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Ibovespa recua em fechamento de março mas tem melhor 1º trimestre em 26 anos

Publicado 31/03/2026 • 22:05 | Atualizado há 5 meses

KEY POINTS

  • Apesar do trimestre forte, março trouxe leve correção (-0,70%), interrompendo uma sequência de sete meses de alta, sob pressão da aversão global ao risco ligada ao conflito no Oriente Médio.
  • Indicadores como o MSCI Brasil e o IBRX também dispararam, refletindo forte entrada de capital estrangeiro e rotação para ativos brasileiros.
  • Juros ainda elevados, início de cortes na Selic, real mais forte e menor percepção de risco energético colocaram o Brasil no radar global — mas o rali depende do fiscal e do humor dos juros lá fora.
Ibovespa

Quote Inspector

Após um mês volátil pressionado pelo conflito entre EUA e Israel, os índices de ações da bolsa brasileira registraram recordes de pontuação no trimestre encerrado nesta terça-feira (31). O Ibovespa acumulou ganhos de 16,35% no período, marcando o melhor primeiro trimestre desde janeiro de 1999. O resultado também foi o melhor desempenho absoluto desde o último trimestre de 2020, marcado pela volatilidade da pandemia de covid-19 e os juros básicos extremamente baixos.

Isoladamente, março gerou perdas marginais de 0,70% ao principal índice de ações da bolsa do Brasil, refletindo a retomada da aversão a risco global em meio ao conflito no Oriente Médio. Foi a primeira perda mensal desde julho do ano passado, quando havia cedido 4,17% antes de o índice encadear sete meses de ganhos.

Outros índices de ações despontaram entre janeiro e março. O MSCI Brasil, utilizado como referência para ETFs internacionais, liderou os ganhos de indicadores de investimentos com alta de 20,26%. Já o IBRX, que acompanha o desempenho médio das cotações dos 100 ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações, também avançou 17,05%, segundo dados do Trademap.

O trimestre foi marcado por uma forte rotação de capital em favor dos ativos brasileiros, refletindo a combinação de juros ainda elevados, valuations descontados e melhora relativa na percepção de risco do país, segundo André Matos, CEO da MA7 Negócios.

Ao longo do período, o índice alcançou marcas históricas. Em 24 de fevereiro, o indicador alcançou os 191.490 pontos, em um dia de alta de 1,40%.

Estudo da Elos Ayta Consultoria, revela os principais picos de alta e queda do índice durante o primeiro trimestre. Veja abaixo:

Fonte: Elos Ayta Consultoria

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“No conjunto, os dados apontam para uma reprecificação global de ativos e colocam o Brasil como um dos principais destinos de fluxo no curto prazo, ainda que a sustentabilidade desse movimento dependa do cenário fiscal interno e da trajetória dos juros internacionais”, afirmou Matos.

Entre as razões apontadas para o avanço do mercado acionário nacional, estão a relativa segurança do País diante do risco de desabastecimento global de petróleo e a matriz energética renovável, que dispensa a possibilidade de uma crise energética.

“Mesmo com o petróleo ainda em patamar elevado, o mercado entende os avanços na negociação como redução do risco de ‘cauda’ favorecendo uma rotação mais ampla para ativos de risco no Brasil. Assim, o mercado passa a precificar menor risco de disrupção, o que sustentou a forte valorização no Ibovespa”, explica Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Além disso, o Banco Central deu início ao ciclo de cortes de juros na Selic, ainda que em menor proporção que a projetada pelo mercado, o que deve estimular a renda variável no longo prazo.

“Ao mesmo tempo, a valorização do real frente ao dólar e ao euro indica entrada de capital estrangeiro e reforça o apetite por mercados emergentes”, adiciona Matos. A moeda vem variando diante do vaivém das negociações entre EUA e Irã, mas o resultado trimestral foi de queda acumulada de 5,65%, encerrando março cotado a aproximadamente R$ 5,18.

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