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EUA tentam fechar brecha que permite à China acessar chips avançados da Nvidia
Publicado 19/08/2026 • 13:15 | Atualizado há 57 minutos
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KEY POINTS
Foto: Unsplash
O monopólio efetivo da Nvidia sobre os chips mais potentes do mercado tornou os controles de exportação dos EUA uma ferramenta importante para os esforços de Washington para preservar sua vantagem sobre a China na corrida pela inteligência artificial.
Mas, apesar das restrições americanas à exportação dos semicondutores mais avançados da companhia, incluindo os GB300, várias empresas chinesas teriam conseguido acessar a capacidade computacional desses chips por meio de data centers no Sudeste Asiático.
Menos de uma semana depois de a Moonshot AI lançar um novo modelo em julho, o funcionário da Casa Branca Michael Kratsios acusou a empresa de utilizar chips GB300 da Nvidia por meio de uma instalação na Tailândia.
O Kimi K3, da Moonshot, é um dos novos modelos chineses de I.A que apresentaram avanços significativos de desempenho nos últimos meses, à medida que a corrida pela supremacia em inteligência artificial entre Washington e Pequim se intensifica. A DeepSeek e a Alibaba também lançaram recentemente novos sistemas de I.A que obtiveram bons resultados em testes de desempenho.
Especialistas do setor afirmam que o acesso a capacidade computacional avançada por meio de provedores de nuvem no exterior é um fator importante para o avanço dos modelos chineses de inteligência artificial. Uma legislação americana está sendo discutida para fechar essa brecha, mas ainda há obstáculos antes que ela possa produzir efeitos.
Leia também: O diferencial da Nvidia em I.A está migrando dos chips para o capital
Os chips de IA mais avançados da Nvidia estão sujeitos a restrições de exportação para a China, embora alguns semicondutores menos potentes possam ser enviados ao país.
Cassia King, pesquisadora sênior da equipe de Política de Computação do Institute for AI Policy and Strategy, disse à CNBC que o acesso da Moonshot à capacidade computacional por meio de uma instalação na Tailândia teria sido legal, “desde que a Moonshot não esteja efetivamente comprando e sendo proprietária do hardware físico diretamente”.
Segundo ela, o regime de controle de exportações dos EUA “controla os chips físicos de I.A. Ele não abrange o acesso remoto a esses chips”.
Questionado sobre empresas chinesas que acessam a capacidade computacional da Nvidia no exterior para treinar modelos de I.A, um funcionário da Casa Branca disse à CNBC: “O governo Trump implementou o regime de controle de exportações mais rigoroso da história moderna e continua comprometido em proteger a segurança nacional e econômica dos Estados Unidos.”
O Departamento de Comércio dos EUA e o Bureau of Industry and Security (BIS), órgão responsável pelos controles de exportação, não responderam a um pedido de comentário.
Grandes empresas chinesas de tecnologia em nuvem, como ByteDance, Alibaba e Tencent, teriam acessado remotamente a capacidade computacional de chips da Nvidia por meio de outros países asiáticos, incluindo Tailândia, Malásia e Japão. ByteDance e Tencent não responderam aos pedidos de comentário. A Alibaba se recusou a comentar.
A ByteDance estaria trabalhando com a Aolani, provedora de serviços de nuvem sediada em Singapura e que utiliza chips da Nvidia, para acessar capacidade computacional na Malásia, segundo uma fonte familiarizada com o assunto, que pediu anonimato por se tratar de informações privadas. O Wall Street Journal foi o primeiro a noticiar o acordo, em março.
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Siga o Times | CNBCA Aolani disse à CNBC que trabalha “com uma base global e diversificada de clientes, abrangendo empresas da América do Norte e da Ásia”.
“As empresas que atendemos não têm propriedade, possível reivindicação futura ou acesso físico aos chips que alimentam nossas soluções”, acrescentou um porta-voz. “Qualquer acesso permitido aos nossos serviços, infraestrutura ou tecnologia está totalmente em conformidade com todas as regulamentações aplicáveis.”
Os investimentos em infraestrutura de IA no Sudeste Asiático estão crescendo rapidamente, à medida que as empresas buscam aproveitar o mercado em expansão de capacidade computacional avançada.
A empresa imobiliária JLL estima que a capacidade global de data centers pode praticamente dobrar, chegando a 200 gigawatts até 2030.
Há 31 data centers com capacidade planejada superior a 100 megawatts em Malásia, Indonésia e Tailândia, em comparação com apenas dois atualmente, segundo dados compilados pela DC Byte.
Leia também: Nvidia avança 2,7% após CEO esclarecer riscos de financiamento da infraestrutura de IA
Michelle Nie, pesquisadora visitante de tecnologia e segurança nacional no Center for a New American Security, disse à CNBC que essa brecha “ameaça a segurança nacional dos EUA”.
“O objetivo dos controles de exportação de chips é impedir que a China tenha capacidade de treinar modelos de IA de ponta utilizando chips americanos avançados”, acrescentou.
Uma proposta de lei, chamada Remote Access Security Act (RASA), busca ampliar os controles de exportação dos EUA para incluir o acesso remoto, baseado em nuvem, a hardware e software críticos. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Representantes em janeiro, mas ainda não passou pelo Senado.
A medida pode enfrentar resistência da indústria, segundo Nie. Ela acrescentou que “os provedores de nuvem arcariam com o ônus de cumprir quaisquer requisitos de conhecimento do cliente (KYC) e de verificação de clientes determinados pelo projeto”.
A aprovação do RASA, por si só, não resolveria o problema, afirmou Nie. Segundo ela, a medida daria ao governo americano “autoridade para regulamentar o acesso remoto”, mas ainda seria necessário criar uma regra específica para submeter o acesso remoto a chips avançados aos controles de exportação.
O Bureau of Industry and Security (BIS) poderia estabelecer uma regra rapidamente, possivelmente “em questão de dias”, caso tivesse o apoio da Casa Branca, afirmou King.
“O desafio será criar uma regra que seja eficaz e aplicável”, acrescentou. “Os formuladores de políticas precisarão decidir qual capacidade computacional estará abrangida, quem deverá ser impedido de acessar remotamente essa capacidade e como implementar um sistema robusto de conhecimento do cliente.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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