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Escalada global encarece fertilizantes e aperta margens no campo

Publicado 20/04/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Preço da ureia subiu cerca de 80% e fertilizantes fosfatados avançaram perto de 30% desde o início das tensões.
  • Diesel acumulou alta de 20% a 25% em estados relevantes, ampliando o custo operacional no campo.
  • Projeção indica compra de 2 milhões de toneladas a menos de fertilizantes em 2026.

A nova edição do relatório Agroinfo, do Rabobank, aponta que o agronegócio brasileiro enfrenta um cenário mais pressionado diante da escalada geopolítica global, com impactos diretos sobre custos de produção, inflação e decisões de investimento.

Segundo Andy Duff, gerente de pesquisa da instituição em entrevista ao Times Brasil – licenciado exclusivamente CNBC, o conflito no Oriente Médio já provocou aumentos expressivos nos insumos agrícolas. Ele afirmou que o preço da ureia, fertilizante nitrogenado amplamente utilizado, subiu cerca de 80% desde o início das tensões. No caso de fertilizantes fosfatados, como o MAP, a alta foi de aproximadamente 30% no mesmo período.

Duff também destacou o impacto da energia sobre o setor. “Outro efeito bastante visível na economia brasileira é a alta do diesel. Mesmo com medidas do governo para tentar suavizar esse movimento, entre o fim de janeiro e a semana passada, o preço do combustível subiu entre 20% e 25% em estados importantes para o agro, como Mato Grosso, São Paulo, Paraná e Goiás. Isso representa um aumento expressivo de custos”, afirma.

Na avaliação do especialista, não há um único fator de preocupação, mas sim um conjunto de pressões simultâneas. Ele explicou que o momento atual ainda oferece algum fôlego na compra de fertilizantes, especialmente por estar fora do pico do ciclo, mas alertou que, caso os preços permaneçam elevados, o volume adquirido tende a cair.

“Nossa projeção preliminar para 2026 indica que o Brasil pode comprar cerca de 2 milhões de toneladas a menos de fertilizantes em relação ao ano passado, justamente por esse movimento de ajuste diante dos preços mais altos”, diz.

No segmento de açúcar e etanol, o cenário também é desafiador. Duff afirmou que há um excedente global de açúcar, o que pressionou os preços, com queda de cerca de 20% em dólar no último ano. Em reais, a retração é ainda maior, próxima de 30%, refletindo a valorização da moeda brasileira.

Para o etanol, a expectativa é de aumento de oferta, impulsionado por uma safra robusta de cana e pela expansão contínua do etanol de milho. Esse cenário tende a pressionar os preços, embora haja discussões no governo sobre elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, medida que poderia ajudar a reequilibrar o mercado.

Duff avalia que o produtor deve se preparar para um ciclo de margens mais apertadas ao longo do ano. Ele ressaltou que commodities como soja, milho e açúcar operam em um ambiente de oferta global abundante, o que limita ganhos de preço. Por outro lado, fatores como a possível ocorrência de El Niño no segundo semestre e a trajetória do câmbio podem introduzir volatilidade.

Segundo o banco, a taxa de câmbio, atualmente abaixo de R$ 5, pode subir ao longo do ano, com projeção de R$ 5,50 até o fim de 2026. Esse movimento, se confirmado, tende a oferecer algum alívio aos produtores ao elevar os preços das commodities em moeda local.

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