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Adiamentos empurram carteira bilionária de infraestrutura para o próximo governo
Publicado 21/09/2026 • 08:19 | Atualizado há 45 minutos
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Publicado 21/09/2026 • 08:19 | Atualizado há 45 minutos
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Uma parcela relevante dos projetos de infraestrutura que o governo federal planejava levar a leilão em 2026 deverá ficar para 2027 ou para os anos seguintes. A lista reúne concessões de rodovias, ferrovias, portos e hidrovias e soma ao menos R$ 204 bilhões em investimentos previstos, embora o valor possa aumentar, pois alguns empreendimentos ainda não possuem estimativas consolidadas.
Os adiamentos ocorrem por motivos distintos, entre eles revisões de estudos, alterações de calendário, processos regulatórios ainda em andamento e dificuldades para concluir a modelagem de determinados projetos. Também pesaram o volume de processos sob responsabilidade das agências federais e discussões no Tribunal de Contas da União (TCU).
No setor rodoviário, o Ministério dos Transportes havia divulgado uma carteira de 13 leilões para 2026. Até setembro, três haviam sido realizados: o lote das Rotas Gerais, envolvendo trechos das BRs 116 e 251 em Minas Gerais; a Rota dos Sertões, nas BRs 116 e 324 entre Bahia e Pernambuco; e um trecho da BR-153 que passou por repactuação contratual.
De acordo com a Folha de S. Paulo, a previsão da pasta era promover outros quatro certames até o fim do ano, chegando a sete operações em 2026. Parte dos demais projetos foi transferida para o calendário seguinte. Segundo os dados apresentados no material, os empreendimentos rodoviários adiados representam aproximadamente R$ 28,8 bilhões em investimentos previstos.
Entre os projetos postergados estão intervenções ligadas à Rodovia Transbrasiliana, à Rota Planalto Sul e à Rota Litoral Sul, além de lotes das Rodovias Integradas de Santa Catarina. Alguns desses contratos são concessões antigas que passaram por processos de revisão e reorganização antes de retornarem à agenda do governo.
Leia também: Leilão do canal de Santos será teste para novo modelo de concessões portuárias
A carteira ferroviária responde pela maior parte dos recursos associados aos projetos que deverão avançar no próximo mandato. O volume estimado chega a R$ 154,9 bilhões. Entre os corredores apresentados estão trechos das malhas Oeste e Sul, o corredor Leste-Oeste, a extensão da Ferrovia Norte-Sul e projetos no Sudeste e no Sul do país.
Dos oito leilões que estavam no planejamento do Ministério dos Transportes, apenas um ainda era esperado para 2026: o corredor Minas-Rio, previsto para dezembro. Paralelamente, o governo apresentou ao mercado uma carteira de ferrovias de curta extensão voltadas principalmente ao transporte de cargas e, em alguns casos, de passageiros.
A estratégia inclui projetos estruturados sob modelos diferentes das concessões tradicionais. Em determinadas situações, empresas privadas podem assumir a construção e a operação das linhas por sua própria conta, dentro do regime de autorização. Já as concessões exigem processos mais longos de estudos, análise regulatória e preparação de editais.
O cronograma do Ministério de Portos e Aeroportos também avançou em ritmo inferior ao inicialmente previsto. No começo do ano, a pasta apresentou uma carteira de 18 leilões portuários para 2026. Até setembro, três haviam sido realizados, deixando 15 projetos sem licitação.
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Siga o Times | CNBCOs empreendimentos ainda pendentes somam pelo menos R$ 20,8 bilhões em investimentos estimados. Esse número considera 13 projetos para os quais já havia valores divulgados. Outros ainda estavam em fase de definição, o que significa que o total poderá crescer.
A carteira inclui arrendamentos de terminais e concessões de canais de acesso aos portos. Um dos principais projetos é o Tecon Santos 10, no Porto de Santos, com previsão de R$ 6,4 bilhões em investimentos. O modelo da licitação vinha sendo discutido dentro do próprio governo e permanecia sem data definida para o leilão.
Outro empreendimento é o terminal ITJ01, no Porto de Itajaí, em Santa Catarina, com estimativa de R$ 2,66 bilhões. O projeto havia passado por consulta e audiência pública entre junho e agosto. Também estava em preparação a concessão do canal de acesso ao Porto de Santos, estimada em R$ 6,45 bilhões.
Nesse modelo, a empresa vencedora passa a responder por atividades como dragagem e manutenção dos acessos marítimos, recebendo em contrapartida receitas vinculadas aos serviços prestados.
As concessões de hidrovias também foram transferidas para períodos posteriores. O governo pretendia avançar com cinco projetos, mas nenhum deveria chegar a leilão em 2026.
A proposta envolve conceder à iniciativa privada serviços como dragagem, sinalização, balizamento, monitoramento e manutenção de vias navegáveis. Entre os projetos citados estão os rios Madeira, Tocantins e Tapajós, além de uma hidrovia federal no rio Paraguai.
Os calendários foram sendo revistos conforme os estudos identificavam questões técnicas, ambientais e jurídicas que precisavam ser resolvidas antes da publicação dos editais. Por isso, os projetos encontram-se em diferentes fases de preparação.
Os adiamentos ocorrem após um período de expansão do programa federal de concessões. Entre 2023 e 2025, foram realizados 50 leilões envolvendo rodovias, portos e aeroportos, segundo levantamento dos ministérios responsáveis pelas áreas de transportes e infraestrutura.
A etapa seguinte passou a reunir empreendimentos mais complexos e, em vários casos, ainda dependentes de estudos, consultas públicas ou definição do modelo regulatório. Especialistas citados no material avaliam que, depois de projetos considerados mais simples ou mais atrativos terem avançado, parte da carteira restante exige maior esforço de estruturação.
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