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Conexão via satélite deve acabar com áreas sem sinal e abrir nova fronteira para telecomunicações
Publicado 07/07/2026 • 13:54 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 07/07/2026 • 13:54 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o uso de radiofrequências destinadas à comunicação direta entre satélites e celulares marca o início de uma nova etapa para a conectividade no Brasil. A avaliação é do especialista em tecnologia e inovação, Arthur Igreja, que afirma que a medida permitirá ampliar a cobertura em regiões remotas, reduzir falhas de sinal e criar oportunidades para operadoras e empresas de tecnologia.
“O smartphone, quando não encontrar uma torre, vai mudar automaticamente para essa conexão via satélite. Esses satélites funcionam como uma extensão das torres e, virtualmente, a pessoa nunca fica sem sinal“, disse Arthur Igreja em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (7).
Segundo a Igreja, o impacto tende a ser especialmente relevante em um país com dimensões continentais como o Brasil, onde ainda existem extensas áreas sem cobertura móvel ou com sinal instável, principalmente durante deslocamentos entre cidades.
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Ele lembra que, embora mais de 95% dos domicílios brasileiros já tenham acesso à internet, segundo dados recentes do IBGE, a conectividade ainda deixa a desejar em estradas, áreas rurais e regiões afastadas dos grandes centros.
“Essa tecnologia transforma praticamente o mundo inteiro em uma grande rede para quem está usando o celular. É uma mudança enorme para quem viaja, trabalha no campo ou vive em áreas remotas“, afirmou.
Na avaliação do especialista, a principal beneficiada neste primeiro momento é a Starlink, empresa da SpaceX, por já possuir a infraestrutura necessária para oferecer esse tipo de conexão.
Apesar disso, ele ressalta que o serviço não deverá ser vendido diretamente pela empresa de Elon Musk, mas por meio das operadoras de telefonia, repetindo o modelo adotado em países como Estados Unidos e Chile.
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“A Starlink fornece a infraestrutura, mas quem oferece o serviço ao consumidor são as operadoras. É justamente essa regulamentação da Anatel que permite estabelecer como esse mercado vai funcionar no Brasil“, explicou.
Segundo ele, a monetização também deve seguir o padrão internacional. Inicialmente, as operadoras tendem a oferecer o recurso como um benefício adicional para os clientes, antes de criar planos específicos para o uso da conexão via satélite.
“Nos Estados Unidos e no Chile, tudo começou com mensagens de texto e alertas de emergência. Depois vieram pequenos pacotes de dados pagos. A tendência é que o Brasil siga exatamente essa trajetória“, destacou.
Para Arthur Igreja, a decisão da Anatel também favorece a concorrência ao exigir que empresas de satélite atuem em parceria com operadoras de telefonia, criando um ambiente mais estruturado para o desenvolvimento do mercado.
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Ele lembra que, embora a Starlink seja atualmente a principal referência nesse segmento, outras empresas devem disputar espaço nos próximos anos, inclusive grupos chineses que vêm ampliando investimentos em constelações de satélites de baixa órbita.
“Tudo caminha para ser a próxima geração das telecomunicações. Em poucos anos, vai parecer estranho lembrar que existia uma época em que simplesmente ficávamos sem conexão durante uma viagem“, afirmou.
Embora a regulamentação tenha sido aprovada, Igreja acredita que a implantação ocorrerá em etapas. A expectativa é que os primeiros serviços disponíveis envolvam envio de mensagens e comunicação de emergência, enquanto aplicações mais robustas deverão exigir mais tempo.
“Mandar mensagens e acionar serviços de resgate já representa um avanço enorme para quem hoje fica completamente isolado quando perde o sinal“, observou.
Na avaliação do especialista, serviços de voz e pacotes completos de internet via satélite para celulares devem ganhar escala entre 2028 e 2030, à medida que operadoras ampliem a oferta e a infraestrutura evolua.
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Ele também acredita que os custos não deverão se tornar uma barreira importante para os consumidores.
“A experiência internacional mostra que esses pacotes acabaram sendo bastante acessíveis. Faz muito mais sentido para quem vende democratizar o serviço do que transformá-lo em algo restrito a poucos usuários“, disse.
Apesar do avanço da comunicação via satélite, Arthur Igreja avalia que as redes móveis terrestres continuarão desempenhando papel fundamental. Para ele, a nova tecnologia não substituirá as torres de telefonia, mas funcionará como uma camada adicional de conectividade.
Segundo o especialista, quem buscar maior velocidade continuará recorrendo às redes de fibra óptica e ao 5G, enquanto a conexão direta com satélites garantirá cobertura contínua em locais onde hoje o sinal simplesmente desaparece.
“Mesmo que a velocidade seja menor e o custo eventualmente seja um pouco maior, é muito melhor ter essa alternativa do que continuar sem qualquer opção de conexão. Para um país como o Brasil, o potencial dessa tecnologia é gigantesco“, concluiu.
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