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Bancos centrais passam a vender ouro em meio à guerra no Irã

Publicado 14/04/2026 • 23:24 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Bancos centrais de mercados emergentes lideram o movimento para reforçar caixa e sustentar moedas locais.
  • Pressão vem da alta do petróleo, do dólar forte e do aumento dos gastos com energia e defesa.
  • Em 2025, compras oficiais de ouro caíram para 863 toneladas após mais de 1 mil toneladas por ano entre 2022 e 2024.
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Foto: Canva

Ouro

A recente queda do ouro expôs uma mudança no comportamento dos bancos centrais: depois de anos de compras em níveis recordes, algumas autoridades monetárias passaram a vender reservas para reforçar liquidez em meio às pressões provocadas pela guerra no Irã.

O movimento ocorre mesmo com o aumento dos riscos geopolíticos. O ouro à vista já caiu cerca de 10% em relação ao pico do fim de janeiro, entrando em território de correção apesar da piora no cenário internacional.

Analistas ouvidos pela CNBC afirmam que a mudança reflete, principalmente, a necessidade de caixa em um ambiente de petróleo mais caro, maior volatilidade cambial e elevação dos gastos com energia e defesa. Para Nicky Shiels, chefe de estratégia de metais da MKS Pamp, alguns bancos centrais estavam sentados sobre um ativo altamente valorizado e agora passaram a usar parte dessas reservas para enfrentar a nova pressão.

“Muitos estavam sentados em um ‘cofrinho’ valioso, com o ouro perto de US$ 5 mil a onça”, disse.

Leia também: Bitcoin oscila com tensão geopolítica e vira termômetro do mercado; ouro se reafirma como porto seguro

Os mercados emergentes aparecem na linha de frente desse movimento. Com o dólar fortalecido e o custo de financiamento mais alto, a pressão sobre as moedas locais aumentou, elevando a necessidade de intervenção. Segundo Steve Brice, diretor de investimentos do Standard Chartered, a fraqueza cambial em países emergentes levou alguns bancos centrais a vender ouro para estabilizar suas moedas.

“A fraqueza das moedas nos emergentes levou alguns bancos centrais a vender ouro para estabilizar suas moedas”, afirmou.

Os dados oficiais sobre essas vendas costumam sair com defasagem ou permanecem pouco transparentes, mas alguns sinais já apareceram. A Turquia foi o caso mais relevante até agora neste ano, com queda de 131 toneladas em suas reservas oficiais de ouro em março, por meio de swaps e vendas diretas, segundo relatório da Metals Focus. O movimento ocorreu em meio à tentativa de estabilizar a lira.

Situação semelhante também foi apontada em outros países. A Rússia reduziu reservas de ouro nos últimos meses, provavelmente para ajudar a cobrir déficits orçamentários, enquanto Gana vendeu parte dos estoques para reforçar a liquidez em moeda estrangeira. O presidente do banco central da Polônia também chegou a avaliar a venda de parte das reservas para financiar gastos com defesa.

Essa mudança pesa no mercado porque os bancos centrais vinham sendo um dos principais pilares de demanda do ouro nos últimos anos. As compras constantes ajudaram a compensar saídas de investidores ocidentais e sustentaram a escalada do metal a níveis recordes. Agora, esses dois vetores parecem estar se revertendo ao mesmo tempo.

De acordo com o Conselho Mundial do Ouro, os bancos centrais compraram mais de 1 mil toneladas por ano entre 2022 e 2024. Em 2025, esse volume caiu para 863 toneladas, em meio à volatilidade recorde dos preços. Em nota, o Natixis afirmou que parte dessa queda provavelmente reflete vendas de ouro para defender moedas locais e financiar compras de energia.

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O banco também apontou a saída de investidores de varejo e a alta dos rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos como fatores adicionais de pressão sobre o metal, já que retornos mais altos na renda fixa reduzem a atratividade do ouro, um ativo sem rendimento.

Ainda assim, analistas do setor avaliam que esse tipo de venda tende a ser tático, e não estrutural. Para Shaokai Fan, chefe global de bancos centrais do Conselho Mundial do Ouro, o movimento reforça justamente o papel do metal como ativo de reserva em momentos de estresse, por sua liquidez e pelo desempenho historicamente positivo em períodos de incerteza.

“Isso mostra por que os bancos centrais mantêm ouro — é um ativo líquido que pode ser usado quando necessário”, disse.

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