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Alta do petróleo pode destravar bilhões em investimentos no Brasil, avalia Abespetro
Publicado 02/03/2026 • 19:09 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 02/03/2026 • 19:09 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Tânia Rêgo / Agência Brasil
A eventual escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã pode abrir uma janela de oportunidade para o setor de petróleo no Brasil. Segundo o presidente da Abespetro, Telmo Ghiorzi, se o barril alcançar US$ 100 (R$ 518,00), projetos atualmente engavetados por falta de viabilidade econômica podem voltar à pauta das empresas.
Ghiorzi afirmou que o Brasil deve sofrer impacto limitado com os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Para ele, o cenário pode até gerar efeitos positivos caso a alta da commodity se sustente.
“Tem um lado positivo no meio de uma guerra brutal como essa. Se o preço continuar subindo, se chegar a US$ 100 (R$ 518,00), pode ser que alguns projetos de exploração que seriam inviáveis do ponto de vista econômico possam se tornar viáveis”, disse. Ele ponderou, contudo, que seria necessário aguardar três a seis meses para avaliar se o conflito terá caráter duradouro, destacando que considera esse cenário improvável.
Um exemplo citado é a Petrobras, que mantém US$ 10 bilhões (R$ 51,8 bilhões) em projetos suspensos dentro de um plano total de US$ 109 bilhões (R$ 564,62 bilhões) previsto para o Plano de Negócios 2026-2030. Esses recursos dependem de um ambiente de preços mais favorável para sair do papel.
Leia também: Entenda por que o conflito no Irã afeta as ações da Petrobras
De acordo com Ghiorzi, a elevação das cotações também pode estimular a demanda por sondas de exploração, equipamentos que costumam reagir com maior rapidez às mudanças nas condições de mercado. Ainda assim, ele ressalta que não se trata de um movimento imediato.
Entre os possíveis desdobramentos internacionais, o executivo menciona a eventual aceleração dos planos dos Estados Unidos na Venezuela. Nesse caso, o impacto sobre as sondas brasileiras seria limitado, já que a produção venezuelana é predominantemente onshore (em terra), enquanto o Brasil tem foco maior no offshore (marítimo).
Ele também citou que a França anunciou há dois meses a possibilidade de retomar a produção de petróleo em seu território, especialmente na Margem Equatorial da Guiana Francesa, área de exploração offshore. Caso haja aceleração desses projetos diante do novo cenário geopolítico, pode haver aumento na procura por sondas e, consequentemente, pressão sobre preços.
Segundo Ghiorzi, o Brasil importa poucos equipamentos do Irã e nada do restante do Oriente Médio, o que reduz a exposição direta ao conflito. Para ele, desde que a infraestrutura industrial de países como China, Cingapura e Coreia não seja afetada, o setor nacional não enfrenta ameaça relevante no horizonte imediato.
“Uma vez que a infraestrutura industrial da China, Cingapura, Coreia não se afetem, o risco do Brasil na área de petróleo não tem ameaça relevante à frente”, concluiu.
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