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Trump aumenta pressão sobre Warsh às vésperas de possível alta dos juros pelo Fed
Publicado 05/09/2026 • 19:45 | Atualizado há 24 minutos
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Publicado 05/09/2026 • 19:45 | Atualizado há 24 minutos
KEY POINTS
AFP
A dez dias de uma reunião em que o Federal Reserve provavelmente vai discutir um aumento dos juros, o governo Trump parece ter lançado uma ofensiva em larga escala para impedir que isso aconteça.
Na última semana, o presidente, o vice-presidente, o secretário do Tesouro e um dos principais assessores econômicos da Casa Branca pressionaram publicamente o Fed a não elevar os juros, e, em alguns casos, a reduzi-los. É uma campanha de pressão excepcionalmente ampla, mesmo para os padrões das críticas que Trump há anos dirige ao banco central americano.
Embora Trump tenha evitado atacar diretamente o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, como fazia com seu antecessor, Jerome Powell, ele elevou o tom na sexta-feira ao ameaçar interromper o comércio com países que mantêm superávit comerciais com os Estados Unidos, caso o Fed não reduza os juros. É a primeira vez que Trump ameaça explicitamente impor tarifas como forma de pressionar o Banco Central a cortar as taxas.
A publicação do presidente foi seguida por uma entrevista concedida na sexta-feira pelo principal assessor econômico da Casa Branca, Peter Navarro, ao ex-assessor de Trump Steve Bannon. Navarro afirmou que um aumento dos juros seria “irresponsável” e “atingiria justamente os setores de que os Estados Unidos mais precisam para prosperar”.
Ele chamou de “palhaços” os integrantes do Federal Open Market Committee (FOMC), o comitê responsável por definir os juros, e disse que Warsh está tentando “fazer a coisa certa”.
No início da semana, o vice-presidente JD Vance também defendeu um corte nos juros. “Acreditamos que o Fed deveria reduzir as taxas de juros”, disse. “Estamos fazendo muita coisa para tentar manter os juros baixos, mas seria bom contar com alguma ajuda do Federal Reserve.”
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, adotou uma linha semelhante em entrevista à CNBC. Segundo ele, o Fed normalmente não aumenta os juros diante de um choque de oferta enquanto não houver sinais de efeitos inflacionários de segunda ou terceira ordem.
A pressão do governo chega em um momento especialmente delicado para Warsh.
Os mercados atribuem atualmente cerca de 60% de probabilidade a um aumento dos juros na reunião de 15 e 16 de setembro. A expectativa ganhou força, em parte, após a divulgação de um forte relatório de emprego na sexta-feira. A reunião acontecerá apenas dois meses antes das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, quando o governo deverá enfrentar o descontentamento dos eleitores com os preços e os juros elevados, segundo as pesquisas.
Ainda não está claro, porém, até que ponto a campanha de pressão de Trump afetará Warsh. O Wall Street Journal informou no mês passado que Trump havia conversado várias vezes com o presidente do Fed, informação posteriormente confirmada publicamente por vários assessores do governo. O próprio Trump, no entanto, negou o relato e disse ter falado com Warsh apenas uma vez desde que assumiu o cargo.
Warsh, por sua vez, afirmou que Trump não teve influência sobre suas decisões. Em depoimento ao Congresso, em julho, citou a decisão do Fed de manter os juros estáveis, sem realizar cortes, como prova da independência do banco central. Ao mesmo tempo, disse que o presidente e outros políticos têm o direito de expressar suas opiniões sobre a política monetária.
Em maio de 2019, durante o primeiro mandato de Trump, o então vice-presidente Mike Pence, o secretário do Tesouro Steve Mnuchin e o assessor econômico Larry Kudlow também defenderam publicamente que o Fed considerasse cortes nos juros. O banco central não cedeu imediatamente à pressão, mas acabou reduzindo as taxas dois meses depois.
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Siga o Times | CNBCNa época, o argumento do governo era parecido com o atual: o crescimento econômico, por si só, não gera inflação, e medidas que ampliem a oferta (como cortes de impostos e grandes investimentos de capital) aumentam a capacidade produtiva da economia sem necessariamente provocar alta de preços.
Na sexta-feira, Trump escreveu na Truth Social que, como a economia americana está crescendo tanto, os Estados Unidos deveriam ter os juros mais baixos do mundo.
Integrantes do governo têm destacado a taxa anualizada do núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos últimos três meses, que está em 1,6%. O número é bem inferior à taxa anualizada de três meses do núcleo do índice de preços dos Gastos de Consumo Pessoal (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Fed, que está pouco acima de 3%.
Vários dirigentes do Fed, porém, demonstraram preocupação com o fato de a inflação permanecer significativamente acima da meta de 2% do banco central há cinco anos. Eles também veem sinais de pressões inflacionárias que vão além do impacto das tarifas de Trump e do aumento dos custos de energia provocado pela guerra dos Estados Unidos com o Irã.
Na reunião de julho, três dirigentes (Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan) discordaram da decisão da maioria e defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual, enquanto os demais optaram por manter os juros inalterados.
Em seu discurso em Jackson Hole, Warsh afirmou que o Fed precisa manter o foco firmemente voltado para a inflação. Ele destacou que 54% dos 199 componentes que formam o índice de preços do PCE haviam registrado alta superior a 3% nos 12 meses anteriores.
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Ao rejeitar a ideia de que o crescimento econômico possa alimentar a inflação, o governo Trump está questionando um dos conceitos fundamentais da economia: quando uma economia cresce acima de sua capacidade produtiva, aumenta o risco de inflação.
A formulação mais conhecida dessa relação é a Curva de Phillips, segundo a qual um mercado de trabalho aquecido e salários em alta podem alimentar pressões inflacionárias. É provavelmente por isso que os mercados elevaram, após o forte relatório de empregos de sexta-feira, a probabilidade de um aumento dos juros pelo Fed.
Ainda assim, o relatório mostrou que os salários continuam sob controle. O ganho médio por hora aumentou 0,3% em agosto e 3,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%.
A tese do governo de que o aumento da capacidade produtiva da economia pode compensar as pressões inflacionárias pode até estar correta, mas enfrenta um problema de tempo. O enorme volume de investimentos em inteligência artificial deverá, em algum momento, elevar a produtividade. Por enquanto, porém, os dados mostram que a forte demanda por equipamentos necessários à expansão da infraestrutura de IA está pressionando os preços para cima.
Os mercados estarão de olho no relatório do CPI que será divulgado na sexta-feira. Dirigentes do Fed disseram que o indicador será fundamental para determinar se a inflação está desacelerando ou voltando a acelerar. O resultado pode ser decisivo para a próxima decisão do banco central: aumentar os juros ou mantê-los onde estão.
Até agora, nenhum integrante do FOMC veio a público defender um corte nos juros.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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