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Brasil continua fora do Mapa da Fome, mas falta de dieta saudável eleva obesidade em 118%, mostra FAO
Publicado 26/07/2026 • 19:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 26/07/2026 • 19:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O Brasil está fora do Mapa da Fome, segundo a ONU.
Arquivo/Agência Brasília.
O Brasil continua fora do Mapa da Fome da ONU, mas um novo relatório da FAO, divulgado nesta terça-feira (21), mostra que sair da lista não resolve o problema da má nutrição. Segundo a organização, em 2025 uma cesta saudável custaria US$ 4,89 por pessoa ao dia, em paridade do poder de compra, métrica usada pela FAO para comparar custo de alimentos, pobreza e PIB entre países.
Com esse custo, 21,1% da população brasileira não teria renda suficiente para arcar com uma alimentação saudável, o equivalente a cerca de 44,8 milhões de pessoas, de acordo com a FAO.
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Um levantamento do Pacto Contra a Fome aponta que 64,4% da população não consegue garantir acesso a uma cesta saudável e a outras despesas básicas ao mesmo tempo, considerando a cesta NEBIN, construída a partir do Guia Alimentar brasileiro e da referência internacional EAT-Lancet, com 84 itens predominantemente in natura e minimamente processados, aplicada a dez regiões metropolitanas.
Segundo a organização, em 2025 uma pessoa precisaria de R$ 419,17 por mês para se alimentar de forma adequada, e mais de 137 milhões de brasileiros não conseguiriam arcar com esse valor sem comprometer despesas essenciais das famílias.
Para Ricardo Mota, gerente de Inteligência do Pacto Contra a Fome, comer bem virou um privilégio, e o custo disso é uma crise de saúde pública sem precedentes. Segundo ele, o problema não se resume a combater a fome, mas também a enfrentar a má nutrição, que aparece tanto na desnutrição quanto na obesidade, já que quando a comida de verdade fica inacessível, os ultraprocessados tomam o lugar dela.
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Siga o Times | CNBCSegundo dados do relatório The State of Food and Agriculture, da FAO, doenças ligadas a dietas inadequadas representam US$ 8,1 trilhões por ano em custos ocultos dos sistemas agroalimentares no mundo. No Brasil, o Pacto Contra a Fome aponta que doenças ligadas ao alto consumo de ultraprocessados já geram gasto de R$ 9,2 bilhões ao SUS, entre tratamento, internações e mortes prematuras.
Dados do Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, mostram que a obesidade em adultos cresceu 118% no Brasil entre 2006 e 2024, passando de 11,8% para 25,7% da população. Já o Atlas Mundial da Obesidade, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde, projeta que o Brasil ocupará a quinta posição no ranking de países com o maior número de crianças e adolescentes com obesidade em 2030, com apenas 2% de chance de reversão desse cenário caso nada seja feito.
Garantir que o brasileiro tenha condições de acessar uma alimentação saudável é apenas o primeiro passo, mas não garante que ele, de fato, adote esse tipo de refeição no dia a dia. Pesquisa realizada pelo Pacto Contra a Fome em parceria com o Instituto Pensi identificou um distanciamento entre o conhecimento sobre alimentação saudável, a intenção de comer melhor e o desafio de colocar isso em prática.
Segundo o levantamento, o preço não é a única variável dessa equação. A renda interage com o tempo disponível, a sobrecarga de gênero na compra e no preparo dos alimentos, a busca por saciedade em jornadas de trabalho longas e o desejo por recompensa, fatores que juntos intensificam a procura por produtos não saudáveis.
Apesar dos desafios de acesso a dietas saudáveis, no triênio 2023-2025 o Brasil registrou 0,57% de pessoas em insegurança alimentar severa, resultado bem inferior aos 4,80% da América do Sul, aos 6,67% da América Latina e Caribe e aos 9,77% do mundo, segundo a FAO. Depois de atingir 8,5% no período 2020-2022, o país apresentou queda mais rápida que as demais regiões, alcançando o menor valor de toda a série histórica do relatório.
Para Mota, são necessários esforços intersetoriais e políticas estruturantes para manter o Brasil fora do Mapa da Fome da ONU, e ao mesmo tempo é preciso investir para superar a má nutrição. Segundo ele, a experiência brasileira mostra que, depois da melhora no acesso aos alimentos, os ambientes alimentares passam a ser o principal obstáculo para a adoção de uma dieta saudável.
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