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Aço brasileiro é pressionado por novo tarifaço apesar de escapar da tarifa de 25%
Publicado 02/06/2026 • 22:19 | Atualizado há 4 dias
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Publicado 02/06/2026 • 22:19 | Atualizado há 4 dias
KEY POINTS
Siderúrgicas.
Aço ficou de fora de novas tarifas de Trump
O aço brasileiro ficou de fora da proposta americana de impor tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, divulgada nesta terça-feira (2). Produtos como aço, alumínio e outros metais são enquadrados em um dispositivo separado, a Seção 232, que trata essa classe de produtos como tema de segurança nacional.
Ficar fora da lista, no entanto, não significa ficar fora do impacto. Gerdau, Usiminas e CSN podem enfrentar riscos nos próximos trimestres, diante de pressão de custos, concorrência importada e um ambiente diplomático mais difícil para negociações com os Estados Unidos.
O primeiro canal de pressão passa pela macroeconomia brasileira. Uma tarifa de 25% sobre produtos do agronegócio e manufaturados tende a reduzir a receita de exportação do país, desacelerar o crescimento e comprimir a demanda por aço em construção civil, infraestrutura e bens de capital, setores que respondem por parcela relevante do consumo doméstico de aço no Brasil.
O agravante é que o mercado interno já estava fragilizado antes da nova tensão comercial. A penetração de importações de aço longo saltou de 9% para 16% entre fevereiro e março de 2026, enquanto as margens Ebitda das siderúrgicas brasileiras seguem abaixo de 10%.
Esse é um patamar que analistas do setor não veem se alterando de forma sustentável no curto prazo, mesmo após os reajustes de preço anunciados para o vergalhão em abril e maio. A demanda ainda não sustenta a implementação plena desses aumentos.
A pressão tarifária sobre outros setores da economia brasileira reduz ainda mais o espaço para que essa recuperação ganhe consistência.
Leia também: Canadá quer estender acordo USMCA e discute tarifas com Estados Unidos e México
O segundo canal de pressão é mais específico e atinge um ponto que o setor siderúrgico já monitorava com atenção. O segmento automotivo americano depende de peças e componentes fabricados no Brasil, e esses itens figuram entre os produtos que passam a enfrentar a tarifa de 25% proposta pela Seção 301.
A medida pode desorganizar cadeias de fornecimento que abastecem diretamente montadoras instaladas nos Estados Unidos.
A ruptura nessa cadeia afeta a produção de aços especiais, insumo para o segmento automotivo americano, em um momento em que relatórios recentes ao mercado já sinalizavam que o setor automotivo representava a dinâmica mais difícil dentro das operações siderúrgicas na América do Norte.
A proposta americana adiciona uma nova variável a esse quadro. A pressão deixa de vir apenas da demanda final e passa a alcançar também o fornecimento de peças que organiza a produção das próprias montadoras.
O terceiro canal é o mais silencioso e, possivelmente, o de consequências mais duradouras. A Seção 232, que regula o aço, prevê a possibilidade de negociação de cotas e isenções bilaterais.
Em 2018, no primeiro governo Trump, o Brasil conseguiu fechar um acordo desse tipo, garantindo acesso sem tarifa para até 3,5 milhões de toneladas de aço semiacabado por ano. O volume representa mais de 60% da necessidade americana de aço semiacabado.
Hoje, porém, o Brasil acumula frentes de acusação abertas pelos Estados Unidos em um único documento, que vão de censura digital e corrupção a desmatamento ilegal.
Tentar abrir uma negociação de isenção tarifária para o aço nesse ambiente é uma tarefa mais complexa do que foi em 2018. A Seção 301 não toca o aço diretamente, mas contamina a mesa onde qualquer acordo sobre o setor precisaria ser negociado.
Essa deterioração estreita a margem diplomática justamente no momento em que o setor mais precisaria dela.
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Enquanto o Brasil administra esse ambiente, um movimento silencioso avança em suas fronteiras. Um grupo empresarial ligado às províncias de Zhejiang e Fujian, na China, está construindo uma planta de cerca de 200 mil toneladas por ano de vergalhão e fio-máquina em Yguazú, no Paraguai.
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Seguir no GoogleO projeto, sob o nome Acereste, deve direcionar cerca de 70% da produção ao mercado brasileiro. Representantes comerciais do grupo já percorrem distribuidores em São Paulo e no Paraná para prospectar contratos de fornecimento antes mesmo da inauguração, prevista para junho deste ano.
🔍 Vergalhão e fio-máquina são produtos de aço longo usados principalmente na construção civil. O segmento de aço longo é hoje o único sem cobertura ativa de medidas antidumping no Brasil, o que o torna o ponto de entrada natural para importações de origem chinesa.
O movimento é uma resposta ao fechamento parcial do mercado de aço plano pelas medidas antidumping implementadas em fevereiro de 2026, que reduziram a penetração do aço plano importado de 33% para 23% em março.
Com isso, o capital chinês migra para onde a porta ainda está aberta, e o faz de dentro do Mercosul, com uma fábrica paraguaia que formalmente não está sujeita às mesmas barreiras.
A escala da Acereste ainda é pequena, mas o modelo, se demonstrar viabilidade comercial, pode ser replicado com rapidez. O canal com distribuidores brasileiros já está sendo construído antes da primeira tonelada sair da linha de produção.
Leia também: Entenda por que tarifa dos EUA contra o Brasil deve avançar apesar de espaço para negociações
Um relatório do Bradesco de junho de 2025 estimou que a tarifa de 50% imposta pela Seção 232 sobre o aço estrangeiro nos Estados Unidos, vigente desde 4 de junho daquele ano, já era capaz de derrubar as exportações brasileiras do metal em 11%.
Isso equivaleria a 1,6 milhão de toneladas a menos e perda de US$ 1,5 bilhão em receitas. A nova proposta tarifária não entra nessa conta, mas aprofunda o isolamento do Brasil em uma negociação que já estava complicada.
O setor passa a administrar pressões simultâneas por diferentes frentes, sem alívio claro no horizonte próximo.
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