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CNI mantém projeção do PIB, eleva inflação e vê Selic a 13,75% em 2026
Publicado 22/07/2026 • 00:01 | Atualizado há 55 minutos
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Publicado 22/07/2026 • 00:01 | Atualizado há 55 minutos
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Agência Brasil
Indústria
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, mas elevou as estimativas para a indústria e a agropecuária. O avanço, no entanto, deve continuar moderado diante dos juros altos, da inflação mais persistente e das incertezas fiscais.
Em informe divulgado nesta quarta-feira (22), a entidade revisou de 1,6% para 2,1% a expectativa de crescimento da indústria e de 1,1% para 1,8% a previsão para o agronegócio. Os serviços foram o único grande setor com estimativa reduzida, de 2,1% para 1,9%.
A melhora nas projeções para a indústria e o agro compensou a revisão negativa dos serviços e permitiu que a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) permanecesse inalterada.
“O cenário econômico de 2026 é marcado pelo crescimento moderado, sustentado principalmente pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda”, afirmou Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI.
Segundo ele, a política monetária restritiva, as condições financeiras adversas, a inflação elevada e as fragilidades fiscais seguem impedindo uma recuperação mais forte.
Leia também: Queda dos juros impulsiona procura por crédito nos Fundos Constitucionais, diz CNI
A principal responsável pela melhora na projeção industrial é a indústria extrativa, menos sensível aos efeitos dos juros e beneficiada pelo aumento da produção de petróleo.
A CNI passou a prever crescimento de 9,1% para o segmento em 2026, ante estimativa anterior de 7,8%.
Também houve melhora na expectativa para a indústria de transformação, de 0,3% para 0,6%, apoiada principalmente pelos setores de derivados de petróleo, produtos farmoquímicos e farmacêuticos e automóveis.
O desempenho, contudo, permanece concentrado. De acordo com a CNI, somente sete dos 24 segmentos da indústria de transformação registram crescimento. A entrada de produtos importados, os juros elevados e o aumento dos custos provocado pela guerra no Oriente Médio continuam pressionando boa parte do setor.
A previsão para a construção também foi elevada, de 1,3% para 1,5%. A entidade espera que a ampliação do Sistema Financeiro da Habitação, as mudanças no crédito imobiliário, o programa Reforma Casa Brasil e os investimentos em infraestrutura ajudem a sustentar a atividade.
A estimativa para a agropecuária subiu pela segunda vez consecutiva. No fim do ano passado, a CNI ainda trabalhava com a possibilidade de estagnação do setor em 2026. A projeção passou depois para 1,1% e agora chegou a 1,8%.
A revisão considera a expectativa de uma nova safra recorde, puxada pela soja, e o crescimento da produção animal. O encarecimento de fertilizantes e outros insumos em razão do conflito no Oriente Médio aparece como um fator de risco.
Nos serviços, a previsão caiu para 1,9%. Segmentos como informação e comunicação, comércio varejista e o mercado de trabalho continuam sustentando a atividade, assim como medidas de estímulo ao consumo, entre elas a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
Em sentido contrário, o endividamento e a inadimplência das famílias, somados aos juros elevados, devem limitar a expansão do setor.
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Siga o Times | CNBCA CNI aumentou de 4,4% para 5% a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026.
A revisão reflete principalmente o aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis, além da persistência da inflação de serviços.
Com a inflação mais pressionada e o quadro fiscal em deterioração, a entidade reduziu significativamente o espaço esperado para cortes na taxa básica de juros.
A previsão agora é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) realize apenas mais duas reduções de 0,25 ponto percentual, levando a Selic dos atuais 14,25% para 13,75% ao fim de dezembro. No relatório anterior, a CNI estimava que os juros terminariam o ano em 12,75%.
Se as projeções se confirmarem, os juros reais permaneceriam em torno de 9,2%, nível classificado pela entidade como “extremamente contracionista”.
Leia também: CNI propõe ampliação de programa para apoiar setores atingidos pelo tarifaço
A CNI prevê que a receita líquida federal crescerá 5,8% acima da inflação em 2026, mas as despesas também devem avançar, com alta real estimada em 4,5%.
Mesmo com o aumento da arrecadação, o governo deve encerrar o ano com déficit de aproximadamente R$ 55,3 bilhões, resultado semelhante ao de 2025.
Nesse cenário, a dívida pública deve chegar a 82% do PIB. O percentual representaria um aumento de 10,3 pontos percentuais em dez anos.
A situação fiscal, segundo a entidade, aumenta a percepção de risco, mantém os juros de longo prazo elevados e reduz o espaço para uma flexibilização mais acelerada da política monetária.
Além dos juros e das contas públicas, o avanço das importações aparece como uma das principais preocupações para a indústria.
As compras externas de bens de consumo cresceram 16% no primeiro semestre, justamente em um período de desaceleração da produção e da demanda por produtos industriais brasileiros.
A CNI estima que as importações totais chegarão a US$ 306 bilhões em 2026, alta de 5,2%. As exportações devem somar US$ 383,9 bilhões, crescimento de 9,5%, beneficiadas pelos preços mais altos de commodities como petróleo e soja.
Com isso, o superávit da balança comercial deve alcançar US$ 77,9 bilhões, avanço de 30,4% sobre o ano passado. A entidade ressalva, porém, que a projeção pode ser alterada pelo aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
No cenário externo, a guerra no Oriente Médio permanece como o principal risco. O conflito elevou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes no primeiro semestre, embora a CNI avalie que a pressão possa perder intensidade com o aumento da oferta de petróleo e a desaceleração da demanda chinesa.
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