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Allan Ravagnani AI-451

Token: a moeda invisível que move a inteligência artificial e que você já está gastando; teste no simulador interativo

Publicado 19/04/2026 • 18:00 | Atualizado há 3 horas

Foto de Allan Ravagnani

Allan Ravagnani

Redator

Allan Ravagnani é jornalista há 20 anos, duas vezes eleito entre os 50 jornalistas de Economia mais admirados do Brasil. Assina a coluna AI-451 e é repórter do Times Brasil | CNBC. Estudou Publicidade na ESPM e Jornalismo na Fapcom, fez pós-graduações em Macroeconomia, Finanças e Ciência Política.

KEY POINTS

  • Token é a unidade de medida e cobrança das inteligências artificiais como ChatGPT, Claude e Gemini
  • Diferença entre uso de IA por programadores e pessoas comuns define qual plano vale a pena assinar
  • Entender o que são tokens explica limites de conversa, custos e por que a IA às vezes "esquece" o início
Balança antiga com fragmentos de texto luminosos de um lado e moedas do outro, representando o custo por token nas plataformas de inteligência artificial

Imagem gerada com inteligência artificial

Token é a unidade invisível que mede cada palavra que entra e sai de uma inteligência artificial

Aqui em AI-451 temos leitores iniciados, entusiastas e experts, que me mandam sugestões, correções e links antes mesmo de eu pensar na próxima pauta, e tem também os iniciantes, curiosos, que chegam cheios de dúvidas e saem daqui mais confusos do que entraram, culpa minha, reconheço.

Nas últimas semanas, uma pergunta veio várias vezes, por e-mail e mensagens: qual é a melhor IA para mim? Diante disso, resolvi começar uma série dentro de AI-451. Vou chamar de "IA para pessoas comuns", ou "IA para não programadores", dependendo do dia e do humor. A ideia é explicar alguns conceitos básicos, comparar as principais ferramentas e orientar quem está começando, sem transformar isso num manual técnico nem num elogio publicitário a nenhuma plataforma.

Este é o primeiro texto da série. Os próximos vêm em seguida.


IA para pessoas comuns

Antes de escolher qual IA usar

Imagine que você entrou numa cafeteria onde cada palavra do cardápio tem um preço por sílaba, onde o garçom cobra também pelo que ele fala para você, e onde o troco vem em pedaços de frase. Parece absurdo. Mas é mais ou menos assim que as grandes plataformas de inteligência artificial cobram de quem as acessa de forma profissional, pelo volume de linguagem que entra e sai da máquina, medido numa unidade chamada token.

A maioria das pessoas que usa ChatGPT, Claude ou Gemini pelo navegador nunca vai ver essa conta. Ela existe, mas quem paga é a empresa por trás da plataforma, embutida no custo da assinatura mensal ou absorvida como parte do plano gratuito. Para o usuário comum, isso é invisível. Para o programador que constrói uma ferramenta de atendimento ao cliente usando a mesma IA, é a planilha de custos que vai para o chefe toda semana.

O que é um token, afinal

Um token não é exatamente uma palavra, nem um caractere, nem uma sílaba. É algo no meio disso tudo. Em inglês, a palavra "cat" equivale a um token. Em português, "inteligência" pode virar dois ou três. A regra geral, usada pela maioria das plataformas, é que mil tokens equivalem a cerca de 750 palavras num texto em inglês, e um número um pouco menor em português, porque nossa língua é mais longa por natureza.

O que importa entender é que toda interação com uma IA tem dois lados do contador: o que entra (o seu texto, a sua pergunta, o documento que você colou) e o que sai (a resposta). Ambos são contados. Ambos têm custo. É o que o mercado chama de tokens de entrada e tokens de saída, e os de saída costumam ser mais caros, porque geram mais processamento.

Como programadores usam isso diferente

Quando um desenvolvedor integra uma IA ao sistema de uma empresa por meio da API, que é a interface técnica que conecta o modelo ao software, cada chamada ao sistema é cobrada por token. Nenhuma mensagem é gratuita. Se o sistema fizer mil perguntas por dia, o custo é mil vezes o valor por chamada. Por isso os programadores calibram os prompts com cirurgia: cada palavra desnecessária é dinheiro perdido.

Quanto custa o token, na prática

Para ter uma ideia de escala, os modelos mais potentes de cada plataforma cobram pela API valores que parecem pequenos na unidade mas crescem rápido no volume. O Claude Opus 4.6, da Anthropic, está hoje em torno de 5 dólares por milhão de tokens de entrada e 25 dólares por milhão de saída. O GPT-5, da OpenAI, sai por cerca de 1,25 dólar a entrada e 10 dólares a saída. O Gemini 2.5 Pro, do Google, cobra 1,25 dólar de entrada e 10 dólares de saída também. O Perplexity, que além de gerar texto faz busca em tempo real na web, cobra a partir de 1 dólar por milhão de tokens no modelo mais simples.

Esses números são para desenvolvedores, e desenvolvedores vivem em um mundo à parte. Quem usa a IA pelo navegador ou pelo celular não paga por token. Paga uma assinatura mensal fixa, ou não paga nada, dependendo do plano escolhido.

Agora, o Midjourney é um caso à parte, e vale a explicação. Ele não gera texto. Gera imagens a partir de descrições escritas, e por isso cobra de um jeito completamente diferente: não por palavra ou por caractere, mas por tempo de processamento nos servidores gráficos da empresa, chamado de tempo de GPU. O plano básico custa 10 dólares por mês e permite gerar cerca de 200 imagens. O plano seguinte, a 30 dólares, oferece uma quantidade maior de imagens em modo rápido e acesso ilimitado ao modo mais lento. Não existe versão gratuita. Quem quer usar o Midjourney, paga desde o primeiro clique.

É a mesma diferença que existe entre abastecer um carro e comprar uma passagem de ônibus. Os dois te levam de um lugar ao outro, mas a lógica de cobrança não tem nada em comum.

Faça você mesmo; como tokens são cobrados

Antes de continuar, um experimento. Digite qualquer frase no campo abaixo e veja o que acontece com ela antes de chegar à inteligência artificial. Cada pedaço colorido é um token, a unidade mínima que a IA lê, processa e cobra. A segunda aba mostra como o custo muda dependendo do que você pede para a máquina fazer, e por que um prompt curto às vezes gera uma conta longa.

Tokenizador IA v2 Dark
0
tokens
0
palavras
0
caracteres
$0.000000
custo entrada (GPT-5)
Os tokens aparecem aqui...

* Aproximação didática. Tokenizadores reais variam entre plataformas. Em português, palavras longas geram mais tokens do que em inglês.

Por que isso importa para quem não é programador

Porque as limitações que você sente no uso cotidiano da IA têm explicação nessa lógica. Quando o ChatGPT "esquece" o começo da conversa depois de um bom tempo de troca, é porque existe um limite de contexto, ou seja, uma janela máxima de tokens que o modelo consegue considerar ao mesmo tempo. Quando o plano gratuito interrompe a resposta no meio, é porque o sistema atingiu o teto de processamento para aquela sessão.

Entender o token não transforma ninguém em programador. Mas explica por que certas ferramentas têm limites, por que algumas tarefas pedem mais de uma conversa, e por que o mesmo modelo pode se comportar de formas completamente diferentes dependendo de como é acessado.

Nos próximos textos desta série, a gente vai examinar o que cada plataforma oferece de graça, quando vale a pena pagar, e para quem cada ferramenta foi, na prática, desenhada.



Dica rápida

Detectar vídeos gerados por inteligência artificial está ficando cada vez mais difícil. As ferramentas de detecção automática envelhecem rápido, e o que funcionava há seis meses já não funciona hoje.

Por isso, a dica aqui não é um software, é um método.

Quadro a quadro.

Quando um vídeo parecer estranho, com algo que não fecha, um movimento fora do lugar, uma textura que não deveria estar ali, desacelere a reprodução e observe frame por frame. É nesse intervalo entre um quadro e outro que a IA ainda trai.

Um objeto que muda de forma por uma fração de segundo, um dedo que some, uma sombra que não obedece à luz. O exemplo clássico: uma estátua segurando um triângulo num videoclipe acusado de ser gerado por IA. Por um instante brevíssimo, o instrumento ganha uma dimensão a mais. Num vídeo em velocidade normal, passa em branco.

Para fazer isso no YouTube, nem precisa de ferramenta: as teclas de ponto e vírgula do teclado avançam e voltam quadro a quadro. Para outros vídeos, o TubePilot funciona bem, com interface direta e sem frescura. O Anilyzer tem os mesmos recursos, mas a interface atrapalha um pouco a visualização. O WatchFrameByFrame aparece muito no Google, mas nem sempre carrega o vídeo certo.

Essas ferramentas surgem e somem com frequência. O método, esse fica.

Recebi essa dica na excelente newsletter Tools for Reporters.

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