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Ibovespa tem melhor resultado da história corrigido pela inflação; último recorde foi em 2008

Publicado 14/04/2026 • 21:20 | Atualizado há 2 dias

KEY POINTS

  • Marco encerra ciclo de quase duas décadas marcado por crises e reflete reprecificação recente dos ativos.
  • Alta é sustentada por forte entrada de capital estrangeiro, que soma R$ 67,3 bilhões em 2026, além de cenário externo mais favorável.
  • Apesar do recorde em reais, índice ainda está abaixo do pico em dólar e segue dependente de juros, fluxo global e cenário fiscal para sustentar ganhos.
Ibovespa

Reprodução/Canva

O Ibovespa atingiu, nesta terça-feira (14) um novo marco ao superar sua máxima histórica ajustada pela inflação, algo que não ocorria desde 2008. O movimento indica que, pela primeira vez em quase duas décadas, o índice voltou ao mesmo nível real — corrigido pelo IPCA — observado no pico anterior.

Ao longo do dia, o índice chegou a 199.355 pontos na máxima e encerrou aos 198.773 pontos, em alta de 0,39%. O recorde anterior, registrado em 20 de maio de 2008, aos 73.517 pontos, corresponde hoje a cerca de 198.946 pontos quando atualizado pela inflação até março.

A superação desse patamar marca o fim de um ciclo prolongado, que incluiu a crise financeira global da bolha imobiliária, a recessão doméstica entre 2015 e 2016 e os efeitos da pandemia de Covid-19. O ponto mais baixo desse período ocorreu em janeiro de 2016, quando o índice recuou a 62.970 pontos em termos reais.

“Na prática, o que estamos vendo é uma reprecificação. O mercado brasileiro vinha sendo negociado com desconto relevante por conta de incertezas fiscais, juros altos e um ambiente mais volátil. À medida que surgem sinais de maior previsibilidade, mesmo que ainda limitados, o investidor volta a olhar para esses ativos”, explica Leonardo Baldez, economista e fundador do Grupo ISF Soluções Financeiras.

18 anos de ressaca

Baldez explica que o patamar recorde em termos reais gera uma comparação com 2008 inevitável, mas que precisa ser feita com critério.  Ele lembra que, naquele momento, o Brasil estava inserido em um ciclo global muito favorável: a economia chinesa crescia a taxas elevadas e puxava a demanda por commodities, o que beneficiava diretamente empresas brasileiras de mineração, petróleo e agronegócio. 

Ao mesmo tempo, havia um excesso de liquidez no mundo. Os juros nas economias desenvolvidas eram baixos e o investidor estrangeiro buscava retorno em mercados emergentes, como o Brasil. Esse fluxo ajudou a impulsionar a bolsa de forma acelerada.

“O problema é que aquele movimento era muito dependente desse cenário externo”, ele diz. Quando veio a crise financeira internacional do subpprime,  motivada pelo estouro de uma bolha imobiliária nos EUA  e a subsequente quebra de grandes instituições financeiras, esse capital saiu rapidamente e o mercado sofreu uma correção forte. “Ou seja, havia crescimento, mas com uma base menos sustentável diante de choques”, explica o especialista.

Hoje, entretanto, o cenário é bastante diferente. Baldez explica que o País ainda convive com juros elevados, interna e externamente, mas o mercado já começa a trabalhar com a expectativa de queda ao longo do tempo. Isso muda a lógica de alocação de recursos à medida em que a bolsa volta a ganhar espaço como alternativa, principalmente se houver confirmação desse ciclo de afrouxamento monetário.

Outro ponto importante é a composição do próprio Ibovespa, que tem uma participação maior de empresas ligadas ao consumo interno, serviços e outros setores menos concentrados em commodities. Isso faz com que o desempenho da bolsa dependa mais da dinâmica da economia doméstica, como renda, emprego e acesso ao crédito, diz. 

“Diferente de 2008, não vejo um movimento de euforia generalizada. O mercado hoje está mais seletivo. Nem todas as empresas sobem da mesma forma, e há uma diferenciação clara baseada em fundamentos, geração de caixa e governança”, afirma. 

Ressalva ao rali 

Apesar do recorde em moeda local, o índice ainda não recuperou seu pico em dólares. Em maio de 2008, o Ibovespa alcançou 44.616 pontos nessa métrica. Atualmente, está ao redor de 39.284 pontos, o que implica necessidade de valorização adicional de aproximadamente 13,57% para atingir aquele nível.

O avanço recente tem sido sustentado principalmente pelo fluxo estrangeiro. Em março, investidores internacionais aportaram R$ 11,9 bilhões na bolsa brasileira, maior volume para o mês desde 2022, quando houve entrada de R$ 21,4 bilhões. Em 2026, os ingressos somam R$ 26,4 bilhões em janeiro, R$ 15,3 bilhões em fevereiro e R$ 11,9 bilhões em março. Nos dez primeiros dias de abril, o fluxo já alcança R$ 14 bilhões, elevando o saldo acumulado no ano para R$ 67,3 bilhões. Os estrangeiros responderam por 62,1% do volume negociado em março.

O ambiente externo também contribuiu para o desempenho. A perspectiva de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã reduziu a aversão ao risco global e pressionou o preço do petróleo, aliviando expectativas inflacionárias. Paralelamente, a busca por diversificação internacional favoreceu mercados emergentes, incluindo o Brasil, que ainda se beneficia de sua condição de exportador líquido de commodities.

No plano doméstico, a valorização dos ativos também é apoiada pela queda do dólar e pela reprecificação de risco. Ainda assim, parte relevante do movimento depende do fluxo externo, o que tende a tornar a trajetória mais sensível a mudanças no cenário internacional. Sem uma melhora mais consistente dos fundamentos, como crescimento de lucros corporativos, a sustentação do índice em níveis mais elevados pode permanecer vulnerável a oscilações.

“Para frente, existem três fatores principais que vão direcionar o comportamento do Ibovespa. O primeiro é a trajetória da taxa de juros no Brasil, que influencia diretamente o fluxo entre renda fixa e variável. O segundo é o cenário internacional, especialmente as decisões de política monetária nos Estados Unidos. E o terceiro é a questão fiscal, que ainda é um ponto de atenção relevante”, conclui Baldez. 

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