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Explosão de Chernobyl completa 40 anos neste domingo

Publicado 26/04/2026 • 21:15 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • A Ucrânia marca neste domingo o 40º aniversário da explosão na usina nuclear de Chernobyl, o pior desastre nuclear civil da história.
  • A data vem quatro anos após a invasão russa, que voltou a colocar a usina sob ameaça e aumentou o risco de uma nova catástrofe radioativa.
  • A seguir, cinco pontos importantes sobre o acidente e a situação atual da usina:

Wikimedia Commons

A Ucrânia marca neste domingo o 40º aniversário da explosão na usina nuclear de Chernobyl, o pior desastre nuclear civil da história.

A data vem quatro anos após a invasão russa, que voltou a colocar a usina sob ameaça e aumentou o risco de uma nova catástrofe radioativa.

A seguir, cinco pontos importantes sobre o acidente e a situação atual da usina:

Explosão

À 1h23 de 26 de abril de 1986, um erro humano durante um teste de segurança provocou a explosão do reator número 4 da usina de Chernobyl, no norte da Ucrânia, então parte da União Soviética.

A explosão destruiu o interior do prédio e lançou uma nuvem de fumaça radioativa na atmosfera, com combustível nuclear queimando por mais de 10 dias.

Milhares de toneladas de areia, argila e blocos de chumbo foram lançados por helicópteros para tentar conter o vazamento.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) concluiu que a principal causa foram “falhas graves no projeto do reator e do sistema de desligamento”, somadas a “violações dos procedimentos operacionais”.

Nuvem radioativa

Nos dias seguintes, a nuvem radioativa contaminou fortemente Ucrânia, Belarus e Rússia, antes de se espalhar por outras partes da Europa.

O primeiro alerta público só veio dois dias depois, em 28 de abril, quando a Suécia detectou níveis elevados de radiação.

A AIEA foi informada oficialmente em 30 de abril, mas o líder soviético Mikhail Gorbachev só reconheceu publicamente o acidente em 14 de maio.

Estima-se que milhares de pessoas tenham morrido por exposição à radiação, embora os números variem bastante.

Um relatório da ONU de 2005 apontou cerca de 4.000 mortes confirmadas e estimadas nos três países mais afetados. Já o Greenpeace, em 2006, falou em até 100.000 mortes.

Segundo a ONU, cerca de 600.000 pessoas participaram das operações de limpeza (os chamados “liquidadores”) e foram expostas à radiação.

O desastre aumentou o medo da energia nuclear e impulsionou movimentos antinucleares na Europa.

Ocupação russa

Forças russas ocuparam a usina no primeiro dia da invasão da Ucrânia em 2022.

O controle foi tomado sem combate direto, após a entrada de tropas e tanques pela Belarus.

Soldados russos chegaram a cavar trincheiras na chamada “Floresta Vermelha”, uma área altamente contaminada.

A ocupação levantou temores de que um incidente militar pudesse causar uma nova catástrofe nuclear.

As tropas russas se retiraram cerca de um mês depois, após não conseguirem cercar Kiev.

Novas ameaças

Os restos da usina são cobertos por uma estrutura interna de concreto e aço, o chamado sarcófago, construído às pressas após 1986.

Uma cobertura mais moderna, o Novo Confinamento Seguro, foi instalada entre 2016 e 2017 para substituir a estrutura antiga.

Essa proteção foi perfurada por um drone russo em fevereiro de 2025, comprometendo parte de sua função de contenção.

Um relatório do Greenpeace afirmou que a estrutura “não pode ser reparada no momento” e há risco de liberação de material radioativo.

O diretor da usina disse em 2025 que outro ataque poderia levar ao colapso da proteção.

Os reparos devem levar de três a quatro anos.

Zona de exclusão

A região ao redor da usina foi evacuada e se tornou uma zona de exclusão, com cidades e florestas abandonadas.

No total, cerca de 2.200 km² na Ucrânia e 2.600 km² em Belarus são praticamente inabitáveis.

A AIEA afirma que a área não será segura para habitação por dezenas de milhares de anos.

A cidade de Pripyat, a apenas 3 km da usina, foi totalmente evacuada após ter cerca de 48.000 habitantes em 1986.

Hoje, é uma cidade fantasma, com prédios em ruínas e um parque de diversões abandonado.

Antes da invasão russa em 2022, era possível fazer visitas guiadas, mas o local está fechado ao turismo há anos.

Sem presença humana, a área acabou virando uma espécie de reserva natural improvisada, onde espécies raras como o cavalo de Przewalski foram reintroduzidas em 1998.

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