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Apex Partners reconhece dívida de R$ 985 milhões e recorre à Justiça antes de recuperação judicial
Publicado 08/08/2026 • 09:03 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 08/08/2026 • 09:03 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Divulgação
Um dia após afastar o fundador Fernando Antonio Kulnig Cinelli e o diretor financeiro Eduardo Siqueira, o Grupo Apex Partners recorreu à Justiça para tentar preservar suas operações enquanto apura a situação financeira da companhia.
Em pedido apresentado à Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, o grupo solicitou uma medida cautelar que suspenda temporariamente a cobrança de suas dívidas e informou que pretende apresentar um pedido de recuperação judicial no prazo de até 30 dias.
A petição estima, de forma preliminar, um passivo de aproximadamente R$ 985,6 milhões, calculado com base em informações de 30 de junho de 2026. Os números ainda podem ser alterados durante o processo de verificação contábil e financeira.
A Apex não pediu formalmente a recuperação judicial neste momento. A estratégia apresentada à Justiça é obter proteção por 60 dias para concluir o levantamento de seus ativos, passivos e compromissos.
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Entre as medidas solicitadas estão a interrupção temporária da exigibilidade das obrigações financeiras, a suspensão de processos de execução e a restrição a protestos e mecanismos bancários que possam bloquear recursos.
A empresa afirma que as informações apresentadas são preliminares e baseadas em dados ainda não submetidos integralmente a uma auditoria independente. Por isso, o documento ressalva que os dados servem para justificar a necessidade de uma investigação mais detalhada e não constituem, por si só, conclusão sobre eventuais fraudes ou irregularidades.
Segundo a petição, a dívida líquida consolidada passou de cerca de R$ 413 milhões, em janeiro de 2025, para aproximadamente R$ 975 milhões em junho deste ano.
No primeiro semestre de 2026, o grupo teria contraído cerca de R$ 300 milhões em novas dívidas. De acordo com os dados apresentados à Justiça, 58% desse montante não teria resultado na formação de novos ativos.
Entre os principais compromissos estão R$ 452,1 milhões em debêntures emitidas por meio da Rhino Securitizadora. As operações têm como garantia ações da Apex Partners e da BRM Apex Investimentos. A petição, porém, afirma que ainda não há avaliação independente desses ativos nem comprovação, até o momento, da formalização registral do penhor.
Outro passivo citado envolve R$ 309,8 milhões relacionados a cerca de 1.600 posições de clientes que podem solicitar resgates por meio de mecanismos de cashback. Os produtos mencionados incluem o fundo imobiliário Apex Malls, que possui participação de 15,82% no Shopping Vitória.
A Apex também registra R$ 35,2 milhões em tributos correntes em atraso.
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Um dos principais riscos apontados no processo está relacionado à troca da administração da empresa.
A petição afirma que contratos financeiros do grupo possuem cláusulas que permitem o vencimento antecipado das obrigações quando ocorre uma mudança no controle ou na administração. Com o afastamento de executivos, portanto, parte das dívidas poderia ser considerada exigível antes dos prazos originalmente previstos.
O grupo também aponta uma concentração de pedidos de resgate. Entre 12 de agosto e 30 de setembro, estão previstos aproximadamente R$ 78,2 milhões em solicitações relacionadas a fundos regulados.
A documentação cita ainda a possibilidade de renúncia do Banco Daycoval à função de administrador fiduciário de um fundo considerado relevante para o grupo.
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Siga o Times | CNBCA proteção solicitada pela Apex não alcança os patrimônios pertencentes às classes de cotas dos fundos de investimento, os patrimônios separados de emissões de certificados de recebíveis nem os patrimônios de afetação vinculados a incorporações imobiliárias.
Esses ativos possuem estruturas patrimoniais próprias e, segundo a delimitação apresentada no processo, não integram o alcance da medida cautelar requerida.
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O movimento judicial ocorreu um dia depois de a Apex comunicar o afastamento de Cinelli da presidência. Segundo a empresa, apurações preliminares conduzidas por integrantes do Partnership identificaram inconsistências financeiras.
Siqueira também deixou a diretoria financeira. A companhia informou que pretende contratar uma auditoria externa para aprofundar a apuração e que poderá adotar medidas nas esferas civil e criminal caso sejam identificadas responsabilidades.
A presidência passou a ser ocupada interinamente por Marcelo Murad, sócio sênior da empresa.
No comunicado sobre os afastamentos, divulgado em 6 de agosto, a Apex não apresentou valores referentes ao endividamento nem informou sobre o pedido cautelar protocolado posteriormente.
A Rhino Grupo afirmou que atua na estruturação e emissão de operações de securitização para a Apex Partners e que, em razão dessa relação, figura como credora.
Em nota, a empresa informou que acompanha os desdobramentos e pretende tomar as medidas necessárias para buscar o recebimento dos valores e preservar os interesses dos investidores titulares dos títulos.
A Rhino também declarou que suas demais operações permanecem segregadas da relação com a Apex e que não houve impacto sobre compromissos mantidos com clientes e parceiros.
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O Shopping Vitória informou que o Fundo de Investimento Imobiliário Apex Malls, estruturado pela Apex e administrado fiduciariamente pelo BTG Pactual, possui participação minoritária no empreendimento desde junho de 2023.
Segundo a administração do shopping, o fundo é formado exclusivamente por recursos dos cotistas e a Apex não possui cotas próprias do veículo, atuando como gestora.
A participação foi adquirida após a Petros colocar sua fatia no empreendimento à venda. Atualmente, a propriedade é dividida entre a Nova Cidade Shopping Centers, a Previ e o Apex Malls.
O shopping afirmou que sua operação e gestão continuam sob responsabilidade da Nova Cidade Shopping Centers e que não possui ingerência sobre a administração do fundo. Questões relacionadas ao veículo, segundo a empresa, devem ser tratadas com a gestora e o administrador fiduciário.
A Apex Partners foi procurada para comentar o pedido judicial e os dados apresentados na petição, mas não respondeu até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação
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