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Ibovespa tem melhor 1º trimestre desde 1999; petróleo turbina altas e dívidas derrubam ações
Publicado 01/04/2026 • 21:58 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 01/04/2026 • 21:58 | Atualizado há 3 horas
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O Ibovespa fechou o 1º trimestre de 2026 com seu melhor desempenho para o período desde 1999, segundo levantamento feito pelo TradeMap para o Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. Na reta final desse movimento, março mostrou uma bolsa mais seletiva, com petroleiras entre as maiores altas do mês e nomes de setores como siderurgia e proteína animal entre as principais quedas.
Ibovespa tem melhor 1º trimestre do ano desde 1999

No recorte de março, as maiores altas do índice foram Petrobras (PETR3), com avanço de 26,16%, Petrobras (PETR4), com 23,75%, e Prio (PRIO3), com 21,51%. Também apareceram entre os destaques positivos Eneva (ENEV3), Natura (NATU3), Petrorecôncavo (RECV3), SLC Agrícola (SLCE3), Ultrapar (UGPA3), Brava Energia (BRAV3) e Vibra (VBBR3).
Para Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, Petrobras e Prio se destacaram porque são justamente as empresas mais sensíveis à disparada do barril. “Petrobras e PetroRio são as duas empresas listadas que mais capturam fluxo de caixa livre futuro com alta de petróleo”, afirmou. Hugo Queiroz, gestor de portfólio da Soho Capital, acrescenta que, no caso da Petrobras, o movimento também foi sustentado por um resultado melhor do que o esperado em geração de caixa e risco financeiro, além da leitura de que petróleo mais alto pode se traduzir em mais dividendos.
No caso da Prio, a leitura dos analistas vai além do choque externo. Artur Horta, sócio da The Link Investimentos, avalia que o papel também foi impulsionado por fatores próprios da companhia, como melhora operacional, crescimento de produção e eventos corporativos recentes. “É provável que a Prio realmente tenha atingido um novo patamar de valuation (avaliação)”, disse.
Queiroz vai na mesma linha e comenta que a perspectiva de crescimento com campos novos, somada ao barril mais alto, fez o mercado reprecificar a ação, apesar de um resultado trimestral um pouco mais fraco do que o esperado.
Leia também: Ibovespa recua em fechamento de março mas tem melhor 1º trimestre em 26 anos
Já na Petrobras, Bruno Oliveira, fundador e analista do Vida de Acionista, vê um componente mais técnico no rali. Segundo ele, parte relevante da alta passou pela entrada de capital estrangeiro via fundos e índices. “Boa parte do fluxo gringo vem investir através dos ETFs, fundos que replicam os índices”, afirmou.
Fora do setor de óleo e gás, Natura também apareceu entre os principais destaques de março. Artur Horta atribui o movimento à melhora da percepção do mercado sobre a reestruturação da companhia. “Pela primeira vez desde a pandemia parece que a Natura encontrou um caminho agora para conseguir ser rentável, gerar caixa e voltar a crescer”, disse. Queiroz também associa a alta à melhora dos números no Brasil e à reestruturação societária e de governança, que reforçaram a leitura de valuation descontado.
Jayme Simão também relaciona a valorização à reorganização da empresa, com venda de ativos, reforço de caixa e redução da alavancagem. No caso da SLC Agrícola, ele vê uma combinação de exposição a commodities e perfil mais defensivo em um ambiente de incerteza. Hugo Queiroz acrescenta que a ação também foi favorecida por uma perspectiva melhor para os preços dos grãos, por números saudáveis no trimestre e pela percepção de que “o low do agro passou”, o que pode abrir espaço para reprecificação.
Do lado negativo, março teve a CSN (CSNA3) na liderança das perdas, com baixa de 26,57%. Também figuraram entre as maiores quedas Minerva (BEEF3), Direcional (DIRR3), Vivara (VIVA3), Vamos (VAMO3), Cosan (CSAN3), entre outras.
Entre as perdas, a CSN concentrou parte relevante das preocupações. Jayme classificou o período como “um trimestre muito ruim”, marcado por pressão no minério, fraqueza da siderurgia e dívida elevada. Artur Horta foi além e chamou atenção para a estrutura de capital da companhia. “A CSN está passando por uma situação muito delicada, que é o risco de liquidez da companhia”, afirmou. Hugo Queiroz também cita o endividamento como ponto central e diz que o mercado passou a embutir um risco mais agudo para a empresa após um resultado fraco e o anúncio de desinvestimentos.
Na avaliação dele, a ação pode continuar pressionada caso a empresa não avance rapidamente na venda de ativos. “A continuidade da tendência de queda é bem provável caso ela não venda rápido a CSN Cimentos”, disse. Hugo pondera que a nova linha de crédito dá algum fôlego adicional, mas não elimina a pressão se os fundamentos não melhorarem ou se a venda de ativos sair a preços baixos.
Bruno Oliveira, por sua vez, faz uma leitura menos linear sobre a CSN. Ele reconhece a deterioração recente, mas pondera que a análise sobre o endividamento precisa considerar também o porte da holding e sua capacidade de geração de caixa. “A dívida líquida, de fato, bateu recordes”, afirmou. Ainda assim, vê espaço para reversão mais à frente. “Dá para ela se recuperar, sim.”
Leia também: Ibovespa fecha em alta de 0,26% com sinais positivos para guerra no Irã e boas perspectivas para juros
No caso da Minerva, a pressão veio da operação. Jayme Simão atribui a queda ao aperto de margem, com alta do custo do gado e dificuldade de repasse aos clientes. Artur Horta reforça esse diagnóstico e acrescenta o peso da alavancagem e da queima de caixa. “A situação não é muito favorável”, resumiu. Hugo Queiroz acrescenta que o mercado também pesou o risco financeiro da companhia diante da integração dos ativos comprados da Marfrig e das incertezas envolvendo a dinâmica de exportação para a China, embora veja espaço para reversão se o EBITDA (lucro antes de juros, imposto, depreciação e amortização) ganhar tração e as exportações seguirem fortes.
Já a Direcional teve uma dinâmica diferente. Para Artur, o recuo do papel esteve mais ligado ao ambiente macro do que a uma piora estrutural da companhia. “A ação caiu única e exclusivamente por conta da correlação que tem o setor de construção civil com a curva de juros”, afirmou. Hugo Queiroz vê o movimento mais como realização, após um papel esticado, e cita como gatilhos uma velocidade de vendas um pouco mais fraca e a volta da dívida líquida positiva. Ainda assim, ele não enxerga mudança estrutural na tese e vê chance de reversão. “Acho que ela reverte, sim”, disse.
Para os próximos meses, a visão dos analistas segue positiva para a bolsa brasileira, mas com menos espaço para uma alta generalizada. Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, disse que continua “construtivo” com o Ibovespa, embora veja o mercado menos descontado do que no início do ano. Segundo ele, o principal gatilho para sustentar novas altas continua sendo o fluxo estrangeiro para emergentes. Artur Horta, sócio da The Link Investimentos, também vê espaço para continuidade da alta e aposta que small caps e mid caps podem ganhar protagonismo, já que nomes mais pesados do índice ficaram relativamente mais caros.
Bruno Oliveira, fundador e analista do Vida de Acionista, adota uma postura mais cautelosa e evita fazer projeções fechadas para o índice no curto prazo. Na visão dele, o comportamento do Ibovespa segue muito dependente de narrativa e de fatores externos e domésticos difíceis de antecipar. “É um jogo de narrativas”, afirmou.
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