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A verdadeira revolução da IA é cultural
Publicado 19/09/2025 • 07:18 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 19/09/2025 • 07:18 | Atualizado há 5 meses
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Estamos preparando nossa organização em todas as suas dimensões — racional, emocional, grupal e inconsciente — para surfar essa onda?
Essa é a pergunta que deveria estar na mesa de todo CEO hoje. O tsunami da inteligência artificial não é apenas uma questão de algoritmos ou dashboards. Ele redefine vínculos, redistribui poder e mobiliza ansiedades coletivas. A verdadeira ameaça não é tecnológica — é cultural.
1. Tecnologia sem cultura não gera valor
O erro mais comum é acreditar que basta investir em IA para estar preparado. Pesquisas do BCG e da Microsoft mostram que quase todas as empresas já testam a tecnologia, mas apenas uma minoria consegue extrair valor consistente. O problema não está nos algoritmos — está na cultura que os recebe.
Organizações presas a crenças rígidas, cargos zumbis, vacas sagradas e pactos silenciosos tendem a sabotar qualquer inovação. Estruturas engessadas sustentam a aparência de estabilidade, mas em contextos líquidos tornam-se frágeis, incapazes de responder à complexidade.
Sem transformação cultural, a IA será apenas uma digitalização do velho: novas ferramentas aplicadas a lógicas antigas, incapazes de produzir impacto real. Não é a tecnologia que se adapta à cultura — é a cultura que precisa se expandir para acolher a tecnologia.
2. Velocidade não substitui preparo
Conselhos de administração e investidores pressionam executivos a exibir resultados rápidos: projetos-piloto lançados em semanas, dashboards sofisticados, relatórios cintilantes que impressionam em apresentações de board. Mas acelerar sem preparar é corroer a confiança interna.
O risco não é apenas o fracasso técnico de uma iniciativa mal estruturada. É a corrosão simbólica da credibilidade da liderança. Quando as equipes percebem que a transformação é apenas vitrine, instala-se o cinismo: surgem o desengajamento, as resistências veladas e até sabotagens silenciosas.
Toda organização se sustenta em alianças inconscientes, muitas vezes invisíveis, que mantêm a coesão dos grupos. Ignorá-las é decretar o fracasso da mudança, por mais robusto que seja o investimento em tecnologia.
Preparar exige tempo e método: elaborar medos coletivos, revisar pactos tácitos, sustentar lutos institucionais e construir novos vínculos de pertencimento. É esse trabalho paciente — muitas vezes invisível — que garante a solidez da transformação quando a onda da IA pressiona com mais força.
3. O lado invisível da onda: emoções e vínculos
Toda transformação tecnológica mobiliza fantasmas coletivos:
· Medo de obsolescência — a sensação de que o valor pessoal e profissional pode desaparecer.
· Ansiedade de substituição — a dúvida se o “colega digital” será concorrente ou aliado.
· Raiva diante da falta de clareza — quando a liderança promete futuro, mas não explica o caminho.
· Luto simbólico pelo fim de identidades profissionais — a dor de abandonar práticas que sustentaram carreiras inteiras.
É nesse ponto que a liderança se revela decisiva. Líderes não representam apenas expertise técnica — eles encarnam medos e esperanças do grupo. Se a IA assume o papel da autoridade técnica, cabe à liderança humana sustentar vínculos, confiança e promessa de futuro.
Preparar não é só treinar em novas ferramentas. É abrir espaços de escuta, dar nome ao não-dito, legitimar sentimentos e transformar ansiedade em energia criativa. O que parece fragilidade pode se converter em potência, se bem trabalhado.
4. Liderança adaptativa: sustentar o desconforto
Um dos melhores resumos da liderança contemporânea é: “desapontar as pessoas no ritmo que elas conseguem suportar.” Esse é o núcleo da travessia da IA. Não se trata de eliminar o desconforto — até porque ele é inevitável — mas de sustentar a tensão do novo sem colapsar o sistema.
Isso exige líderes pós-tribais, capazes de romper lealdades estreitas e inaugurar futuros coletivos. Líderes que compreendem que nenhuma transformação se sustenta sem enfrentar pactos inconscientes e emoções coletivas.
A liderança adaptativa não busca consenso total. Ela aceita o conflito como parte da mudança, mas regula sua intensidade para que o sistema não entre em colapso. Esse é o equilíbrio delicado que diferencia líderes capazes de atravessar o tsunami daqueles que ficam à deriva.
5. Do comando à mediação simbólica
A autoridade clássica, baseada em comando e controle, está sendo deslocada pela IA. A gestão intermediária está sendo esvaziada de funções técnicas. O que sobra para o humano é o que sempre foi essencial: a mediação simbólica dos vínculos coletivos.
O líder do futuro será menos gestor de tarefas e mais curador de significados. Seu papel será sustentar confiança, simbolizar lutos e inaugurar novos pactos de pertencimento. Em vez de medir apenas eficiência, terá de garantir coesão simbólica, engajamento e clareza de propósito.
Na prática, isso significa que a IA pode organizar dados e decisões, mas só a liderança humana pode organizar vínculos.
6. A bússola da transformação: Uma metodologia em quatro dimensões
Essa metodologia não nasceu por acaso: ela é resultado de décadas de pesquisa e prática, desenvolvida precisamente para preparar organizações diante de ondas transformacionais como o atual tsunami da IA. Ela integra quatro dimensões inseparáveis:
· O Racional: clareza estratégica, governança ética e alinhamento da IA ao core do negócio.
· O Emocional: elaboração de medos e lutos organizacionais, com líderes capazes de sustentar o desconforto.
· O Grupo: compreensão dos padrões coletivos, alianças e tensões que moldam a dinâmica social da empresa.
· O Inconsciente: identificação de cargos zumbis, vacas sagradas e pactos silenciosos que precisam ser transformados em pactos de futuro.
Essa abordagem se desdobra em cinco movimentos práticos: diagnosticar o visível e o invisível, mapear pactos, elaborar lutos, redesenhar vínculos e institucionalizar o futuro.
Em outras palavras: não basta comprar tecnologia. É preciso preparar o corpo simbólico da organização para sustentar o impacto da onda.
Conclusão: Cultura é a verdadeira defesa
O tsunami da IA não é uma ameaça passageira. É a paisagem definitiva dos negócios. E não se enfrenta apenas com mais ferramentas, mas com culturas capazes de transformar medo em confiança, luto em futuro e resistência em energia criativa.
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