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Brasil não deve dar aval à nomeação de Daniel Perez no curto prazo, diz Rubens Barbosa
Publicado 07/08/2026 • 16:27 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 07/08/2026 • 16:27 | Atualizado há 2 horas
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A aprovação de Daniel Perez pelo Senado dos Estados Unidos não deve ser suficiente para destravar, no curto prazo, sua chegada à embaixada americana em Brasília, avaliou Rubens Barbosa, embaixador aposentado do Brasil em Washington.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC nesta sexta-feira (7), Barbosa afirmou que a etapa americana do processo foi concluída, mas que permanece pendente o agrément, a concordância formal do governo brasileiro para que o indicado possa assumir o posto.
“Do lado americano, a aprovação é o final do processo de aprovação dele para assumir a embaixada. O problema agora é o agrément que vai ser dado pelo Brasil”, afirmou.
Segundo o ex-embaixador, diante do atual ambiente político e diplomático, a tendência é que o governo Lula não conceda o aval imediatamente.
“Acho que não vai haver a concessão do agrément no curto prazo”, disse.
A avaliação ocorre depois do Senado americano ter aprovado nesta sexta-feira (7) a indicação de Perez, escolhido pelo presidente Donald Trump para comandar a representação diplomática dos Estados Unidos no Brasil. A votação confirmou o nome nos Estados Unidos, mas não elimina a necessidade da concordância brasileira.
Leia também: Governo Trump revoga visto de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos
Barbosa afirmou que uma eventual conversa entre Lula e Trump pode alterar o cenário e abrir espaço para uma solução.
Segundo o diplomata, o próximo movimento dependerá também da reação do governo americano à demora brasileira.
“Vamos aguardar para ver qual vai ser a atuação do governo americano junto ao governo brasileiro. Se vai haver mais pressão, se vai haver alguma retaliação pela demora”, afirmou.
Para Barbosa, o principal risco é que o impasse em torno da embaixada alimente uma deterioração mais ampla da relação bilateral.
“Isso tem que ser administrado para não sair do controle. Não interessa a ninguém essa crise que escala sem parar na relação diplomática e política entre Brasil e Estados Unidos”, disse.
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Siga o Times | CNBCO ex-embaixador destacou que Brasil e Estados Unidos ainda possuem temas econômicos relevantes a negociar, o que torna mais importante impedir uma escalada diplomática.
“Nós temos que negociar ainda com os Estados Unidos uma eventual rebaixa nas tarifas ou isenção de alguns outros produtos no tarifaço que afetou muito os produtos nacionais”, afirmou.
Na avaliação de Barbosa, o comportamento do Departamento de Estado diante da demora do Brasil em conceder o agrément será um dos principais sinais a serem acompanhados daqui para frente.
A tensão diplomática também envolve a situação da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Barbosa afirmou que ela continua exercendo suas funções nos Estados Unidos, embora sua situação migratória limite eventuais deslocamentos para fora do país.
Leia também: Após 15 meses, Donald Trump designa Daniel Perez para assumir embaixada no Brasil
Caso receba o aval brasileiro e assuma o posto, Perez terá como principal desafio reconstruir canais de diálogo entre Brasília e Washington, segundo Barbosa.
“Tentar a diplomacia feita para recuperar o bom diálogo, o bom entendimento”, disse.
O ex-embaixador acrescentou que, caso Perez chegue ao Brasil somente depois das eleições, sua atuação também estará voltada à transição política.
“Ele vai ter que preparar caminho para a transição entre o governo dos Estados Unidos e quem ganhar a eleição aqui no Brasil. O trabalho dele vai ser um trabalho de estabelecimento de contatos e de canais de comunicação do novo governo com o governo americano”, afirmou.
Barbosa também chamou atenção para o alinhamento político de Perez com o secretário de Estado Marco Rubio e para a maior presença da política externa americana nos debates políticos da América Latina.
Ainda assim, afirmou que a relação bilateral tende a exigir pragmatismo, independentemente das diferenças ideológicas.
“Não interessa nem aos Estados Unidos nem ao Brasil a continuidade dessa crise”, disse.
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