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Bets chegam ao trabalho: apostadores cogitam adiantamento salarial e relatam impacto na produtividade

Publicado 03/08/2026 • 21:26 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • 46% dos participantes de 25 a 34 anos já usaram dinheiro destinado a outras despesas para apostar, segundo pesquisa da meutudo.
  • Apostadores também relatam busca por empréstimos, adiantamento salarial e impacto na produtividade no trabalho ou nos estudos.
  • Atendimentos relacionados ao transtorno do jogo cresceram 54% no SUS entre 2023 e 2024.
Bets

Agência Brasil

Empréstimos, adiantamento de salário e perda de produtividade estão entre os efeitos das apostas online que já aparecem na rotina financeira e profissional de parte dos brasileiros. Uma pesquisa divulgada em julho pela fintech meutudo mostrou que 46% dos participantes de 25 a 34 anos já usaram dinheiro destinado a outras despesas para apostar.

O levantamento, realizado com mais de 10 mil leitores do blog da empresa, também apontou que 17% dos respondentes nessa faixa etária adiaram compras não essenciais, enquanto 8% relataram atraso no pagamento de contas por causa das apostas.

Os resultados descrevem os participantes da pesquisa e não podem ser generalizados à população em geral, mas reforçam comportamentos identificados em levantamentos mais amplos, como busca por crédito e inadimplência.

Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, mostrou que 28% dos apostadores já buscaram ou consideraram alguma forma de conseguir dinheiro para continuar jogando.

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Entre as alternativas citadas, 17% mencionaram empréstimos, 8% adiantamento salarial e 7% a venda de bens próprios ou de familiares sem consentimento. Outros 7% relataram impacto na produtividade no trabalho ou nos estudos.

Os dados indicam que, para uma parcela dos jogadores, as apostas deixam de funcionar apenas como gasto de entretenimento e passam a comprometer contas, renda e rotina profissional.

O levantamento também apontou que 17% deixaram contas sem pagar para jogar e 29% já tiveram o nome negativado por causa dos gastos com apostas online. Outros 37% tentaram reduzir ou interromper a prática, mas não conseguiram.

A pesquisa entrevistou 800 consumidores em junho de 2025 e apresentou resultados ponderados por sexo, idade, estado e renda.

Atendimentos relacionados ao jogo cresceram 54% no SUS

Os atendimentos relacionados a transtornos associados ao jogo também avançaram na rede pública de saúde.

O Sistema Único de Saúde realizou 2.262 atendimentos desse tipo em 2023. Em 2024, foram 3.490, alta de aproximadamente 54% em um ano, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Agência Brasil.

Entre janeiro e junho de 2025, outros 1.951 atendimentos haviam sido registrados. Os números contabilizam atendimentos, e não necessariamente pacientes diferentes, já que uma mesma pessoa pode passar mais de uma vez pela rede.

Um relatório do Ministério da Saúde sobre jogos e apostas aponta que os atendimentos a pessoas com transtorno do jogo aumentaram na Rede de Atenção Psicossocial

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O documento informa que mais de 6 mil pessoas foram atendidas por problemas relacionados a jogos entre janeiro de 2018 e maio de 2025, principalmente homens jovens. Também estima que os atendimentos de pessoas diagnosticadas com transtorno do jogo possam crescer 104% até 2028. Trata-se de uma projeção, e não de uma alta já registrada.

Especialistas reunidos pelo ministério relataram que parte dos pacientes procura os serviços quando a situação já envolve perdas financeiras, falta de controle ou intervenção da família. Entre as estratégias de cuidado citadas estão o apoio de parentes na gestão financeira, o bloqueio de aplicativos e a autoexclusão das plataformas.

Consequências podem chegar às empresas e aos sistemas de saúde

Para Rodrigo Metedieri Miguel, cofundador e diretor de operações da Vitta, empresa de gestão de saúde corporativa, parte das consequências do jogo problemático pode recair sobre empregadores, planos de saúde e o SUS.

“Existe uma assimetria importante nessa equação, pois o faturamento das plataformas é privado, mas uma parcela significativa das consequências acaba sendo absorvida coletivamente por meio do sistema público de saúde, dos planos de saúde privados, da assistência social e até da perda de produtividade econômica”, afirmou.

Segundo o executivo, o avanço da demanda por assistência em saúde mental exige recursos, profissionais e estrutura que também são necessários em outras áreas. Na avaliação dele, a prevenção e a regulação podem reduzir os custos assistenciais associados ao problema.

Ainda não há, porém, levantamento público que calcule quanto as empresas perdem em produtividade ou qual parcela dos custos de saúde corporativa pode ser atribuída diretamente às apostas. A relação apontada pela Vitta representa uma avaliação sobre riscos e possíveis efeitos, e não um custo já mensurado.

O próprio Ministério da Saúde reconhece que o Brasil ainda precisa ampliar a produção de evidências. Entre as propostas discutidas estão a inclusão de perguntas sobre apostas no Vigitel, na Pesquisa Nacional de Saúde e na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, além da criação de métricas para orientar políticas públicas.

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Onde buscar atendimento

Pessoas que enfrentam perda de controle sobre jogos e apostas podem procurar atendimento em Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial.

O SUS também oferece teleatendimento sigiloso em saúde mental para apostadores e familiares. O acesso pode ser iniciado pelo Autoteste do Jogo, disponível no Meu SUS Digital.

O governo federal mantém ainda uma plataforma centralizada de autoexclusão, que permite ao próprio titular bloquear o CPF nas casas de apostas autorizadas, impedir novos cadastros e suspender o recebimento de publicidade direcionada.

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