidor final.
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