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Agronegócio: por que o crédito ficou mais difícil para o setor
Publicado 19/03/2026 • 11:10 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 19/03/2026 • 11:10 | Atualizado há 2 meses
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Foto: reprodução Freepik
Por que bancos estão mais seletivos com o agronegócio
O agronegócio brasileiro entra em 2026 com mais pressão financeira, o movimento ocorre após uma sequência de quebras recentes, com destaque para casos como Amiu e Terra Santa.
Nesse caso, bancos passaram a rever exposição e endurecer critérios de crédito, o que elevou o número de empresas em recuperação judicial no campo.
Os números mostram a dimensão do problema, o setor reúne hoje cerca de 12,6 empresas em recuperação judicial a cada mil, o equivalente a 1,26%. Esse índice é 6 vezes maior que a média nacional, estimada em 2,04 por mil empresas.
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Além disso, a inadimplência rural alcançou 8,3%, esse avanço reflete um período prolongado de margens apertadas e custos elevados. Como resultado, muitos produtores e empresas passaram a enfrentar dificuldade para honrar compromissos.
Casos recentes reforçaram a cautela do sistema financeiro, as recuperações envolvendo Amiu e Terra Santa acenderam um alerta no mercado. Isso porque essas situações mostraram como choques prolongados podem comprometer toda a cadeia produtiva.
Com isso, bancos passaram a reavaliar riscos com mais rigor. Na prática, isso significa revisão de garantias e redução da exposição ao setor, e esse movimento ocorre, sobretudo, após perdas relevantes em operações anteriores.
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Diante disso, o crédito tradicional ficou mais restrito, instituições financeiras passaram a exigir mais garantias e a selecionar melhor os clientes.
Ao mesmo tempo, reduziram a disposição para financiar operações consideradas mais arriscadas.
Essa mudança ocorre porque o ciclo do agronegócio não para, mesmo em crise, a produção continua e os custos seguem. No entanto, o fluxo de crédito não acompanha esse ritmo. Como consequência, empresas enfrentam dificuldades para manter a operação.
Outro fator que pesa é o modelo de crescimento adotado por parte do setor, a expansão via arrendamentos agrícolas ampliou compromissos fixos de caixa, e em momentos de estresse, isso eleva o risco financeiro.
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Grandes operações que utilizam esse modelo ficam mais expostas quando há queda de receita ou aumento de custos. Assim, a pressão sobre o caixa se intensifica rapidamente.
Com bancos mais seletivos, o financiamento da safra começou a migrar, instrumentos como CPRs cresceram e somaram R$ 121,9 bilhões no segundo semestre de 2025, com alta próxima de 30%. Além disso, estruturas como DIP Finance e fundos de crédito ganharam relevância. Essas alternativas permitem manter liquidez mesmo durante processos de reestruturação.
Apesar da expansão dessas ferramentas, parte das dívidas antigas permanece sem solução, muitos passivos seguem concentrados em fornecedores e contratos que perderam aderência ao caixa das empresas.
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Nesse contexto, a reorganização financeira se tornou essencial. Empresas que conseguem ajustar dívidas e prazos aumentam as chances de atravessar o período de crise.
O mercado de capitais também ganhou protagonismo, em 2025, as emissões superaram R$ 981 bilhões, o que redesenhou o financiamento do setor. Agora, o crédito rural se torna mais estruturado e menos dependente dos bancos.
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Para 2026, a tendência é de um mercado de agronegócio mais segmentado, diferentes instrumentos devem atender etapas específicas do ciclo financeiro.
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