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Petróleo tipo Brent acumula alta recorde de 55% no mês; WTI é cotado a US$ 100 pela primeira vez desde 2022
Publicado 30/03/2026 • 16:24 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 30/03/2026 • 16:24 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
Foto: Freepik
Os preços do Brent caminham para a maior alta mensal já registrada. O movimento ocorre em meio à quinta semana da guerra envolvendo o Irã, com o presidente Donald Trump ameaçando destruir instalações petrolíferas do país.
Os contratos futuros do Brent para maio subiram 0,13%, a US$ 112,72 por barril. A commodity acumula alta de cerca de 55% em março, um recorde desde a criação do contrato, em 1988. O maior avanço anterior havia sido de 46%, em setembro de 1990, durante a Guerra do Golfo.
Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) para maio avançou 3,25%, ou US$ 3,24, e fechou a US$ 102,88 por barril. No mês, a alta é de cerca de 53%, com o melhor desempenho desde maio de 2020. Foi também o primeiro fechamento acima de US$ 100 desde julho de 2022.
Na segunda-feira, Trump advertiu o Irã de que os EUA podem destruir poços de petróleo, usinas de energia e a Ilha de Kharg caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto.
Em entrevista ao Financial Times, o presidente afirmou que sua opção preferida seria “ficar com o petróleo”, em referência a ações dos EUA na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro.
O conflito entre EUA, Israel e Irã entra na quinta semana, com ataques se espalhando pela região. O cenário eleva os riscos para a infraestrutura energética e impulsiona os preços da commodity.
Os rebeldes houthis do Iêmen afirmaram ter lançado mísseis contra Israel no sábado, marcando sua primeira participação direta no conflito. Segundo o porta-voz Yahya Saree, o grupo atacou alvos militares considerados sensíveis, em apoio ao Irã e ao Hezbollah no Líbano.
A escalada ocorre após ataques dos EUA e de Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro.
Para Michael Haigh, chefe global de pesquisa em renda fixa e commodities do Societe Generale, novas interrupções no Estreito de Bab el-Mandeb podem pressionar ainda mais os preços.
Segundo ele, entre 4 milhões e 5 milhões de barris por dia passam pela rota. Caso esse volume seja interrompido, a tendência é de forte alta adicional.
Analistas do banco avaliam que uma disrupção prolongada no Oriente Médio pode levar o petróleo a US$ 150 por barril já em abril.
Há também o risco de bloqueio do tráfego marítimo no Bab el-Mandeb, passagem estratégica entre a Península Arábica e o Chifre da África. A medida pressionaria o comércio global.
O presidente da Yardeni Research, Ed Yardeni, afirmou que os mercados já refletem um cenário de petróleo e juros elevados por mais tempo.
Ele alerta que o bloqueio contínuo do Estreito de Ormuz pode aprofundar a queda dos mercados e aumentar o risco de recessão. A incerteza deve manter a volatilidade elevada até a normalização dos fluxos de petróleo.
Em relatório, Yardeni destacou a rapidez com que o mercado passou a precificar o risco geopolítico, reforçando o temor de interrupções prolongadas.
Já David Roche, da Quantum Strategy, afirma que os investidores consideram uma resposta mais agressiva dos EUA, incluindo a possibilidade de presença militar em solo iraniano e controle da Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações do país.
Segundo ele, essa medida poderia sufocar as receitas em dólar do Irã, mas elevaria o risco de uma escalada ampla. Teerã poderia retaliar mirando infraestrutura crítica no Golfo.
O impacto poderia se espalhar rapidamente pelas rotas globais de abastecimento. Roche cita a vulnerabilidade do oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, que transporta cerca de 5 milhões de barris por dia até o Mar Vermelho.
Mesmo com rotas alternativas pelo Canal de Suez, a capacidade seria reduzida. O resultado poderia retirar entre 4 milhões e 5 milhões de barris diários do mercado global.
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