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Bitcoin oscila com tensão geopolítica e vira termômetro do mercado; ouro se reafirma como porto seguro
Publicado 09/04/2026 • 22:06 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 09/04/2026 • 22:06 | Atualizado há 1 mês
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Pixabay
Criptomoedas
A dinâmica recente dos mercados expôs uma relação sensível entre ouro, bitcoin e o conflito entre Estados Unidos e Irã. Em momentos de tensão, o investidor busca proteção para o seu capital. Quando o risco diminui, parte desse fluxo retorna para ativos mais voláteis.
O movimento recente do bitcoin ocorreu após uma reprecificação de cenário. Segundo Igor Carneiro, CEO da Vault Capital, o ativo digital reage com rapidez por operar de forma contínua e permitir liquidez imediata – o que o torna o primeiro a tombar ou saltar quando algo de extraordinário acontece.
Nesta quinta-feira (9), o bitcoin superou os US$ 71 mil, diante de ameaças ao cessar-fogo entre EUA e Irã.
Ele avalia que o bitcoin sofre mais no curto prazo em períodos de estresse. “Quando o investidor institucional está com medo ou o mercado está imprevisível, é o ativo mais fácil de ser livrar rápido e botar a liquidez no bolso.”
Ele acrescenta que o valor do bitcoin decorre da dinâmica de oferta e demanda no mercado, mas mantém características de reserva por não depender de políticas monetárias. Ainda assim, a volatilidade à qual a cripto está sujeita a impede de ser enquadrada na mesma categoria que o ouro – a reserva de valor por excelência.
Lucca Freire, da UnblockPay, afirma que o bitcoin ainda não se consolidou plenamente como um investimento de proteção. “Ele é um grande candidato a ser uma reserva de valor já que tem se mostrado resiliente diante da guerra do Irã, apesar de ter caído antes do que os outros ativos de risco”. Ele observa que, em cenários de conflito internacional, investidores reduzem exposição a risco. “Quando o conflito está perto do fim, as pessoas voltam a querer se colocar numa posição mais arriscada.”
Freire destaca que o bitcoin apresentou comportamento distinto. “A cripto ficou lateralizada durante esse conflito, enquanto as bolsas continuaram caindo.” Para ele, o ativo funciona como um indicador das expectativas sobre o sistema financeiro futuro.
De acordo com Mauriciano Cavalcante, economista-chefe da Ourominas, existem dois vetores que direcionam a trajetória do metal. Um de alta, ligado à persistência das tensões. Outro de queda, caso a instabilidade pressione a inflação global. Para ele, ambos os ativos funcionam como proteção, mas com diferenças estruturais. “O ouro é consolidado desde sempre como a maior proteção e porto seguro, pois tem lastro real, enquanto o bitcoin tem suporte no desconhecido.”
A correlação entre os dois ativos não é estável. Em períodos de crise aguda, o ouro tende a concentrar a busca por segurança. Já o bitcoin oscila entre comportamento de risco e narrativa de reserva.
Outros fatores também influenciam o preço. Mychel Mendes, da Tokeniza, menciona movimentos institucionais. Ele cita compras relevantes realizadas por grandes investidores como um dos elementos que sustentaram o início da recuperação do bitcoin.
Mendes também relaciona o cenário geopolítico ao mercado de energia. Ele afirma que um eventual acordo pode reintegrar o Irã ao comércio global, ampliando a oferta de petróleo e alterando expectativas inflacionárias. Esse processo teria efeitos indiretos sobre todos os ativos.
No curto prazo, a cautela prevalece. “Em mercado volátil nunca é bom você se expor totalmente”, diz Mendes. Ele defende alocações graduais diante da incerteza.
A leitura de fluxo de capital reforça essa visão. Tasso Lago, da Financial Move, o próprio conflito incentiva usos alternativos do bitcoin. “O Irã está usando o Bitcoin como meio de pagamento, para ser uma alternativa para eles não terem o capital bloqueado. A Rússia também fez isso quando ela saiu do sistema SWIFT,” afirma.
O quadro geral indica uma relação indireta entre ouro e bitcoin, mediada pelo nível de risco global. O ouro mantém seu papel histórico de proteção em momentos de crise. O bitcoin oscila entre ativo de risco e aposta estrutural contra a inflação monetária.
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