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PF aponta estrutura armada com fuzis e blindados à disposição da família Vorcaro

Publicado 17/06/2026 • 20:16 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Relatório da Polícia Federal obtido pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC aponta que uma estrutura com características paramilitares teria atuado em favor dos interesses da família Vorcaro.
  • Investigação identifica Manoel Mendes Rodrigues, apontado como operador do jogo do bicho no Rio de Janeiro, como líder do grupo e aliado próximo de Henrique e Daniel Vorcaro.
  • PF afirma que o aparato era usado para proteção de interesses econômicos do grupo e cita episódios em que pessoas ligadas à família foram recebidas por homens armados com fuzis e em carros blindados.
Daniel Vorcaro

Uma estrutura armada, com fuzis, veículos blindados e características paramilitares, teria sido colocada à disposição dos interesses da família Vorcaro, segundo relatório da Polícia Federal obtido pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo a PF, o grupo era liderado por Manoel Mendes Rodrigues, identificado pela investigação como operador do jogo do bicho no Rio de Janeiro. O relatório afirma que Manoel mantinha vínculo “sólido e duradouro” com Henrique e Daniel Vorcaro, relação que teria permanecido ativa mesmo após a prisão do fundador do Banco Master, em março de 2026.

A Polícia Federal afirma que Manoel comandava uma organização “fortemente armada” no Rio de Janeiro, com integrantes que realizavam segurança privada portando armamento de grosso calibre, incluindo fuzis, além de veículos blindados e outros recursos típicos de organizações paramilitares.

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Para os investigadores, essa estrutura era colocada à disposição do núcleo empresarial ligado à família Vorcaro. O relatório aponta que o aparato teria sido usado para garantir a segurança de empreendimentos e interesses econômicos do grupo, inclusive em situações em que terceiros foram recebidos por homens armados com fuzis e mediante o uso de veículos blindados.

Em uma das conversas citadas pela PF, Manoel e André Martins Hodge, apontado como intermediário de Henrique Vorcaro, comentam um episódio envolvendo pessoas ligadas à família Vorcaro. Segundo o relatório, André Beraldo e Felipe Vorcaro teriam sido recebidos por Manoel em carros blindados e na presença de indivíduos portando fuzis.

A PF afirma que, em vez de transmitir segurança, o aparato causou temor. Em um dos relatos, os visitantes teriam dito que se sentiram na “Rússia do Putin”, em referência a um ambiente com forte aparato militar e poder de fogo. O relatório também registra que uma das pessoas presentes “sequer conseguia abrir a boca”, o que, para os investigadores, indicaria extremo medo diante da situação.

Em outro trecho, a Polícia Federal afirma que Manoel demonstrava hostilidade a policiais militares que não fossem aliados do grupo. Em uma mensagem, segundo o relatório, ele escreveu que “PM bom é debaixo de 7 palmos”. O interlocutor respondeu que “PM bom é os que estão do nosso lado”, frase que, para a PF, é compatível com o modus operandi de cooptação de agentes de segurança pública pela organização criminosa.

O relatório também aponta que Henrique Vorcaro mantinha contatos frequentes com Manoel Mendes até a véspera da sexta fase da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, Henrique permanecia atuando como operador financeiro em favor da “Turma”, especialmente em benefício da família de Felipe Mourão, conhecido como Sicário.

Em uma das mensagens citadas pela investigação, Manoel cobra valores atrasados de Henrique e afirma que precisava receber pelo menos “200 conto” para pagar “a segurança” e “todo mundo”. Para a PF, as conversas indicam que Henrique continuava viabilizando pagamentos ao grupo.

A Polícia Federal também afirma que, após a morte de Sicário, Manoel Mendes, com ciência e anuência de Henrique Vorcaro, foi a Belo Horizonte para se reunir com familiares dele. Segundo o relatório, o objetivo seria evitar eventual colaboração dessas pessoas com as autoridades.

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A investigação aponta que, nesse contexto, teriam sido discutidos ajustes envolvendo contratos e valores supostamente devidos a Sicário, com a finalidade de assegurar o silêncio de familiares sobre as atividades ilícitas atribuídas ao grupo.

Em uma das conversas, Joana Mourão, irmã de Sicário, afirmou ter “material para acabar com a família inteira”. Para a PF, Manoel atuava para viabilizar repasses à família de Sicário e evitar que Joana colaborasse com as investigações.

Segundo os investigadores, os elementos analisados até agora indicam que a estrutura comandada por Manoel Mendes Rodrigues atuava à margem do Estado e podia ser mobilizada tanto para proteger integrantes da organização criminosa quanto para promover ameaças e retaliações contra pessoas que contrariassem os interesses do grupo.

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