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Lula diz que saiu “muito satisfeito” de reunião com Trump na Casa Branca
Publicado 07/05/2026 • 16:21 | Atualizado há 14 minutos
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Publicado 07/05/2026 • 16:21 | Atualizado há 14 minutos
KEY POINTS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (7) que saiu “muito satisfeito” da reunião com Donald Trump e disse que o Brasil está disposto a discutir com qualquer país, mas sem abrir mão da soberania nacional. A declaração foi dada durante entrevista coletiva na Embaixada do Brasil em Washington, D.C., após o encontro com o presidente americano na Casa Branca.
“Eu saio muito, muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos”, afirmou Lula.
O presidente disse que Brasil e Estados Unidos deram “um passo importante” na relação bilateral e defendeu que a boa relação entre os dois países pode servir de exemplo ao mundo.
“Nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos”, disse. “Nós somos as duas maiores democracias do Hemisfério.”
Lula também afirmou que não há temas proibidos na relação com outros países, desde que sejam preservadas a democracia e a soberania brasileira.
“O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo qualquer assunto. Nós não temos veto. Não tem assunto proibido. A única coisa que nós não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, disse.
A reunião ocorreu a portas fechadas e durou cerca de três horas, acima do tempo previsto inicialmente. Segundo integrantes do governo brasileiro, foram discutidos temas como comércio, tarifas, minerais críticos, segurança pública e combate ao crime organizado.
Lula afirmou que entregou a Trump, por escrito e em inglês, as propostas discutidas durante o encontro.
“Eu terminei a reunião entregando para ele cada proposta nossa escrita em inglês, que é para ele saber o que nós queremos, para não ter dúvida daquilo que nós queremos”, afirmou.
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Na área comercial, Lula disse estar otimista sobre as negociações com os Estados Unidos e afirmou que houve divergências entre os dois governos durante a reunião. Segundo ele, a solução foi dar prazo de 30 dias para que as equipes técnicas tentem resolver os impasses.
“Você acha que eu estou otimista ou pessimista? Eu estou muito otimista”, disse.
O presidente afirmou que propôs a criação de um grupo de trabalho para tratar das tarifas e da relação comercial entre os dois países.
“Como a gente não podia ficar debatendo o dia inteiro sobre isso, eu propus: vamos dar 30 dias para esses companheiros resolverem o problema e lá voltamos a conversar”, afirmou.
Lula também disse ter defendido que o Brasil não cobra tarifas elevadas dos Estados Unidos. Segundo ele, a média de imposto aplicada pelo Brasil aos produtos americanos é de 2,7%.
“Ele sempre acha que nós cobramos muito imposto. Eu sempre digo: ‘Não, porque a média do imposto que nós cobramos de vocês é 2,7%, apenas 2,7%’”, disse.
O presidente afirmou ainda que os dois países precisam evitar que decisões políticas fiquem travadas na burocracia.
“A máquina pública é eterna. O presidente tem prazo de validade, tem data para entrar e data para sair. Então é preciso que a gente estabeleça plano de metas em cada reunião”, disse.
Lula também defendeu que os Estados Unidos voltem a investir no Brasil e disse que o país quer atrair mais projetos, inclusive em áreas como transição energética e infraestrutura digital.
“Nós temos muito interesse que os Estados Unidos voltem a investir no Brasil”, afirmou.
Ao comentar a instalação de data centers no país, Lula disse que empresas interessadas deverão arcar com a produção de energia necessária para essas operações.
“Alguém quer fazer data center no Brasil, tem que produzir sua própria energia, porque nós não vamos gastar dinheiro para criar data center para mandar dado para outros países”, disse. “Nós queremos dados para nós.”
Questionado sobre a investigação da Seção 301 e o Pix, Lula afirmou que Trump não tratou do sistema brasileiro de pagamentos na reunião.
“Ele não tocou no assunto do Pix, então também não toquei, porque eu espero que um dia ele ainda vá fazer um Pix”, disse.
Sobre a Seção 301, Lula disse que o Brasil levantou a tese de que a investigação contra o país não tem procedência e reforçou a proposta de uma solução em até 30 dias.
“Eu acho que vai terminar bem no acordo entre o Brasil e Estados Unidos na questão comercial”, afirmou.
Leia também: Terras raras e tarifas devem dominar encontro entre Lula e Trump, avalia especialista
Na área de segurança, Lula afirmou que propôs a Trump a criação de um grupo de trabalho internacional para combater o crime organizado. Segundo o presidente, o tema deve ser tratado de forma compartilhada, e não como uma agenda de hegemonia de um país sobre outro.
“Eu disse para ele que nós estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América do Sul, com todo o país da América Latina e, quiçá, com todos os países do mundo, para a gente criar um grupo forte de combate ao crime organizado”, afirmou.
Lula também disse que o Brasil tem experiência no combate ao tráfico de drogas e de armas, mas cobrou cooperação dos Estados Unidos em temas como armas e lavagem de dinheiro.
“É importante saber que parte das armas que chegam no Brasil sai dos Estados Unidos. É importante também que tem lavagem de dinheiro que é feita em estados americanos”, disse.
Questionado sobre segurança pública, Lula afirmou que não foi discutida a possibilidade de classificar facções brasileiras como organizações terroristas. O presidente disse que o governo brasileiro lançará, a partir da próxima semana, um plano de combate ao crime organizado.
“A partir da semana que vem, vamos lançar um plano de combate ao crime organizado que é para valer. Quem escapou até a semana que vem, tudo bem, mas quem não escapou não vai escapar mais”, afirmou.
Segundo Lula, uma das frentes será financeira, com foco em enfraquecer o poder econômico das facções.
“Nós precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções. Se a gente não destruir, eles hoje viraram, em alguns casos, empresas multinacionais”, disse.
Lula afirmou que a pauta de minerais críticos também foi tratada com Trump e disse que o tema é uma questão de soberania nacional. O presidente afirmou que o Brasil ainda conhece apenas parte de seu território e pretende ampliar parcerias com empresas estrangeiras para explorar esse potencial.
“Nós não temos preferência. O que nós queremos é fazer parceria, compartilhar com as empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas. Quem quiser participar conosco para ajudar a gente a fazer a mineração, a separação e produzir a riqueza que essas terras raras nos oferecem está convidado para ir ao Brasil”, afirmou.
O presidente disse ainda que o Brasil não quer repetir, com terras raras e minerais críticos, a lógica histórica de exportar matéria-prima sem desenvolver a cadeia produtiva no país.
“O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas”, disse. “Nós queremos que o Brasil seja o grande ganhador dessa riqueza que a natureza nos deu.”
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Questionado sobre Venezuela, Cuba e outros países da região, Lula disse que Trump não mudaria seu jeito de ser por causa de uma única reunião, mas afirmou que fez questão de apresentar ao presidente americano sua visão sobre conflitos internacionais.
“O Trump não vai mudar o jeito dele ser por causa de uma reunião que durou três horas comigo”, disse Lula.
O presidente afirmou que se colocou à disposição para discutir qualquer tema com Trump, mas voltou a defender o diálogo como caminho para conflitos internacionais.
“Eu disse para ele que eu tenho interesse em discutir qualquer assunto que ele precisar discutir e quiser discutir comigo sobre Cuba, sobre Venezuela, sobre Irã, sobre o que ele quiser”, afirmou. “Eu não tenho vocação belicista, a minha vocação é de diálogo.”
Lula afirmou que ouviu, pela tradução, que Trump não pensa em invadir Cuba. O presidente brasileiro disse considerar isso “um grande sinal” e voltou a defender o fim do bloqueio ao país.
Lula também afirmou que entregou a Trump o acordo firmado em 2010 por Brasil e Turquia sobre o programa nuclear do Irã. Segundo o presidente, o documento mostra que é possível negociar com paciência e capacidade de persuasão.
“Eu entreguei para o presidente Trump o acordo que nós fizemos em 2010”, afirmou. “E, se precisar conversar, outra vez eu conversarei. É possível convencer.”
Lula também afirmou que discutiu com Trump a necessidade de reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente do Conselho de Segurança. Segundo o presidente, a estrutura atual reflete uma geopolítica ultrapassada.
“A geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945. O mundo é outro, a comunicação é outra”, disse.
O presidente voltou a criticar a guerra como solução política e disse que o custo humano dos conflitos reforça a necessidade de negociação.
“Todo mundo sabe como é que começa uma guerra. Como termina, ninguém sabe”, afirmou.
Questionado sobre a relação com Trump após declarações anteriores e eventual interferência em eleições brasileiras, Lula afirmou que não acredita em influência externa sobre a disputa no Brasil.
“Se ele tentou interferir nas eleições brasileiras, ele perdeu, porque eu ganhei as eleições”, disse.
O presidente afirmou que a relação com Trump evoluiu desde o primeiro encontro entre os dois, na Assembleia Geral da ONU, e classificou o diálogo atual como “muito bom”.
“Eu tenho razões para acreditar que o Trump gosta do Brasil. E por isso eu quero que ele saiba que nós brasileiros temos interesse em fazer os melhores acordos com os Estados Unidos”, afirmou.
Lula também disse que não discutiria eleição brasileira com nenhum presidente estrangeiro.
“Não existe nenhuma possibilidade de eu discutir esse assunto com qualquer presidente de qualquer país do mundo. Esse é um assunto brasileiro”, disse.
O presidente afirmou ainda que entregou a Trump uma lista de autoridades brasileiras que continuam impedidas de entrar nos Estados Unidos. Segundo Lula, o pedido inclui ministros do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República e familiares de autoridades.
“Eu entreguei a lista outra vez para ele saber. Tem muita gente importante que está aqui”, disse. “São muitos ministros da Suprema Corte, o procurador-geral, a filha do Padilha de 10 anos. Qual é a lógica?”
Leia também: Veja as fotos do encontro bilateral entre Lula e Donald Trump na Casa Branca
Lula também comentou o clima da reunião e brincou com a imagem dos dois líderes sorrindo.
“Eu sempre acho que a fotografia vale muito. E vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia. E eu fiz questão de rir para ele rir um pouco”, disse.
Em tom de brincadeira, o presidente mencionou a Copa do Mundo e disse esperar que Trump não anule o visto de jogadores da seleção brasileira.
“Eu espero que você não venha anular um visto do jogador brasileiro para a seleção. Por favor, não faça isso, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo”, afirmou. “Ele riu, porque agora ele vai rir sempre. Ele aprendeu que rir é muito bom.”
Antes de Lula falar à imprensa, ministros que acompanharam o presidente na reunião com Trump fizeram um balanço do encontro e destacaram avanços nas discussões sobre tarifas, comércio bilateral, crime organizado e minerais críticos.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a reunião durou três horas e ultrapassou em mais de uma hora o tempo previsto inicialmente. Segundo ele, o encontro ocorreu em “clima muito positivo, muito amistoso” e tratou dos principais temas de interesse dos dois países.
“Foram basicamente discutidos os temas relativos ao comércio bilateral e a questão das tarifas impostas pelo governo americano, em detalhes. Depois, foram discutidas questões relativas à cooperação em crimes transnacionais, combate ao crime organizado. Também discutimos questões relativas aos minerais críticos”, disse Vieira.
O chanceler afirmou ainda que a reunião foi “muito produtiva” e que os presidentes estabeleceram “missões para cada uma das áreas”.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que a conversa avançou sobre a Seção 301, processo que preocupa o governo brasileiro. Segundo ele, o Brasil reiterou aos americanos os dados já apresentados e defendeu o encerramento da investigação.
“Discutimos a Seção 301, que é uma grande preocupação. Apresentamos, reiteramos a eles todos os dados e informações que já foram apresentados, indicando a necessidade de conclusão da Seção 301”, afirmou.
Rosa disse ainda que os dois lados voltarão a se reunir nas próximas semanas para negociar tarifas e uma nova regra para o futuro.
“Ficou pactuado que USTR, Departamento de Comércio, MRE e MDIC voltarão, nas próximas semanas, a negociar o fim das tarifas e o estabelecimento de uma nova regra para o futuro”, disse.
Na área de segurança, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, classificou a reunião como “extraordinária” e afirmou que Lula tratou cuidadosamente dos temas levados ao encontro. Segundo ele, Trump ouviu as propostas brasileiras com atenção.
“O presidente Trump, com extrema deferência, ouviu, discutiu com toda a sua equipe, atenciosamente”, afirmou.
Lewandowski disse que o governo brasileiro apresentou propostas de cooperação contra o crime organizado e que a pauta também envolveu medidas de asfixia financeira das organizações criminosas, em parceria com o Ministério da Fazenda.
“Nós tivemos também a parceria, nessa matéria, do Ministério da Fazenda, que colocou muitas questões no que diz respeito à asfixia financeira. Portanto, eu considero a reunião muito exitosa”, disse.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que apresentou à equipe americana uma avaliação sobre o momento da economia brasileira, com inflação sob controle e crescimento acima do esperado.
“Disse a eles que a economia do Brasil está vivendo um bom momento, momento de estabilidade, com inflação sob controle, com crescimento acima do esperado, inclusive pelas previsões do FMI e das demais agências internacionais”, afirmou.
Durigan também disse que os números do comércio bilateral reforçam o pleito brasileiro nas negociações com os Estados Unidos. Segundo ele, pelos dados do MDIC, o Brasil teve déficit próximo a US$ 20 bilhões com os americanos em 2025. Pelas estatísticas dos Estados Unidos, esse déficit se aproxima de US$ 30 bilhões.
“O número deles inclusive dá mais razão ao nosso pleito”, disse.
O encontro ocorreu a portas fechadas e teve como pano de fundo temas sensíveis da relação bilateral, como comércio, tarifas, minerais críticos, segurança e combate ao crime organizado. A agenda é acompanhada de perto pelo governo brasileiro em meio às tentativas de destravar a relação com Washington e reduzir tensões comerciais entre os dois países.
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