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Publicado 18/06/2026 • 13:27 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Caso Master ganha novo capítulo após descoberta de estrutura armada; entenda
A Polícia Federal abriu nesta quinta-feira (18) mais um capítulo das investigações da Operação Compliance Zero ao cumprir mandados de busca e apreensão em três unidades da federação, envolvendo o Banco Master.
A ação ocorreu na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal, e busca aprofundar a apuração sobre um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.
O avanço das investigações acontece um dia após a divulgação de informações sobre uma estrutura armada que, segundo a PF, estaria ligada aos interesses da família Vorcaro, responsável pelo Banco Master.
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A nona etapa da Operação Compliance Zero tem como principal alvo o senador e ex-governador da Bahia Jaques Wagner. Também está entre os investigados o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Além dos mandados de busca, a Justiça autorizou medidas cautelares contra os investigados. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica, a retenção de passaportes e restrições de contato entre pessoas envolvidas no caso.
De acordo com a Polícia Federal, esta nova fase pretende esclarecer a possível participação de agentes públicos em um esquema que teria utilizado influência política e financeira para beneficiar interesses privados.
O novo avanço da operação ocorre após a PF revelar detalhes de uma suposta rede de segurança paralela que atuaria em favor da família Vorcaro.
Segundo relatório obtido pelos investigadores, o grupo seria comandado por Manoel Mendes Rodrigues, apontado como operador do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
A Polícia Federal sustenta que ele mantinha uma relação próxima com Henrique e Daniel Vorcaro e que essa ligação continuou mesmo após a prisão do fundador do Banco Master.
Leia também: Ciro Nogueira receberia mesada de R$ 6 milhões de Daniel Vorcaro entre 2024 e 2025, diz PF
Os investigadores descrevem a existência de uma organização fortemente armada, equipada com fuzis, veículos blindados e recursos normalmente associados a grupos paramilitares.
A suspeita é de que essa estrutura fosse utilizada para proteger interesses econômicos e empresariais ligados ao grupo investigado.
Entre os elementos reunidos pela PF estão mensagens e conversas que descrevem encontros realizados sob forte aparato de segurança.
Em um dos episódios citados pela investigação, pessoas ligadas à família Vorcaro teriam sido recebidas por integrantes armados e escoltadas em veículos blindados.
O ambiente chamou a atenção dos presentes, que relataram sensação de medo diante da demonstração de força.
Leia também: PF aponta estrutura armada com fuzis e blindados à disposição da família Vorcaro
Para os investigadores, os relatos reforçam a hipótese de que a estrutura não tinha apenas função de proteção patrimonial, mas também poderia servir como instrumento de intimidação.
Outro ponto que chamou a atenção da PF envolve movimentações após a morte de Felipe Mourão, conhecido pelo apelido de Sicário.
Segundo o relatório, Manoel Mendes teria participado de reuniões com familiares do homem para tratar de valores e pendências financeiras.
A suspeita dos investigadores é que o objetivo fosse evitar que parentes colaborassem com as autoridades durante as apurações.
Mensagens analisadas pela Polícia Federal mostram preocupação com possíveis revelações que poderiam comprometer integrantes do grupo. Em uma das conversas, uma familiar afirma possuir informações capazes de atingir diretamente membros da organização.
A oitava fase da Compliance Zero, realizada no fim de maio, teve como foco o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.
Na ocasião, as investigações concentraram-se em aplicações bilionárias realizadas por meio do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master.
De acordo com a PF, os valores movimentados ultrapassaram R$ 3 bilhões e passaram a ser analisados por suspeitas relacionadas à gestão dos recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais.
Com a nova ofensiva, a Polícia Federal tenta identificar a extensão da rede de relacionamentos políticos, financeiros e empresariais supostamente ligada ao esquema investigado.
A apuração busca esclarecer se houve pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, lavagem de recursos e utilização de estruturas paralelas para proteger interesses do grupo.
A descoberta da suposta organização armada acrescenta um novo elemento ao caso e amplia o alcance das investigações que já envolvem empresários, operadores financeiros e autoridades políticas.
Leia também: PF afirma que executivo do BTG aprovou operação suspeita de R$ 132 mi para primo de Vorcaro
A Operação Compliance Zero segue em andamento e novas informações ainda poderão surgir à medida que os materiais apreendidos ligados ao Banco Master forem analisados pelos investigadores.
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