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Carlo Pereira: Nova tarifa dos EUA acelera diversificação do Brasil no comércio exterior
Publicado 24/06/2026 • 21:45 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 24/06/2026 • 21:45 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A ameaça de uma nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acelerou a estratégia de diversificação comercial do Brasil, afirmou Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Pereira disse que o Brasil passou a ampliar acordos e mercados em resposta ao aumento das tensões comerciais globais. Segundo ele, o movimento combina planejamento do governo brasileiro com pressão externa provocada pela política tarifária de Donald Trump.
“Se o Trump não quer, tem quem queira”, afirmou.
Pereira disse que o Brasil tinha apenas 12% de suas exportações cobertas por acordos comerciais e passou a 31%. Ele também citou o recorde de exportações para 42 países.
“É um número muito relevante”, disse. “Dá para olhar os dados e ter duas conclusões: houve planejamento, mas também houve aceleração por conta dos tarifaços do Trump.”
Segundo o Notável, o Brasil tem buscado aproximação com países como Canadá e integrantes dos Brics, em um momento em que várias economias tentam ampliar acordos comerciais diante das medidas dos Estados Unidos.
Pereira afirmou que empresas americanas também passaram a pressionar contra a tarifa sobre produtos brasileiros, alegando que não conseguem substituir determinados fornecedores do Brasil.
Segundo ele, pelo menos nove empresas dos Estados Unidos já indicaram que a substituição de produtos brasileiros não é simples. Em alguns casos, disse, não haveria alternativa equivalente.
“Não tem como substituir o Brasil para determinadas coisas”, afirmou.
O Notável destacou que, embora tarifas afetem os setores exportadores dos países atingidos, parte relevante do custo acaba sendo paga pelo consumidor americano.
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Siga o Times | CNBC“Quem paga essa conta, de fato, é o consumidor americano”, disse.
Pereira afirmou que a pressão de empresas brasileiras, do governo brasileiro e de companhias americanas pode influenciar a negociação, especialmente em produtos ligados ao consumo cotidiano nos Estados Unidos.
Leia também: Exclusivo CNBC: Tesouro dos EUA vai supervisionar fundos iranianos congelados, diz Bessent
Questionado sobre a natureza da tarifa, Pereira disse que há uma dimensão comercial, mas também um componente político claro na medida.
Segundo ele, os Estados Unidos vêm usando tarifas como instrumento de pressão sobre vários países. No caso do Brasil, porém, afirmou que parte dos argumentos usados para justificar o enquadramento comercial chama atenção.
“É inegável que os Estados Unidos fizeram esse movimento com todo mundo”, disse. “Mas também é inegável que, com relação ao Brasil, houve sim um movimento político.”
Pereira citou temas como trabalho análogo à escravidão e desmatamento entre os argumentos mencionados na discussão americana. Na avaliação dele, esses pontos podem ser usados como instrumentos de pressão para levar o Brasil à mesa de negociação.
“O Brasil, sem sombra de dúvidas, dá para ter a clareza de que existe um componente político muito forte aqui”, afirmou.
A definição sobre a tarifa está prevista para o início de julho.
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