CNBC

EXCLUSIVO: Amazon AWS anuncia aporte de mais de R$ 1 trilhão para acelerar era da Inteligência Artificial

Notícias do Brasil

Caso Master: ‘Esdrúxula’, diz Reale sobre estratégia do STF para saída de Toffoli

Publicado 13/02/2026 • 17:42 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Miguel Reale Júnior criticou a solução excepcional adotada pelo Supremo Tribunal Federal por afastar o ministro da relatoria sem uma fundamentação jurídica clara.
  • A decisão do colegiado evitou o reconhecimento formal de suspeição para afastar o risco de anulação de provas e a abertura de um processo de impeachment no Senado.
  • Críticos alertam que a mera aparência de falta de isenção do julgador compromete a confiança da sociedade e corrói a autoridade das decisões da instituição.

Montagem Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

STF e Banco Master

A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, sem que o Supremo Tribunal Federal o declarasse suspeito, provocou reação entre juristas que criticam a medida. “Esdrúxula a solução pois se afasta sem motivo da relatoria, pois não se considera nem é declarado suspeito. O faz atendendo a pedidos”, declarou o professor Miguel Reale Júnior.

Para ele, ‘a solução é excepcional e não deverá ter impacto institucional a não ser a já imprevisibilidade de decisões marcadas pela conveniência do resultado do que lastreada em regras estabelecidas’.

O ministro Celso de Mello, aposentado e ex-presidente do STF, entende que ’em ética pública e legitimidade institucional, a mera aparência de impropriedade pode produzir dano equivalente ao da impropriedade efetiva e real’.

“Ainda que não se demonstre, em dado caso, desvio material de conduta, a formação de dúvida razoável sobre a isenção do julgador já compromete o crédito moral da instituição, enfraquece a autoridade de suas decisões e corrói a confiança cívica que sustenta o Estado de Direito“.

A cientista política Maria Tereza Sadek, que dirigiu o Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ (2016-2018), diz que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, “ficou pressionado”.

Toffolli resistiu até o final, apesar de tantos atos indefensáveis”, analisa Sadek. “As evidências se acumularam, mas mesmo assim ele se recusava a ceder. A reunião deve ter sido extremamente tensa“, anotou, em referência à reunião fechada dos dez ministros da Corte nesta quinta (12), quando a sorte de Toffoli foi selada.

Ela supõe que “deve haver mais evidências envolvendo não apenas Toffolli, mas também políticos”.

“Caso contrário”, diz Sadek, “os pedidos de suspeição e de impeachment no Senado teriam sido acolhidos”.

Leia mais:
CPMI do INSS: Carlos Viana aciona STF para recuperar quebras de sigilo de Daniel Vorcaro
Deputada protocola impeachment de Toffoli após caso Banco Master

Para ela, “os graus de confiança na Justiça e especialmente no Supremo estão baixos”. “A situação é preocupante.”

O desembargador José Renato Nalini, aposentado, ex-presidente do Tribunal de Justiça, disse que “o primeiro juiz da suspeição é o próprio juiz sobre o qual recai a dúvida”. “A ética irrepreensível recomenda imediato afastamento, desnecessária qualquer medida do Tribunal”.

Nalini adverte que “relacionamentos promíscuos geram dúvidas que maculam a higidez do sistema Justiça”. “Não se justificam em qualquer esfera e são inadmissíveis no órgão que é o guardião de uma norma fundante amparada pela moralidade”.

O procurador de Justiça César Dario Mariano, do Ministério Público de São Paulo, em artigo publicado no blog nesta sexta (13), avalia que ‘algumas decisões são tomadas não com base jurídica, mas por pura política, visando, dentre outros motivos, não ferir a imagem de um tribunal e/ou para não se chegar a resultados ainda mais gravosos, mesmo que elas sejam despidas de lógica e de tecnicidade’.

Ele questiona. “Ora, se Toffoli não era impedido ou suspeito, por que então foi afastado ou se afastou do caso?”.

No entendimento do procurador, ficou claro que a Corte contornou uma crise mais acentuada ainda ao não reconhecer a suspeição do ministro, apesar de evidências de crimes apontadas em relatório da Polícia Federal. Se isso tivesse ocorrido, uma ação penal por crime de responsabilidade poderia ser instaurada para investigar Toffoli, o que provocaria a abertura de um processo de impeachment no Senado.

“É muito fácil de entender. Até hoje nenhum ministro do STF foi considerado suspeito ou impedido, haja vista que a suspeição é uma das situações em que há crime de responsabilidade pelo ministro do Supremo Tribunal Federal e pode ser instaurado processo de impeachment”, pontua César Mariano.

Ele considera que ‘todos os atos decisórios do processo ou procedimento investigatório seriam declarados nulos, com evidente prejuízo para o esclarecimento dos fatos’.

Para o criminalista Renato Stanziola Vieira, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, “o reconhecimento de vícios na condução” do inquérito “acarretaria a nulidade dos atos praticados pelo ministro tido por suspeito ou impedido”.

“Esses vícios são radicais ao bom funcionamento do processo, são pressupostos mesmo de validade, o exercício da jurisdição por juiz imparcial, e se a resposta da Corte reconhecesse a parcialidade de Dias Toffoli, a investigação correria altíssimo risco de ser anulada”, conclui Stanziola.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil

;